Influência
dos Espíritos em nossos Pensamentos e atos:
A influência dos Espíritos sobre os nossos
pensamentos e atos é tão grande que, de ordinário, são eles que nos dirigem.
Essa influência pode ser boa ou má, oculta ou ostensiva, fugaz ou duradoura. Em
qualquer situação fica claro que a influenciação se concretiza através da sintonia
que se estabelece.
O intercâmbio do pensamento é movimento livre
no Universo. Desencarnados e encarnados, em todos os setores de atividade
terrestre, vivem na mais ampla permuta de idéias. Cada mente é um verdadeiro
mundo de emissão e recepção e cada qual atrai os que lhe assemelham. Os tristes
agradam aos tristes, os ignorantes se reúnem, os criminosos comungam na mesma
esfera, os bons estabelecem laços recíprocos de trabalho e realização.
Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada,
vivem mais com os companheiros encarnados do que se supõe. Misturam-se nas
atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações,
seguem os comensais, de quem dependem em processo legítimo de vampirização.
(vampirização ou vampirismo – Ação de Espíritos inferiores e viciados sobre os seres
vivos, principalmente pessoas incautas ou obsediadas que aceitam essa
influência. Esses Espíritos sugam-lhes as energias vitais, com o objetivo de
gozarem as sensações próprias dos encarnados. Geralmente essa ação é nefasta e
leva o paciente à fraqueza, inclusive orgânica, acarretando doença mental e
física de natureza diversa. O Espírito André Luiz, em seu livro "Evolução
em Dois Mundos", disse: "O vampirismo dá-se quando o obsessor passa a
viver no clima pessoal da vítima, em sintonia psíquica mórbida, absorvendo-lhe
as forças vitais").
Lamartine Palhano Jr - Dicionário de Filosofia
Espírita:
Perturbam-se e perturbam
Sofrem e fazem sofrer.
Odeiam e geram ódios.
Amesquinhados em si mesmos, amesquinham os
outros.
Infelicitados, Infelicitam.
Já a ação dos Espíritos Superiores é outra. Os
bons Espíritos só para o bem aconselham, suscitam bons pensamentos, desviam os
homens da senda do mal, protegem na vida os que lhes mostram ser dignos de
proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles que
não é grato sofrê-la.
Tomando consciência de que o pensamento
exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre
os objetivos que se propõe atingir, nada mais natural que se consiga harmonia e
felicidade, quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou aflição e
quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e doentio.
A química mental vive na base de todas as
transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com
todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. Pelo que foi
dito, ficou patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros,
sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se, assim, uma reciprocidade
constante de intercâmbio. Daí, ser difícil, senão impossível, determinadas ocasiões,
distinguir um pensamento próprio de um que nos é sugerido.
Dizem os Espíritos: Vossa alma é um Espírito
que pensa. Não ignorais que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um
mesmo assunto e, não raro, contrários uns dos outros.
Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de
mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes
em vós duas idéias a se combaterem.
Quando o pensamento vos é sugerido, tendes a
impressão de que alguém vos fala.
Geralmente, os pensamentos próprios são os que
acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer
essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la.
Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade.
Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho,
maior será a sua responsabilidade.
Se fora útil que pudéssemos distinguir
claramente os nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos
houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos
concedeu o de diferenciarmos o dia da noite.
Quando uma coisa se conserva imprecisa, é que convém assim aconteça.
Podemos neutralizar a influência dos Espíritos
inferiores praticando o bem e pondo em Deus toda a confiança; procurando
repelir as sugestões inferiores, e não atendendo aos maus pensamentos que geram
a discórdia, as lutas antifraternais, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.
À medida que se perseverar no propósito firme
de melhoria, através do desligamento do mal, a influência provocada pelas
entidades inferiores dará lugar aos conselhos e sugestões edificantes dos
benfeitores espirituais.
Considerando a influência dos desencarnados,
nos pensamentos, palavras e ações dos que se locomovem na carne, policia
desejos e elaborações mentais para que as malhas delicadas e vigorosas da
influenciação obsessiva não te retenham o passo na jornada clarificadora em que
te encontras na conquista da luz que dimana de Jesus, o Sol Excelso da nossa
vida.
Comunicabilidade dos Espíritos:
Tudo que serve para erguer uma ponta do véu que
nos envolve, ajuda o desenvolvimento da inteligência, alarga o círculo de
idéias, fazendo-nos compreender as leis da Natureza. Ora, o mundo dos Espíritos
existe em função de uma dessas leis naturais, e o Espiritismo nos faz conhecê-lo;
ele nos mostra a influência que o mundo invisível exerce sobre o visível e as relações
existentes entre eles, como a Astronomia nos ensina as que ligam os astros à
Terra; ele no-lo faz ver como sendo uma das forças que regem o Universo e
contribuem para a manutenção da harmonia geral.
O Espiritismo possui, porém, uma outra
utilidade, mais positiva: é a natural influência moral que exerce. Ela é a
prova patente da existência da alma, da sua individualidade depois da morte, da
sua imortalidade, da sua sorte futura; é, pois, a destruição do materialismo,
não pelo raciocínio,
mas por fatos. Não convém pedir-lhes senão o
que ele poder dar, e nunca o que está fora dos limites do seu fim providencial.
O fim providencial das manifestações é convencer os incrédulos de que tudo para
o homem não se baseia somente na vida terrestre, como também não se acaba com a
morte física, e dar aos crentes idéias mais justas sobre o futuro. Os bons
Espíritos nos vêm instruir para o nosso melhoramento e avanço e não para
revelar-nos o que não devemos saber ainda, ou que só deve ser conseguido pelo
nosso trabalho.
Se bastasse interrogar os Espíritos para obter
a solução de todas as dificuldades científicas, ou para fazer descobertas e
invenções lucrativas, todo ignorante podia tornar-se sábio sem estudar, todo
preguiçoso ficar rico sem trabalhar; é o que Deus não quer.
Os Espíritos ajudam o homem de gênio pela
inspiração oculta, mas não o eximem do trabalho nem das investigações, a fim de
lhe deixar o mérito.
Comunicações Ocultas e Ostensivas:
As comunicações dos Espíritos com os homens são
ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que
exercem sobre nós, à nossa revelia.
Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más
inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra
ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes
servem de instrumentos.
Comunicações Espontâneas ou mediante
Evocações:
Encontramos na Introdução de O Livro dos
Espíritos (1.857), capítulo VI, que os espíritos podem se manifestar
espontaneamente ou mediante evocação.
Da mesma forma, encontramos em O Livro dos
Médiuns(1.861) – Cap. XXV, item 269, que os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente,
ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação.
As comunicações espontâneas não apresentam
nenhum inconveniente ou perigo, quando são realizadas nas Casas Espíritas
estruturadas e que seguem as diretrizes das obras básicas e correlatas,
pautadas na seriedade e no convicto propósito de auxiliar aos irmãos desencarnados,
aliviando-os, confortando-os, mas, principalmente, esclarecendo-os acerca da realidade
espiritual.
Com relação às evocações, são necessários
alguns esclarecimentos preliminares:
Em primeiro lugar, devemos destacar que o Livro
dos Médiuns (1.861), faz parte das obras básicas da Codificação. Allan Kardec
quando as elaborava, fundamentava a estrutura doutrinária do Espiritismo.
Contava, então, no seu trabalho, com a orientação de entidades de alta
categoria espiritual e, suas pesquisas com referência à comunicação dos
Espíritos e encarnados, ocorreram em condições excepcionais. Dispunha o
Codificador de uma extraordinária equipe de Espíritos que lhe assessoravam a
tarefa, bem como de médiuns e pessoas selecionadas espiritualmente, que
cooperavam decididamente para o bom êxito de sua missão.
Em segundo lugar, essa fase de fundamentação
doutrinária desenvolveu-se através da mediunidade psicográfica, em maior escala
de natureza mecânica, onde a independência do pensamento do Espírito em relação
ao do médium é a mais acentuada possível. Estes fatores possibilitaram,
portanto, uma extraordinária segurança para o estudo das comunicações dos Espíritos
quando evocados.
É dentro desses pontos de vista que focalizamos
o assunto empolgante, intitulado "Das Evocações" em O Livro dos
Médiuns e que passamos a desenvolver para ao final tecermos considerações
complementares, conforme a opinião de estudiosos encarnados e desencarnados.
Relevando-se as considerações já expostas bem
como as que serão ao final deste item, podemos dizer, de acordo com O Livro dos
Médiuns, Cap. XXV, itens 274 e 275, que, todos os
Espíritos, qualquer que seja o grau em que se
encontrem na escala espiritual, podem ser evocados: assim os bons, como os
maus, tanto os que deixaram a vida de pouco, como os que
viveram nas épocas mais remotas, os que foram
homens ilustres, como os mais obscuros, os nossos parentes e amigos, como os
que nos são indiferentes. Isto, porém, não quer dizer que eles sempre queiram
ou possam responder ao nosso chamado. Independente da própria vontade, ou da
permissão, que lhes pode ser recusada por uma potência superior, é possível se
achem impedidos de o fazer, por motivos que nem sempre nos é dado conhecer.
Entre as causas que podem impedir a
manifestação de um Espírito, uma lhes são pessoais e outras, estranhas. Entre
as primeiras, devem colocar-se as ocupações ou as missões que esteja
desempenhando e das quais não pode afastar-se, para ceder aos nossos
desejos.
Há também, a sua própria situação, ou seja,
condições em que ele se encontra que o impossibilita de atender ao chamamento,
quais sejam: estado de perturbação, pós-morte, quando os laços que o prendiam
ao corpo ainda não se desvenciliaram totalmente; quando o mesmo se encontra em
regiões delimitadas pelo seu psiquismo ou outras necessárias ao seu reajuste;
tratamento espiritual, etc.
Com relação às causas estranhas, podemos dizer
que elas residem principalmente na natureza do médium, nas condições da pessoa
que evoca, no meio em que é feita a evocação e, finalmente, no objetivo que se
tem em vista.
Fica desta forma exposta sinteticamente, as
considerações do Codificador Allan Kardec sobre as evocações dos Espíritos,
necessárias e justificáveis na fase de pesquisa em que a Doutrina Espírita se
estabelecia nos seus fundamentos gerais. Hoje, vivemos uma nova fase. O Espiritismo
já sedimentado filosoficamente, alcança a etapa de difusão e reeducação moral
da Humanidade. A comunicabilidade com os Espíritos tem agora características
diferentes.
Estamos na fase da aplicação dos conceitos
espíritas ao comportamento humano, à sua reforma moral.
Emmanuel (autor espiritual, guia do médium
Francisco Cândido Xavier), no Livro "O Consolador", na questão 369,
diz o seguinte, reportando-se à evocação direta de determinados Espíritos:
"Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso
algum".
A
proibição de Moisés com relação às Evocações:
Na Lei Mosaica está escrito: "Não vos
desvieis do vosso eus para procurar mágicos; não consulteis os adivinhos, e
receai que vos contamineis dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lev,
XIX, v. 31). O homem ou mulher que tiver Espírito pitônico ou de adivinho, morra
de morte. Serão apedrejados, e o seu sangue recairá sobre eles. Quando
houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus vos há de dar, guardai-vos;
tomai cuidado em não imitar as abominações de tais povos; e entre ninguém haja
que pretenda purificar filho ou filha passando-se pelo fogo; que use de
malefícios, sortilégios e encantamentos: que consulte os que tem o Espírito de
Píton e se propõe adivinhar,
interrogando os mortos para saber a verdade. O Senhor abomina essas
coisas e exterminará todos esses povos, à vossa entrada, por causa dos crimes
que têm cometido ( Dt, 18. 9-12)."
Se a Lei de Moisés deve ser tão rigorosamente
observada neste ponto, força é que o seja igualmente em todos os outros. Por
que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? É
preciso ser conseqüente. Desde que se reconhece que a Lei Mosaica não está mais
de acordo com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para
a proibição de que tratamos.
Demais é preciso explicar os motivos que justificavam
essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria
que seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as
evocações estavam em uso e facilitavam abusos. A proibição de Moisés era assaz
justa, porque a evocação dos mortos não se originava no sentimento de respeito,
afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhação, tal
como nos adivinhos e presságios explorados pelo charlatanismo e pela
superstição. Essas práticas, ao que parece, também eram objeto de negócio, e
Moisés, por mais que fizesse, não conseguiu desentranhá-las dos costumes
populares.
Nesse tempo as evocações tinham por fim a
adivinhação, ao mesmo tempo que constituíram comércio, associados às práticas
da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios humanos. Moisés tinha
razão, portanto, proibindo tais coisas e afirmando que Deus as abominava. Essas
práticas supersticiosas perpetuaram-se até a Idade Média, mas hoje a razão predomina,
ao mesmo tempo que o Espiritismo veio mostrar o fim exclusivamente moral, consolador
e religioso das relações além-túmulo.
Complementa o livro "O Céu e o
Inferno" (1.868) Parte I, capítulo XI – Da proibição de evocar os mortos,
que: "Uma vez, porém, que os espíritas não sacrificam criancinhas nem
fazem libações para honrar deuses; uma vez que não interrogam astros, mortos e
adivinhos para adivinhar a verdade sabiamente velada aos homens; uma vez que
repudiam traficar com a faculdade de comunicar com os Espíritos; uma vez que
não move a curiosidade nem a cobiça, mas um sentimento de piedade, um desejo de
instruir-se e melhorar-se, aliviando as almas sofredoras; uma vez que assim é
porque o é – a proibição de Moisés não lhes pode ser extensiva.
Se os que clamam injustamente contra os
Espíritas se aprofundassem mais no sentido das palavras bíblicas, reconheceriam
que nada existe de análogo, nos princípios do Espiritismo, com o que se passava
entre os Hebreus. A verdade é que o Espiritismo condena tudo o que motivou a
interdição de Moisés; mas os seus adversários, no afã de encontrar argumentos
com que rebatam as novas idéias, nem apercebem que tais argumentos são
negativos, por serem completamente falsos."
Complementando o entendimento, o Espírito
Joanna de Ângelis no Livro "Estudos Espíritas", psicografado por
Divaldo Pereira Franco, no capítulo 18 – Mediunidade, tece os seguintes comentários:
"Repelir as comunicações de além- túmulo é repudiar o meio mais poderoso
de instrui-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos
exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além
disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos,
ajudando os que sofrem a desprenderem-se
da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar
as almas sofredoras da
assistência que lhes podemos e devemos
dispensar.
Após a documentação Kardequiana, inserta na
Codificação, a mediunidade abandonou as lendas e ficções, os Florilégios
(coleção de trechos em prosa e/ou em verso) do sobrenatural e do miraculoso,
superando as difamações de que foi vitima, para ocupar o seu legítimo lugar, recebendo
das modernas ciências psíquicas, psicológicas o respeito e o estudo que lhe desdobram
os meios, contribuindo com abençoados recursos de que a Psiquiatria se pode utilizar,
como outros ramos das Ciências, para solucionar um sem-número de problemas físicos,
emocionais, psíquicos, sociais que afligem a moderna e atormentada
sociedade..."
Da
Natureza das Comunicações:
Dissemos que todo efeito, que revela, na sua
causalidade um ato, ainda que possa parecer insignificante e livre de sua
vontade, atesta, por essa circunstância, a existência de uma causa inteligente.
Assim, um simples movimento de mesa, que responda ao nosso pensamento, ou manifeste
caráter intencional, pode ser considerado uma manifestação inteligente. O caso
muda completamente de figura, quando essa inteligência ganha um desenvolvimento
tal, que permite
regular a contínua troca de idéias. Já não há
então simples manifestação inteligente, mas verdadeira comunicação. Os meios
que dispomos permitem que as obtenhamos tão extensas, tão explicitas e tão
rápidas, como as que mantemos com os homens. Um outro detalhe que não se pode
deixar passar são as escalas dos Espíritos, porque dependem deles estas
comunicações, sob o duplo aspecto da inteligência e a moralidade, facilmente se
convencerá de que há de haver diferença entre as sua comunicações; que estas
hão de refletir a elevação, ou a baixeza de suas idéias, o saber e a ignorância deles , seus vícios e sua virtudes.
Segundo seus caracteres mais acentuados, elas se dividem em quatro categorias: grosseiras,
frívolas, sérias e instrutivas.
Comunicações Grosseiras: São as concebidas em
termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixa estofa ((fig.)
jaez; laia; qualidade; condição. (Pl.: estofas [ô].), ainda cobertos de todas
as impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos
e grosseiros. Repugnam a quem quer que não seja inteiramente baldo (adj. Baldado;
carecido; falho; vão; inútil. (Do ár. batil.) de toda a delicadeza de
sentimentos, pela razão de que, acordemente com o caráter dos Espíritos, elas
serão triviais, ignóbeis (adj. 2 gên. Falta de nobreza; desprezíveis; baixas;
vis; abjetas. (Pl.: ignóbeis.) (Do lat. ignobile.), obscenas, insolentes,
arrogantes, malévolas e mesmo ímpias (adj. e s. m. Que não tem fé; incrédulas.
(Do lat. impiu.).
Comunicações Frívolas: Estas emanam de
Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, antes maliciosos do que maus,
e que nenhuma importância ligam ao que dizem.
Como nada de indecoroso encerram essas
comunicações, agradam a certas pessoas, que com elas se divertem, porque
encontram prazer nas suas confabulações fúteis, em que muito se fala para nada
dizer. Tais Espíritos saem-se às vezes com tiradas espirituosas e mordazes (adj.
2 Page 5 of gên. picantes; pungentes; satíricas; maldizentes. (Do lat. mordace.)
e, por entre facéceis (s. f. graça; motejos; brincadeiras. (Do lat.
facetia.) vulgares, dizem não raro duras
verdades, que quase sempre ferem com justeza. As pessoas que se comprazem nesse
gênero de comunicações naturalmente dão acesso aos Espíritos levianos e falaciosos (adj. Que usam falácias; enganadores burlões).
Delas se afastam os Espíritos sérios, do mesmo modo que na sociedade humana os
homens sérios evitam a companhia dos levianos.
Comunicações Sérias: Estas são ponderosas
quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Toda comunicação que, isenta de
frivolidade e de grosseria, objetiva um fim útil, ainda que de caráter
particular, é, por esse simples fato, uma comunicação séria. Nem todos os Espíritos
sérios são igualmente esclarecidos; há muita coisa que eles ignoram e sobre que
podem enganar-se de boa fé. Por isso é que os Espíritos verdadeiramente
superiores nos recomendam de continuo que submetamos todas as comunicações ao
crivo da razão e da mais rigorosa lógica. Ainda das comunicações sérias se
distingam as verdadeiras das falsas, o que nem sempre é fácil, porquanto,
exatamente à sombra da elevação da linguagem, é que certos Espíritos
presunçosos, ou pseudo-sábios, procuram conseguir a prevalência das mais falsas
idéias e dos mais absurdos sistemas.
Comunicações instrutivas: São as comunicações
sérias cujo principal objetivo consiste em ensinamentos dados pelos Espíritos,
sobre as ciências, a moral, a filosofia, etc. São mais ou menos profundas,
conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito. Para se retirarem
os frutos reais dessas comunicações, preciso é que elas sejam regulares e continuadas
com perseverança. Os Espíritos sérios se ligam aos que desejam instruir-se e
lhes secundam os esforços, deixando aos Espíritos levianos, a tarefa de
divertirem, com relação àqueles que em tais manifestações só vêem passageira
distração. Unicamente pela regularidade e freqüência daquelas comunicações se
pode apreciar o valor moral e intelectual dos Espíritos que as dão e a
confiança que eles merecem. Se, para julgar os homens, se necessita de
experiência, muito mais ainda é necessária, para se julgarem os Espíritos.
Da Sematologia e da Tiptologia:
As primeiras comunicações inteligentes foram
obtidas por meio de pancadas, ou da Tipologia.
Muito limitados eram os recursos que oferecia
esse meio inicial de comunicação, reduzindo-se à respostas monossilábicas
- sim ou - não, mediante convencionado número de
pancadas.
Mais tarde, o método foi aperfeiçoado,
representando as batidas/pancadas as letras do alfabeto. Cabe a menção de que,
apesar da singeleza, esses métodos iniciais produziram
excelentes resultados em termos de comunicação.
Esse modo de comunicação demanda aptidões do
médium para as manifestações físicas (médium de efeitos físicos). A primeira, a
que se poderia chamar Tiptologia por meio de Básculo, consiste no movimento da
mesa, que se levanta e cai batendo com um dos pés.
Nota-se ainda que, quando se emprega esse meio,
o Espírito usa também de uma espécie de mímica, isto é, exprime a energia da
afirmação ou da negação pela força das pancadas.
Também exprime a natureza dos sentimentos que o
animam: a violência, pela forma brusca dos movimentos; á cólera e a
impaciência, batendo repetidamente fortes pancadas, como uma pessoa que bate
arrebatadamente com os pés, chegando às vezes a atirar ao chão a mesa. Se é
amável e delicado, inclina, no começo e no fim da sessão, a mesa, à guisa de
saudação. Se quer dirigir-se diretamente a um dos assistentes, para ele
encaminha a mesa com brandura, ou violência, conforme deseje testemunhar-lhe
afeição, ou antipatia. Essa, propriamente falando, a Sematologia, ou linguagem
dos sinais, como a Tiptologia é a linguagem das pancadas.
Questões referentes em O Livro dos Espíritos:
CAPÍTULO IX
DA INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL
Faculdade, que têm os Espíritos, de penetrar os
nossos pensamentos.
456. Vêem os Espíritos tudo o que fazemos?
"Podem ver, pois que constantemente vos
rodeiam. Cada um, porém, só vê aquilo a que dá atenção. Não se ocupam com o que
lhes é indiferente."
457. Podem os Espíritos conhecer os nossos mais
secretos pensamentos?
"Muitas vezes chegam a conhecer o que
desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem
dissimular."
a) - Assim, mais fácil nos seria ocultar de uma
pessoa viva qualquer coisa, do que a esconder dessa mesma pessoa depois de
morta?
"Certamente. Quando vos julgais muito
ocultos, é comum terdes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos
observam."
458. Que pensam de nós os Espíritos que nos
cercam e observam?
"Depende. Os levianos riem das pequenas
partidas que vos pregam e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios
se condoem dos vossos reveses e procuram ajudar-vos."
Influência oculta dos Espíritos em nossos
pensamentos e atos
459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos
e em nossos atos?
"Muito mais do que imaginais. Influem a
tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem."
460. De par com os pensamentos que nos são
próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?
"Vossa alma é um Espírito que pensa. Não
ignorais que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o
mesmo assunto, não raro, contrários uns dos outros. Pois bem! No conjunto
deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que
vos vedes. É que tendes em vós duas idéias a se combaterem."
461. Como havemos de distinguir os pensamentos
que nos são próprios dos que nos são
sugeridos?
"Quando um pensamento vos é sugerido,
tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios
são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é
de grande interesse estabelecer essa distinção.
Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la.
Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade.
Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho,
maior será a sua responsabilidade."
462. É sempre de dentro de si mesmos que os
homens inteligentes e de gênio tiram suas idéias?
"Algumas vezes, elas lhes vêm do seu
próprio Espírito, porém, de outras muitas, lhes são sugeridas por Espíritos que
os julgam capazes de compreendê-las e dignos de vulgarizá-las. Quando tais
homens não as acham em si mesmos, apelam para a inspiração. Fazem assim, sem o
suspeitarem, uma verdadeira evocação."
* Se fora útil que pudéssemos distinguir
claramente os nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos
houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos concedeu o de
diferençarmos o dia da noite. Quando uma coisa se conserva imprecisa, é que convém
assim aconteça.
463. Diz-se comumente ser sempre bom o primeiro
impulso. É exato?
"Pode ser bom, ou mau, conforme a natureza
do Espírito encarnado. É sempre bom naquele 31/8/2011 que atende às boas
inspirações."
464. Como distinguirmos se um pensamento
sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?
"Estudai o caso. Os bons Espíritos só para
o bem aconselham. Compete-vos discernir."
465. Com que fim os Espíritos imperfeitos nos
induzem ao mal?
"Para que sofrais como eles sofrem."
a) - E isso lhes diminui os sofrimentos?
"Não; mas fazem-no por inveja, por não
poderem suportar que haja seres felizes."
b) - De que natureza é o sofrimento que
procuram infligir aos outros?
"Os que resultam de ser de ordem inferior
a criatura e de estar afastada de Deus."
466. Por que permite Deus que Espíritos nos excitem
ao mal?
"Os Espíritos imperfeitos são instrumentos
próprios a por em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como
Espírito que és, tens que progredir na ciência do infinito. Daí o passares
pelas provas do mal, para chegares ao bem. A nossa missão consiste em te colocarmos
no bom caminho. Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando
o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que
desejes praticá-lo. Só quando queiras o mal, podem eles ajudar-te para a
prática do mal. Se fores propenso ao assassínio, terás em torno de ti uma nuvem
de Espíritos a te alimentarem no íntimo esse pendor. Mas outros também te
cercarão, esforçando-se por te influenciarem para o bem, o que restabelece o
equilíbrio da balança e te deixa senhor dos teus atos."
* É assim que Deus confia à nossa consciência a
escolha do caminho que devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das
influências contrárias que se exercem sobre nós.
467. Pode o homem eximir-se da influência dos
Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
"Pode, visto que tais Espíritos só se
apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus
pensamentos, os atraem."
468. Renunciam às suas tentativas os Espíritos cuja
influência a vontade do homem repele?
"Que querias que fizessem? Quando nada
conseguem, abandonam o campo. Entretanto, ficam à espreita de um momento
propício, como o gato que tocaia o rato."
469. Por que meio podemos neutralizar a
influência dos maus Espíritos?
"Praticando o bem e pondo em Deus toda a
vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e
aniquilareis o império que desejam ter sobre vós. Guardai-vos de atender às
sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a
discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai
especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo
lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a
dizer: "Senhor! Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal."
470. Os Espíritos, que ao mal procuram
induzir-nos e que põem assim em prova a nossa firmeza no bem, procedem desse
modo cumprindo missão? E, se assim é, cabe-lhes alguma responsabilidade?
"A nenhum Espírito é dada a missão de
praticar o mal. Aquele que o faz fá-lo por conta própria, sujeitando-se,
portanto, às conseqüências. Pode Deus permitir-lhe que assim proceda, para vos experimentar;
nunca, porém, lhe determina tal procedimento. Compete-vos, pois
repeti-lo." 471. Quando experimentamos uma sensação de angústia, de ansiedade
indefinível, ou de íntima satisfação, sem que lhe conheçamos a causa, devemos
atribuí-la unicamente a uma disposição física?
"É quase sempre efeito das comunicações em
que inconscientemente entrais com os Espíritos, ou da que com elas tivestes durante
o sono."
472. Os Espíritos que procuram atrair-nos para
o mal se limitam a aproveitar as circunstâncias em que nos achamos, ou podem
também criá-las?
"Aproveitam as circunstâncias ocorrentes,
mas também costumam criá-las, impelindo-vos, mau grado vosso, para aquilo que
cobiçais. Assim, por exemplo, encontra um homem, no seu caminho, certa quantia.
Não penses tenham sido os Espíritos que a trouxeram para ali. Mas, eles podem
inspirar ao homem a idéia de tomar aquela direção e sugerir-lhe depois a de se apoderar
da importância achada, enquanto outros lhe sugerem a de restituir o dinheiro ao
seu legítimo dono. O mesmo se dá com relação a todas as demais tentações."
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*--*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec –
Introdução, Cap. VI; Parte Segunda, capítulo IX – Da
Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal.
O Céu e o Inferno – Allan Kardec – Parte I,
Cap. XI – Da proibição de evocar os mortos.
O que é o Espiritismo – Allan Kardec – Parte I,
Cap. II – Fim providencial das Manifestações
Espíritas.
Lampadário Espírita – Pelo Espírito Joanna de
Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira
Franco – Cap. 28 – Influenciações.
Estudos Espíritas - Pelo Espírito Joanna de
Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco
– Cap. 18 – Mediunidade.
Nos Domínios da Mediunidade – pelo Espírito
André Luiz, psicografado por Francisco
Cândido Xavier – Cap. XIX – Dominação
Telepática.
Missionários da Luz - pelo Espírito André Luiz,
psicografado por Francisco Cândido Xavier –
Cap. V – Influenciação.
Apostila do ESDE – Estudo Sistematizado da
Doutrina Espírita – Federação Espírita
do
Paraná - Unidade II, subunidade 3 – 3.3
Influência dos Espíritos em nossos pensamentos e
atos; 3.4 Comunicabilidade dos Espíritos.
Apostila do COEM – Centro de Orientação e
Educação Mediúnica – do Centro Espírita Luz
Page 9 of 10 Sociedade Espírita Fraternidade -
Unidade 17
31/8/2011
http://www.mkow.com.br/apostilas/unid17.htmEterna – 16.ª sessão teórica – Das
Evocações – Da Identidade dos Espíritos.
Dicionário de Filosofia Espírita - Lamartine
Palhano Jr.
Abraços fraternos!
Colaboração: Luciana Gomes