terça-feira, 10 de abril de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 08: Movimento Espírita


MOVIMENTO ESPIRITA

 Objetivo do Movimento Espírita:

É de vital importância que não se confunda Doutrina Espirita com Movimento Espirita. Chama-se Espiritismo à doutrina codificada por Allan Kardec na segunda metade do séc. XIX e que, no seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião expõe e demonstra, através de fatos, a  imortalidade da alma e as  relações existentes entre os mundos  corporal e espiritual, libertando os homens dos abismos conscienciais.

Movimento Espírita é outra coisa, é o conjunto de atividades desenvolvidas organizadamente pelos espíritas, para por em prática a Doutrina Espírita. O Movimento Espírita é, portanto, um meio para  se  aplicar  a  Doutrina  Espírita,  em  todos  os  sentidos,  para  se  divulgar  os  seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas. Esse movimento é fruto do trabalho do homem, decorrente do seu conhecimento, haurido na Codificação Kardequiana.

Na  tarefa  da  divulgação  do  Espiritismo  podemos  relacionar  alguns meios  de  que  dispomos, quais  sejam:  as  sociedades  espíritas,  os  livros,  jornais,  revistas,  mensagens  volantes,  os programas  de  rádio  e  televisão,  as  instituições  assistenciais  e  educacionais,  conferências, palestras, cursos, seminários, etc.

Todas as atividades do Movimento Espírita se desenvolvem a partir do Centro Espírita, ou das Sociedades Espíritas, células-bases do estudo e da prática conjunta dos princípios doutrinários.

Ele tem como característica congregar e motivar as pessoas que sustentam os mesmos ideais e propósitos.

O livro espírita é considerado um notável elemento de propaganda/divulgação do Espiritismo, pelo grande poder  de  penetração  pública,  sobretudo  nos  lugares  em  que  ainda  não  existem sociedades espíritas, bem como um  instrumento  valorosíssimo no conhecimento e estudo da própria Doutrina. A razão de ser do Movimento Espírita só pode ser a divulgação e a pratica da Doutrina Espírita.

A Doutrina Espírita está imune a depurações, ou seja, ela é pura em suas bases e, qualquer idéia ou  conceito  que  se mostre  incompatível  com  os  princípios  consagrados  nas  obras  da Codificação, poderá ser tudo menos Espiritismo.

Já o  Movimento  Espírita,  por  ser  movimento  livre  de  pessoas  e  instituições  humanas,  sem obrigações de obediências compulsória a hierarquias religiosas que não possuímos, não goza da mesma imunidade, exigindo em razão disso, de cada espírita em particular, e de cada grupo ou  instituição  espírita,  uma  vigilância  permanente,  no mais  alto  sentido,  para  que  nenhuma deturpação comprometa a pureza dos ideais que abraçamos.

Diz  Allan  Kardec  em  Obras  Póstumas:  "Um  dos maiores  obstáculos  capazes  de  retardar  a propagação da Doutrina seria a falta de unidade".


 O Marco Inicial:

Tiveram  seu marco  inicial  decisivo  com  a  atuação  segura  de  Bezerra  de Menezes  (Adolfo Bezerra  de  Menezes  Cavalcanti,  nascido  em  29  de  agosto  de  1.831,  um  dos  maiores nomes na Doutrina Espírita no Brasil. Graduado em Medicina,  foi Vereador Municipal e Deputado  Geral  pelo  Rio  de  Janeiro.  Exerceu  a  Presidência  da  Federação  Espírita Brasileira.  Promoveu  intensa  campanha  de  assistência  aos  necessitados  sob  o  tema: Deus, Cristo e Caridade. Considerado o "Médico dos pobres", o "Kardec brasileiro", o "o Apóstolo  do  Espiritismo  no  Brasil"  o  "Unificador  do  Espiritismo  no  Brasil".  Sua desencarnação ocorreu no Rio de Janeiro no dia 11 de abril de 1.900), que,  inclusive, se inspirou nas páginas do Livro Obras Póstumas, de cuja obra foi o primeiro tradutor para o nosso vernáculo, e continuam até hoje, no sentido de preservar a unidade doutrinária e assegurar a continuidade da propagação do Espiritismo. Várias iniciativas foram postas em prática ao longo do tempo, algumas da maior repercussão, entre as quais destacamos o documento: Bases de
organização Espírita, publicado na  revista Reformador de 1º de novembro de 1904, proposto pela  Federação  Espírita  Brasileira  e  aprovado  após  discussão  e  ligeiras  modificações,  por espíritas de todo o Pais, num conclave sem precedentes.

Após  45  anos,  outro  conclave  espírita  (O  Pacto  Áureo)  renovou  os mesmos  propósitos  das Bases. Adotando medidas mais concretas para a viabilização e aprimoramento.

Na  parte  final  da  década  de  40,  valorosos  espíritas  brasileiros  criaram  a  Caravana  da Fraternidade com o  fim de propagar os  ideais da Unificação através de viagens a diferentes pontos do País.

Os esforços da Caravana contribuíram para a assinatura do acordo que, por sua significação, recebeu o cognome de Pacto Áureo. 

Essa reunião deu-se na sede da FEB (Federação Espírita Brasileira), no dia 05 de outubro de 1949,  com  o  nome  de  Acordo  e  depois  de  Pacto  Áureo,  foi  elaborado  um  documento, estabelecendo as bases da atual estrutura do Movimento Espírita em nível nacional.


 Estrutura do Movimento: 

Aparece  uma  estrutura  consentânea  (apropriada,  adequada)  com  a  mentalidade  e  com  as necessidades  do momento. Cria-se,  integrando a FEB. Um Órgão  de âmbito  nacional,  sob a forma  de  plenário  à  base  de  representação  e  de  voto,  não  para  governar  as  Entidades  e Organizações Espíritas existentes e que venham a existir no Pais, mas, destinado ao estudo, orientação, supervisão e direção de todos os assuntos doutrinários e correlatos.

Todos os cuidados foram tomados à época da arregimentação das diretrizes essenciais para a materialização do movimento. Procurou-se ouvir dos servidores que portavam belas  folhas de serviço à Causa; cuidou-se de atender às solicitações, sem, no entanto,  tergiversar  (voltar as costas, usar de subterfúgios ou evasivas) na linha básica do dever que não se pode acomodar
às  exigências  de  pessoas  ou  grupos;  buscou-se  solucionar  problemas  utilizando-se
recomendação evangélica da Tolerância preconizada por Jesus e Kardec. Mas, mesmo assim, as dificuldades cresceram como para testar a  têmpera (índole, austeridade) em que  foi forjado o trabalho de Unificação.

É  verdade  que  o  Espiritismo  não  tem  chefe,  mas  possuindo  um  corpo  de  Doutrina  que necessita  ser  zelado,  tem necessidade  de uma Entidade Federativa  de âmbito  nacional  para coloca-lo a salvo das investidas da futilidade, da imprevidência e dos abusos de toda ordem.


 O Centro Espírita:

O  Centro  Espírita  tem  por  finalidade  a  divulgação  da  mensagem  espírita,  bem  como restabelecer em totalidade o Cristianismo primitivo, livre de condicionamentos e rituais. Ser um educandário aos dois planos da vida e  lar dos necessitados. Ao realizar a propagação da Doutrina  Espírita  a  responsabilidade  de  moralizar  todos  os  recursos  possíveis  à  instrução, orientação, alertando a educação dos encarnados, seja na infância, na mocidade, na madureza ou na velhice, a fim de que se desincumbam com êxito de suas tarefas.

Um  Templo  Espírita  é,  na  essência,  um  educandário  em  que  as  leis  do  ser,  do  destino,  da evolução e do Universo são examinadas claramente, fazendo luz e articulando orientação, mas, por isso, não deve converter-se num instituto de mera preocupação academista. 

O Centro Espírita é uma escola que ensina as diretrizes da vida feliz, acenando com os triunfos após o curso rigoroso da auto-elevação. Múltiplas são as atividades de que se ocupa o centro.

Suas atividades são as seguintes: 

a. Promover, com vistas ao aprimoramento íntimo de seus freqüentadores, o estudo metódico e sistemático e a explanação da Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto - científico, filosófico e religioso consolidada na Codificação Kardequiana; do Evangelho
segundo a Doutrina Espírita;

b. Promover a evangelização da criança, à luz da Doutrina Espírita;

c. Incentivar e orientar o jovem para o estudo e a prática da Doutrina Espírita e favorecer-lhe a integração nas tarefas do Centro Espírita;

d. Promover a divulgação da Doutrina Espírita, também através do livro;

e. Promover o estudo da mediunidade, visando oferecer orientação segura para as atividades mediúnicas;

f. Realizar atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos oferecidos pela Doutrina Espírita, inclusive reuniões mediúnicas privativas de desobsessão ;
g. Manter um trabalho de atendimento fraterno, através do diálogo, com orientação e
esclarecimento às pessoas que buscam o Centro Espírita;

h. Promover o serviço de assistência social espírita, assegurando suas características
beneficentes, preventivas e promocionais, conjugando a ajuda material e espíritual,
fazendo com que este serviço se desenvolva concomitantemente com o atendimento às
necessidades de evangelização;

i. Incentivar e orientar a instituição do Culto do Evangelho no lar.

Bendita  Escola  de  almas  na  Terra,  o  Centro  Espírita  agasalha  os  corações  batidos  pelos vendavais das paixões.

Portas  Abertas  ao  amor,  é  um  celeiro  de  esperança  na  inquietude  da  noite  das  aflições, oferecendo comunicação com os mundos transcendentes do Espírito Imortal.

Oficina de incessante socorro, acolhe toda a aflição da Terra, caldeando-a com "o murmúrio de preces em continuados ministérios de caridade". Aí  todas as  feridas do sentimento encontram medicação  e  todas  inquietudes  recebem  repouso.  Oásis  em  escaldante  deserto,  o  Centro Espírita guarda a fé imortalista no sacrário do entendimento. Entre repuxos de água refrescante a nascer nas fontes da caridade pacífica esplendem as luzes claras do Evangelho, distendendo esperança sem limite.

Hospital, recebe  enfermos  de  toda  procedência,  sem  lhe  inquirir  a  doença  nem  exigir apresentação de carteira de saúde com os antecedentes da moléstia.

Templo, escuta  os  soluços  da  inquietude  e  atende  o  pranto  das  ansiedades,  nascidos  nos recessos da alma. 

Escola, ensina as diretrizes da vida feliz, acenado com o triunfo após o curso rigoroso da auto-elevação.

Mensageiro de Jesus-Cristo, o Senhor de todas as igrejas, não se restringe a sua ação entre as singelas paredes da sua construção material.

O Centro Espírita também é, em nome do amor, o núcleo da assistência ativa à  fome  física, à nudez, à dor, multiplicando os braços de Jesus no mister abençoado do auxilio, distribuindo a bondade,  santa  e  boa,  sem  preconceito  nem  interesse,  sem  desejo  proselitista  (de  fazer seguidores) nem imposição adesiva.

Dentro desse  roteiro,  cada  templo espírita  se  responsabilizará pela  assistência  social na  sua sede, de acordo com as possibilidades que lhe forem surgindo.

É incumbência ainda do Centro Espírita a promoção da Unificação, como unidade fundamental dentro  do  Movimento  Espírita,  devendo  também  manter  um  clima  de  entendimento,  de harmonia e de fraternidade em relação aos demais Centros Espíritas.

Quando  se  abrem  as  portas  de  um  templo  espírita  cristão  ou  de  um  santuário  doméstico, dedicado ao culto do Evangelho, uma luz divina acende-se nas trevas da ignorância humana e
através dos raios benfazejos desse astro de fraternidade e conhecimento, que brilha o bem da comunidade,  os  homens  que  dele  se  avizinham,  ainda  que  não  desejem,  caminham,  sem perceber, para a vida melhor.


   As Organizações Federativas: 

A Federação Espírita Brasileira (FEB), foi fundada em 02/01/1884, na cidade do Rio de Janeiro, como sociedade civil religiosa, cultural e filantrópica com personalidade  jurídica e que  tem por objetivo e fins:

I - Estudo teórico, prático e experimental do Espiritismo; a observância e a propaganda ilimitada de seus ensinos, por todas as maneiras que oferece a palavra escrita e falada. 

II - A prática da caridade material, moral e espiritual por todos os meios ao seu alcance.
III - A união solidária espírita do Brasil.

Para  consecução  dos  objetivos  e  das  finalidades  a  que  se  propõe,  a  Federação  Espírita Brasileira  adota  princípios  e  diretrizes,  quais  a  não  existência  de  qualquer  discriminação  de raça,  sexo,  cor  e  religião,  entre  os  seus  serviços,  a  ausência  de  visão  de  lucros,  bem  como serem exercidos gratuitamente todos os cargos de direção - diretoria, conselhos e comissões.

Para  divulgação,  a  FEB  poderá  enviar,  a  todos  os  lugares,  pessoas  de  confiança  para  a realização  de  conferencias  públicas,  cujos  temas  deverão  ser  de  caráter  exclusivamente doutrinário e em  linguagem  respeitosa, abstendo-se completamente de questões pessoais ou particulares e livres de ataques a quaisquer crenças. 


   As Federações Estaduais: 

Em 1º de outubro de 1904, ao ser assinado o documento "Bases de Organização Espírita", na sala  das  sessões  da  FEB,  no  Rio  de  Janeiro,  os  espíritas  do  Brasil,  tendo  em  vista  a conveniência  e  oportunidade  de  uma  organização  geral  da  propaganda,  sobre  bases homogêneas, resolvem empregar desde já todos os esforços para a criação, na capital da cada Estado  da  União  Brasileira,  de  um  Centro,  calcado  nos  moldes  da  Federação  do  Rio  de Janeiro,  tendo  por  fim  promover  a  organização  e  filiação  de  associação  de  estudo  e propaganda em  todo Estado. Tais  instituições, aderindo ao programa da FEB, a ela se  filiarão com  as  respectivas  associações  subsidiárias,  sem  nenhuma  relação  de  dependência disciplinar, mas unicamente com intuitos de confraternização e unidade de vistas. Desta forma, surgem as Federativas Estaduais.

A execução de programa da Federação consistirá na  integração das sociedades espíritas dos Estados,  dos  Territórios  e  do  Distrito  Federal  no  seu  organismo,  por  ato  federativo  ou  de adesão, de modo a  constituírem  com ela  todo homogêneo,  no qual,  com o único  objetivo de confraternização, concórdia e solidariedade, se verifica completa harmonia de vistas e unidades de programa, moldado este pelas bases da Organização Espírita.

 CFN – Conselho Federativo Nacional:

Para  a  execução,  desenvolvimento  e  ampliação  dos  planos  da  Organização  Federativa  foi criado o Conselho Federativo Nacional, que é presidido pelo próprio presidente da FEB, e por um representante da cada sociedade de âmbito estadual.

As  sociedades  componentes  do  Conselho  Federativo  Nacional  são  completamente
independentes. A ação do Conselho só se verificará, alias,  fraternalmente, no caso de alguma Sociedade passar a adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns.

Art. 112. O Conselho Federativo Nacional reunir-se-á, ordinariamente, pelo menos uma vez por ano; e, extraordinariamente, quando  for necessário, só podendo  funcionar com a presença de metade mais um dos seus membros.

Em 1971, passando a  funcionar os Conselhos Zonais, desdobramento do CFN, com o  fito de dinamizar e melhor integrar o Movimento Espírita nos planos da Unificação.

Segundo  resoluções  de  03 NOV  85  do CFN,  os Conselhos  Zonais  foram  transformados  em Comissões Regionais, cujos objetivos são: coordenar e promover com as Entidades Estaduais de Unificação do Movimento Espírita, observados os norteamentos do CFN, as atividades que visem  dotar  as  instituições  espíritas  dos  conhecimentos  necessários  ao  desenvolvimento  de suas atividades doutrinárias e assistências . Analisar temas indicados pelo CFN.

Para melhorar operacionalmente a Unificação do Movimento Espírita através das Sociedades Espíritas,  as  Federações  Estaduais  dispõe  de  órgãos  de  coordenação,  orientação,  difusão doutrinária.

Esses  órgãos  se  denominam  ,  no  Estado  do  Paraná,  União  Regional  Espírita  (URE), enquanto  que  nos  demais  Estados  possuem  designação  como  Conselho  Regional  Espírita, União Municipal Espírita, etc. 

Art. 103. À Federação Espirita Brasileira incumbe a representação do Espiritismo, por parte do Brasil, em todos os atos e solenidades internacionais concernentes à organização  espírita  Mundial,  assim  como  nos  congressos  que  se  efetuarem  e  cujas conclusões serão submetidas ao Conselho Federativo Nacional.

Todo esforço deve ser desenvolvido no sentido de que o Movimento Espírita cresça, como vem crescendo,  sem  prejuízo  da  unidade.  Isto  poderá  se  conseguido  com  o  trabalho  constante  e sistemático de dinamização do sistema, que vem sendo aprimorado.

O  trabalho de Unificação deve  ter seu ponto maior de sustentação na  tarefa de produzir uma correta conceituação do Espiritismo por parte dos que militam nas Sociedades Espíritas, e uma noção, a mais precisa possível, dos seus objetivos, entre os quais se salienta o de constituir  uma sociedade de homens harmonizados em Cristo, por conseqüência, juntos e fraternos. 


 
Bibliografia
1. Livro dos Médiuns. pg. 334a342 / 361a 370.
2. Obras Póstumas . pg. 339. 
3. Orientação ao Centro Espírita. 
4. Conduta Espírita. 
5. Educandário da Luz. 
6. Sementeira da Fraternidade 
7. Estatuto da FEB. 
8. Orientação ao Centro Espírita. 
9. Unificação.


Abraços fraternos!

Colaboração: Luciana Gomes

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