sábado, 31 de março de 2012

VIVÊNCIA


     

Habitualmente, perdemos tempo em desgosto inútil, quando nos achamos em antagonismo com alguém ou vice-versa.

       Entretanto, vejamos:

       - os outros pensam segundo imaginam;

       - falam o que melhor lhes parece;

       - fazem o que lhes ocorre aos desejos;

       - valorizam o que mais amam;

       - inclinam-se para aquilo que os atrai;

       - vivem com quem mais se afinam;

       - estão no caminho que escolheram.

       Isso não é novidade. Todos seguimos diretrizes idênticas: agimos como somos e reagimos conforme a própria vontade. A novidade é reconhecer que os outros e nós teremos inevitavelmente o que fizermos.

       Alcançando a certeza disso, vale, acima de tudo, auxiliarmo-nos reciprocamente, pois ninguém consegue aperfeiçoamento próprio senão à custa de numerosas experiências.

       Vivamos com as nossas lições e deixemos aos outros o seu próprio dom de aprender e de viver.

 

                    André Luiz / Médium Chico Xavier Livro: Respostas da Vida (extrato) - Ed. IDEAL

quinta-feira, 29 de março de 2012

DESENVOLVA A PACIÊNCIA

"Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?"
"Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta e a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!"
("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, Questão n. 909- Ed. FEB.)

Diante de certos problemas, algumas vezes, sua inteligência pode não indicar outra solução que não seja a submissão à Vontade de Deus, levando-o a aceitar as situações que não pode mudar.
No entanto, nem sempre isso ocorre. Na maior parte dos casos você pode usar a paciência como uma virtude ativa, que lhe dará serenidade para providenciar a solução de problemas evitando tensões excessivas, irritação, cólera, ódio, medo, depressão e angústia, permitindo que você saia de situações aflitivas aprendendo e progredindo espiritualmente.
Dizem os dicionários que a paciência é: "o estado de perseverança tranqüila". Portanto, diante de situações adversas e aflitivas é indispensável manter o equilíbrio emocional e agir ou reagir com serenidade.
Você deve, então, esforçar-se para desenvolver o autodomínio ou autocontrole.
Como agir diante dos pequenos problemas que o afetam todos os dias?
Como conseguir o equilíbrio emocional junto a familiares, chefes ou subordinados que, por exemplo, recusam-se a assumir seus deveres e, ao se omitiram ou transferiram tarefas, indevidamente o sobrecarregam?
O primeiro passo é a compreensão.
Compreender o que está acontecendo.
Perceber o que querem as pessoas e por que agem daquela maneira. Se estão desequilibradas, se são inexperientes ou se têm má intenção.
O segundo passo é manter o sentido de realidade.
Não exagerar o que está acontecendo, apavorando-se.
Julgar com serenidade para saber o que fazer.
O terceiro passo é agir.
Movimentar providências e recursos para resolver 0 problema.
Nessa fase, é fundamental o entendimento através do diálogo."
O exercício da paciência e fundamental para o seu bem-estar espiritual e necessita de outros estados mentais como: a obediência e a resignação como forças ativas"
Conversar claramente sobre a questão surgida para estabelecer como você deve agir junto para a necessária solução.
As conclusões tiradas do diálogo devem ser bem definidas, memorizadas ou até escritas para depois serem avaliadas, a fim de se saber se todos estão cumprindo sua parte no estabelecido.
Assim, você não terá no lar, no serviço ou no grupo uma falsa harmonia, construída sobre o injusto sacrifício.
Para ajudá-lo na compreensão mais ampla sobre a importância da paciência, trazemos de "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, o seguinte trecho da mensagem de Um Espírito:
"Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência." (Cap. IX, Item 7, Ed. FEB.)
Mais adiante, na mesma obra, assim diz o Espírito Lázaro:
"A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, se bem os homens erroneamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carreguem o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime não pode ser resignado, do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a encarnação dessas virtudes que a antigüidade material desprezava (...)" (Op. cit.-g.n.). (Destaque nosso.)
Como você pode concluir, o exercício da paciência é fundamental para o seu bem-estar espiritual e necessita de outros estados mentais como: a obediência e a resignação, devidamente entendidos como forças ativas.
No entanto, a vivência da paciência solicita de você o treino para o autodomínio. Alguns pontos para esse treinamento podem ser considerados:
  1. Coloque suas emoções negativas para fora: irritação, cólera, ansiedade, medo.
  2. Canalize a exteriorização das emoções negativas de forma positiva e construtiva: saia para dar uma volta, arrume uma gaveta ou armário, plante uma árvore, cuide de um vaso de flores ou folhagem, visite um doente, ouça uma música suave.
  3. Não deixe a cólera crescer:
  1. lembre-se de que você é um Espírito eterno e imortal e a cada momento tudo se transforma. Por que se agarrar a coisas, situações e pessoas do momento?;
  2. você sabe que a impaciência representa um fator de ameaça à sua saúde: espiritual e física. Não deixe, então, que essa fagulha emocional se transforme em um incêndio avassalador. Claro que você não vai ficar friamente assistindo a erros, enganos e falsidades ou sendo por eles envolvidos. Mas, tenha em mente que a cólera, a irritação, os gritos, os gestos bruscos, as agressões verbais ou físicas nunca resolverão os problemas;
  3. errar é humano, faz parte do processo evolutivo. Se você também comete erros, por que se enfurecer quando as outras pessoas também o fazem? Pare, pense, acalme-se e procure a solução;
  4. o que impacientou você pode ser corrigido? Se pode, por que, então, irritar-se ou encolerizar-se?;
  5. se você pode corrigir ou retificar o que o contrariou, não sufoque suas emoções. Use-as positivamente. Entusiasme-se na correção do erro em si próprio ou no semelhante;
  6. se você se desentendeu com alguma pessoa: no lar, no ambiente de trabalho ou em qualquer grupo social e suas emoções se desequilibraram, é melhor não falar no momento; se possível sala do local, pois estabelecido o debate ao calor da irritação ou da cólera, não chegará a bom resultado. Primeiro esfrie a cabeça, reequilibre as emoções após, estabeleça dialogo compreensivo e construtivo em busca da solução desejada;
  7. suprima a cólera, tanto quanto possível, no seu início. Uma vez instalada, ela pode ser uma centelha, uma chama ou um incêndio destruidor;
  8. não desejamos que você e mine suas emoções. Isso é impossível. Você acha que se: bom se nunca se irritasse, mas também nunca sorrisse ou se alegrasse? As emoções são básicas em nossas vidas. Por isso, e sua vida, elas precisam ser canalizadas construtivamente.
Esforce-se para conseguir autodomínio equilibrado. Co trole as emoções negativas, m você deve exteriorizar e expandir as emoções positivas.
Construa, com a educação espiritual, um filtro de emoções que permita a passagem de emoções positivas e retenha as negativas.

CONCLUSÕES

  1. Use a paciência como força ativa na construção do se bem-estar físico e espiritual.
  2. Organize uma lista das suas emoções negativas: cólera irritação, medo, angústia e, gradativamente, procure diminuí-las.
  3. Organize um plano especifico para desenvolver as sua boas emoções e sentimentos, incluindo treino para o exercício da paciência em manifestações passivas e ativas.
  4. Cultive o autodomínio Você ampliará o "estado emocional de perseverança tranqüila" para a solução dos seus problemas.
  5. Exercite a meditação e a oração. Elas são fundamentais para a vivência da paciência.
"Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamado de filhos de Deus." Jesus (Mateus, 5:5.)


Fonte: Centro Espírita Celeiro de Luz

Abraços fraternos!

Colaboração: Tullius Aguiar

terça-feira, 27 de março de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 06: A Codificação Espírita


O Professor Rivail:

Na cidade de Lyon, na França, na rua Sala, n.º 76,  nasceu, no dia 03 de outubro de 1804, aquele que se tornaria célebre sob o pseudônimo de Allan Kardec.

Filho de tradicional família francesa de magistrados e professores, teve como pai o Sr. Jean Baptiste Antoine Rivail, que era magistrado, e a Sra. Jeanne Louise Duhamel, sua mãe.

Batizado pelo padre Barthe, a 15 de junho de 1805, na igreja de Saint Denis de la Croix-Rousse, recebeu o nome de Hipollyte Léon Denizard Rivail.

Em Lyon fez os seus primeiros estudos, seguindo depois, aos doze anos, para Yverdon, na  Suíça, a fim de estudar no instituto do célebre professor Pestallozzi. O instituto desse abalizado mestre era um dos mais famosos e respeitados em toda a Europa, reputado como escola modelo, por onde passaram sábios escritores do velho continente. Desde cedo Hipollyte tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestallozzi, um colaborador inteligente e dedicado, chegando mesmo a substituir, muitas vezes, o grande mestre, quando este se afastava por solicitação de outros governos para a criação de outros institutos, ou por outros compromissos.

Dotado de notável inteligência e atraído por sua vocação, desde os 14 anos ele ensinava, aos condiscípulos menos adiantados, tudo o que aprendia. 

Concluídos os seus estudos em Yverdon, regressou a  Paris, onde se tornou conceituado Mestre não só em letras como em Ciências. Doutorou-se em medicina, após completar todos os estudos médicos e defender brilhantemente sua tese. Insigne lingüista, conhecia profundamente e falava corretamente o inglês, o italiano o alemão, o espanhol; tinha conhecimentos também do holandês e com facilidade podia expressar-se nesta língua.

Membro de inúmeras sociedades de sábios, especialmente da Academia Real d´Arras, foi premiado, por concurso, em 1.831, apresentando a sua magnífica memória: "Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?".

Encontrando-se no mundo literário de Paris com a professora Amélie Gabrielle Boudet (que era nove anos mais velha que ele), culta, inteligente, autora de livros didáticos, contrai com ela matrimônio, em 06 de fevereiro de 1832, conquistando uma preciosa colaboradora para a sua futura atuação missionária.

Citamos abaixo suas obras em ordem cronológica:

1828 – Plano apresentado para o aperfeiçoamento da instrução pública;
1829 – Curso Prático e Teórico de Aritmética – para o uso das mães de família e
dos mestres;
1831 – Gramática Francesa Clássica;
1846 – Manual dos Exames para obtenção dos Diplomas de Capacidade,
soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e Geometria;
1848 – Catecismo Gramatical da Língua Francesa;

Nessa época, o Sr. Rivail é professor no Liceu Polimático, lecionando nas cadeiras de Fisiologia, Astronomia, Química e Física. Em uma obra muito bem aceita, faz um resumo dos seus cursos, e publica em seguida: Ditados normais dos Exames na Municipalidade e na Sorbona; Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas. 

Seguindo em sua carreira pedagógica, poderia o Sr. Rivail levar uma existência feliz, honrada, calma com a estabilidade construída pela perseverança no trabalho e pelo brilhante êxito que lhe coroara os esforços; no entanto, sua missão o chamava para uma tarefa mais dispendiosa, a uma obra mais excelsa e, como muitas vezes teremos ensejo de evidenciar, ele mostrou-se sempre à altura da gloriosa missão que lhe estava destinada. 

 Allan Kardec – Um Homem destinado a uma Missão – e o Método Adotado. 

No ano de 1854 o professor Rivail ouviu falar pela primeira vez nas mesas girantes.

A princípio tal fenômeno não lhe chamou tanto a atenção, pois como ele era um profundo conhecedor de Química, de Física e também do Magnetismo (ele dedicou 35 anos de sua vida ao estudo do magnetismo), essas ocorrências poderiam ser explicadas.

Porém, quando lhe falaram que uma mesa podia responder perguntas, aí as coisas mudaram de figura , e ele respondeu textualmente: "Eu acreditarei quando ver e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir e que se pode torná-la sonâmbula. Até lá permitam-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono".

Mais tarde, Kardec comenta o fato: "Encontrava-me no ciclo de um fato ignoto, contrário, aparentemente, às leis da Natureza e que minha razão não aceitava. Não tinha ainda visto nem observado nada; experiências procedidas em presença de pessoas honradas e dignas de fé firmavam-me na possibilidade de efeito meramente material; porém a idéia de uma mesa falante não cabia ainda no meu cérebro". 

No ano seguinte – no começo de 1855, o professor Rivail encontra o Sr. Carlotti, amigo de há vinte e cinco anos, que lhe fala sobre esses fenômenos por mais de uma hora, como entusiasmo que ele emprestava a todas as idéias novas. O Sr. Carlotti, natural da Córsega, era de natureza ardente e enérgica; O professor Rivail  sempre distinguira nele as qualidades formadoras de grande e bela alma, mas não confiava na sua exaltação. 

Menciona mais tarde, também Kardec, que o Sr. Carlotti foi o primeiro a lhe falar da intervenção dos Espíritos e este lhe narrou tantas coisas extraordinárias que, em vez de o convencerem, fizera crescer mais as suas dúvidas.

Depois de algum tempo, pelo mês de maio de 1855, quando o professor Rivail esteve na casa da sonâmbula – Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador, também encontravam-se  presentes o Sr. Pâtier e a Sra. Plannemaison, que lhe falaram desses fenômenos no mesmo sentido que usara o Sr. Carlotti, porém com outro tom. O Sr. Pâtier era funcionário público, idade avançada, belíssima instrução, de caráter grave, frio e ponderado; sua linguagem calma, destituída de qualquer entusiasmo; causou-lhe a narrativa profunda impressão. 

Convidado para assistir as experiências que se faziam na casa da Sra. Plannemaison, à rua Grande-Bateliére, 18, aceitou solicitamente. A entrevista ficou marcada para uma terça-feira de maio, às 20.00 horas. 

Nessa reunião, o professor Rivail assistiu pela primeira vez o fenômeno das mesas girantes, que pulavam o e corriam, e isso em tais condições que não era possível nenhuma dúvida.

Mais tarde, comenta ainda Kardec: "Assisti aí, também, alguns ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica em uma ardósia, contando-se com o auxílio de uma cesta. Minhas idéias longe estavam de terem sofrido modificação, mas no  que sucedia devia haver uma causa.

Percebi, debaixo dessas aparentes futilidades e a espécie de brincadeira que se fazia com esses fenômenos, algo de sério e como que a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi investigar mais a fundo."

Em um dos serões da casa da Sra. Plannemaison, travou o professor Rivail, conhecimento com a família Baudin, que o convidou a assistir às sessões semanais feitas em sua residência, o que foi aceito com interesse, e o fizeram comentar mais tarde: "Aí foi que iniciei os meus estudos sérios em Espiritismo. Sujeitei a essa nova ciência, como o fazia a tudo, ao método da experimentação; jamais formulei teorias preconcebidas; observava acuradamente, comparava, tirava conseqüências; procurava pelos efeitos atingir as causas através da dedução pelo encadeamento lógico dos fatos, não aceitando como válida uma explicação, a não ser quando ela possa resolver as dificuldades da questão... Percebi nesses fenômenos a chave do problema tão obscuro e tão discutido do passado e do futuro, a solução que em toda a minha vida andara procurando; em uma palavra, era uma total reviravolta nas ideias e nas crenças...

Das primeiras conclusões de minhas observações foi constatar que os Espíritos, sendo apenas a alma dos homens, não possuíam nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência; seu saber era adstrito ao grau de sua evolução; e que a opinião que emitissem tinha apenas o valor de uma opinião pessoal...

Cumpre observar-se porém, que de início, o Sr. Rivail, em vez de ser um entusiasta dessas manifestações e ocupado por outras preocupações, quase as abandonou, coisa que teria feito se não fossem os insistente pedidos dos Srs. Carlotti, René Taillandier, Tiedeman-Manthése, Sardou, pai e filho e Didier, editor que durante cinco anos vinham acompanhando o estudo de tais fenômenos, e haviam compilado 50 cadernos de diferentes comunicações, que não conseguiam ordenar. Conhecedores das vastas e raras aptidões de síntese do Sr. Rivail, esses senhores mandaram-lhe os cadernos, solicitando-lhe  que deles tomasse conhecimento e os coordenasse – ordenasse-os. Tal trabalho, no entanto, era árduo e tomava muito tempo, devido às falhas e obscuridades dessas comunicações. O professor Rivail, não podia aceitar essa tarefa cansativa e absorvente, em virtude de outros trabalhos.

Uma noite, através de um médium, seu Espírito protetor, deu-lhe uma comunicação toda pessoal, em que lhe dizia, de permeio a outras coisas, tê-lo conhecido em uma existência anterior, quando, ao tempo dos Drúidas, ambos viviam nas Gálias. Ele usava, então, o nome de Allan Kardec, e, como continuamente aumentava a amizade que lhe guardara, esse Espírito prometia-lhe auxiliá-lo na tarefa importantíssima a que ele era solicitado, e que com muita facilidade empreenderia.

O professor Rivail entregou-se à obra: tomou os cadernos, anotou-os cuidadosamente. Depois de acurada leitura, eliminou as repetições e ordenou em sua respectiva posição cada ditado, cada relatório de sessão; apontou as falhas a preencher, as obscuridades a aclarar, e organizou o questionário necessário para atingir esse resultado.

A partir daí, as reuniões assumiram feição muito diversa: ele comparecia ás sessões com uma série de perguntas preparadas e, metodicamente dispostas, e elas eram respondidas com precisão, profundeza e de maneira lógica.

Relata posteriormente Kardec: "De início, eu não visava senão a minha própria instrução; depois, percebendo que tudo aquilo formava um conjunto e assumia os contornos de uma doutrina, tive idéia de o publicar, para instrução de todos. Essas mesmas questões foram as que, paulatinamente desenvolvidas e completadas, constituíram a base de O Livro dos Espíritos.

Cumpre também observar-se, que Kardec se utilizou do concurso de inúmeros médiuns, pois foram mais de mil grupos espíritas, no mundo todo que forneceram ao Codificador o material que ele sistemática e minuciosamente catalogou. A participação de todos esses grupos oriundos de várias partes da terra caracteriza o princípio da Universalidade dos Ensinos dos Espíritos. 

No instante de o dar a publicação, o autor ficou bastante embaraçado em resolver como o deveria assinar, se com o seu nome - Hipollyte Léon Denizad Rivail, ou com o pseudônimo. Por ser muito conhecido o seu nome no mundo científico, devido aos seus trabalhos anteriores, e podendo dar origem a uma confusão, talvez até prejudicar o êxito do empreendimento, ele adotou a sugestão de o assinar com o nome de Allan Kardec. 


O Caráter da Revelação Espírita:

"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: O Espírito Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito (João Cap. XIV, vv. 15 à 17 e 26).

O Espiritismo vem na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside o seu advento o  Espírito de Verdade que vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias, levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa a todas as dores.

À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à idéia. Define os laços que une a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. 

A Lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação. A do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a Terceira Revelação Divina, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto dado não por um homem, mas sim pelos Espíritos, que são as vozes do alto para todos os pontos da Terra. 

O caráter essencial de toda a revelação Divina é o da Eterna Verdade.

O que caracteriza a Revelação Espírita é ser Divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo, no entanto, a sua elaboração, fruto do trabalho do homem.

Assim, diferentemente das outras duas revelações, não se constitui em ensino de cunho pessoal, nem se restringiu a um local ou a um povo, mas sim surgiu simultaneamente em milhares de pontos deferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação. 


AS OBRAS BÁSICAS:


O Livro dos Espíritos – 1857:

Primeira obra da Codificação Kardequiana. Primeira edição em Paris, em 18 de abril de 1857.

A Introdução é composta por 27 parágrafos, onde Allan Kardec explica a obra, esclarece alguns termos novos, comenta as dificuldades das primeiras comunicações, no que se refere à psicografia, comenta e justifica as objeções lançadas sobre a obra; mas é o capítulo VI, que mais nos chama a atenção, pois em 36 parágrafos, é  traçado um Resumo da Doutrina dos Espíritos. 

Na seqüência temos os Prolegômenos, que seria a exposição preliminar dos princípios gerais de uma ciência ou doutrina.

Os Espíritos desenharam uma Cepa e mandaram que se colocasse no cabeçalho do livro e ela representa o emblema do trabalho do Criador.

  • o corpo é a cepa;
  • a alma, ou seja o Espírito encarnado, ou o Espírito ligado à matéria, seria a fruta, a uva;
  • o Espírito seria o licor.

O homem aperfeiçoa o Espírito pelo trabalho e somente mediante o trabalho do corpo o Espírito  adquire conhecimentos. 

Adentrando-se, propriamente no corpo da obra, encontramo-la dividida em quatro partes:

Primeira Parte – Das Causas Primárias – subdividida em quatro capítulos: Deus; Dos  Elementos gerais do Universo; Da Criação; Do Princípio vital.

Segunda Parte – Do Mundo Espírita ou Do Mundo dos Espíritos – subdividida em onze capítulos: Dos Espíritos; Da Encarnação dos Espíritos; Da volta do Espírito à Vida Espiritual; Da Pluralidade das Existências; Considerações sobre a  Pluralidade das Existências; Da Vida Espírita; Da Volta do Espírito à Vida Corporal; Da Emancipação da Alma; Da Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal; Das Ocupações e Missões dos Espíritos e Dos Três Reinos.

Terceira Parte – Das Leis Morais – subdividida em 12 capítulos: Da Lei Divina ou Natural; Da Lei de Adoração; Da Lei do Trabalho; Da Lei de Reprodução; Da Lei de Conservação; Da Lei de Destruição; DA Lei de Sociedade; Da Lei do Progresso; Da Lei de Igualdade; Da Lei de Liberdade; Da Lei de Justiça de Amor e Caridade e Da Perfeição Moral.

Quarta Parte – Das Esperanças e Cosolações – subdividida em dois capítulos: Das Penas e Gozos terrenos; Das Penas e Gozos Futuros.


O Livro dos Médiuns – 1861:

Primeira edição em Paris, em janeiro de 1861. 

O Livro dos Médiuns no seu fronstispício, apresenta o subtítulo: "Guia dos Médiuns e dos Evocadores" e resume o seu conteúdo assim: Ensino especial dos Espíritos sobre a Teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento de O Livro dos Espiritos.

Esses temas acham-se expostos através das seguintes partes: Parte Primeira – Noções Preliminares; Parte Segunda – Das Manifestações Espíritas. 


O Evangelho Segundo o Espiritismo– 1864:

Primeira edição em paris, em abril de 1.864.

Traz em sua folha de rosto, a síntese de seu conteúdo que é: "A explicação das máximas do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida".

O seu estudo se desdobra em uma Introdução e vinte e seis capítulos.


O Céu e o Inferno – 1865:

Primeira edição, em Paris, em 1868.

Tem como subtítulo "A justiça Divina Segundo o Espiritismo".

Contém, segundo o resumo constante em sua folha de rosto a seguinte menção: "Exame  comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e os demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

Sua matéria desdobra-se da seguinte forma: Parte Primeira – Doutrina, com onze capítulos; Parte Segunda – Exemplos, com oito capítulos.


A Gênese – 1868:

Primeira edição em Paris, em janeiro de 1.868.

Traz no respectivo frontispício o título completo: "A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo". 

Essa obra se divide nas seguintes partes: Introdução; A Gênese, com doze capítulos; Os Milagres, com três capítulos e as Predições, também com três capítulos. 

Abraços fraternos!

Colaboração: Luciana Gomes

AUTORIZAÇÃO AEJE

Queridos irmãos, em mais uma parceria para divulgação da doutrina consoladora do Mestre Jesus, a Associação Espirita José Eusébio, autorizou a veiculação de seu blog em parceria com o GDPSA, é mais um veículo divulgador do Evangelho do Cristo.

Abraços fraternos!

Tullius Aguiar

sexta-feira, 23 de março de 2012

AEJE PROMOVE A 7ª EDIÇÃO DA TARDE DE TORTAS

N0 dia 22 de abril, um domingo, venha participar da primeira tarde de tortas de 2012 e a 7ª promovida pela nossa AEJE. Será uma tarde fraterna com atrações artísticas e musicais, sorteios de brindes, e muita torta gostosa para nossa degustação. Contamos com a presença de todos vocês ! Os ingressos estarão à venda a R$ 15,00, na sede da AEJE e na entrada, no dia do evento. Ficaremos muito felizes se vocês contribuírem também llevando um quilo de qualquer alimento não-perecível para que possa nos ajudar na montagem das cestas básicas que distribuímos com os irmãos inscritos nos grupos de trabalho fraternos-assistências da nossa Casa.




Abraços fraternos!

Tullius Aguiar

quarta-feira, 21 de março de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 05: Antecedentes da Doutrina Espírita

Abordagem: Os Precursores da Doutrina Espírita – Emmanuel Swendenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis; Os Fenômenos de Hydesville; As irmãs Fox e o ano de 1848; As Mesas Girantes.

"É impossível fixar uma data para as primeiras aparições de uma força inteligente exterior, de
maior ou menor elevação, influindo nas relações humanas...
...Entretanto, não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de
interferência preternaturais e o seu tardio reconhecimento pela humanidade. A única diferença
entre esses episódios e o moderno movimento é que aqueles podem ser apresentados como
casos esporádicos de extraviados de uma esfera qualquer, enquanto os últimos têm as
características de uma invasão organizada. Como, porém, uma invasão poderia ser precedida
de pioneiros em busca da terra, também o influxo espírita dos últimos anos poderia ser
anunciado por certo número de incidentes, suscetíveis a verificação, desde a Idade Média e até
para trás".
(História do Espiritismo – Arthur Conan Doyle)
Os fenômenos mediúnicos não são, nem nunca foram, privilégio exclusivo da Doutrina Espírita,
muito pelo contrário, podemos dizer que os mesmos reportam-se à origem do próprio homem.
A própria Bíblia é um repositório onde encontramos vários tipos desses fenômenos.

 Fenômenos Mediúnicos dentro da Bíblia:
Quando manuseamos a Bíblia, livro considerado sagrado pelas religiões cristãs, encontramos
nela expressos, inúmeros fenômenos mediúnicos.
I - A luta de Jacob com um Espírito (um fenômeno típico de materialização), pois esta só
poderia realizar-se na condição do relato bíblico, se o espírito contentor se encontrasse
materializado (Gen. 32:24)."Jacó luta com Deus e transpõe o vau de Jaboque. 24 – "ficando ele
só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia".
II – Em 1 Reis, cap. 19, vv. 5 e 6, quando Elias encontra-se no deserto, ocorre um fenômeno de aparição e transporte: 5 – "Deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te e come. 6 – Olhou ele, e viu, junto à cabeceira um pão cozido sobre
pedras em brasa, e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir".
III – Em Daniel Cap. V , vv. 5, há o fenômeno de Escrita Direta: A Escritura na parede: Ocorreu
quando o rei Belsazar oferecendo um banquete a 1.000 convidados, mandou que trouxessem
os utensílios de ouro e prata, que seu pai, Nabocodonosor, havia tirado do templo de
Jerusalém, para que neles bebessem o rei, os seus "grandes", as suas mulheres e concubinas:
5 – "No mesmo instante apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do
candeeiro, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via os dedos que estavam
escrevendo".
IV – Em Daniel, Cap. VIII, v.v. 18 há um fenômeno de "transe" – 18 – "Falava ele comigo
quando caí sem sentido, rosto em terra: ele porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu
me achava".
V – Em Êxodo, Cap. XIX, v.v. 19 – Deus fala com Moisés no Monte de Sinai. 19 – "E o clangor
da trombeta ia aumentado cada vez mais: Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão. 20 –
Descendo o Senhor para o cume do monte Sinai, chamou a Moisés para o cimo do monte.
Moisés subiu,".
VI – Em Apocalipse, Cap. I, vv. 10, encontramos o fenômeno de Voz Direta. "Achei-me em
Espírito, no dia do Senhor, e ouvi pôr detrás de mim grande voz, como de trombeta,".
Encontramos, ainda, na Bíblia, Saul consultando o Espírito de Samuel, na gruta de Endor.
Jesus por ocasião do batismo no Rio Jordão, do céu ouve-se uma voz que diz: "Tú és aquele
meu filho especialmente amado; em ti é que tenho posto toda minha minha complacência."
mostrando a mediunidade auditiva.
Saulo, a caminho de Damasco, vê um clarão que lhe cega os olhos, cai do cavalo, é quando
escuta a voz do Senhor.


Os Precursores da Doutrina Espírita:
Na Antigüidade, um rei que viajasse para lugares pouco percorridos do seu reino enviava antes
os precursores, a fim de aplainarem o caminho e encherem as depressões, de modo a que não
encontrasse obstáculos e viajasse com segurança. João Batista que foi um dos maiores precursores de Jesus, trabalhou intensamente, aplainando os caminhos do coração e do entendimento para a vinda do Mestre; a Doutrina Espírita, também contou com inúmeros precursores que trouxeram ao mundo as primeira luzes do que em breve, se tornaria uma Doutrina, que codificada por Kardec, se tornaria a Terceira Revelação Divina à Humanidade. Dentre esses precursores, três merecem especial destaque: Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis.

 Emmanuel Swedenborg –
Emmanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo no ano de 1.688, e desencarnou e Londres em
1.772, com a idade de 84 anos.
Seu pai, Joeper Swedenborg, bispo de Skava, foi reconhecido pôr seus méritos e pôr seu
saber, mas seu filho o ultrapassou de muito.
Dominava praticamente todo o conhecimento do seu tempo. Ele era, antes de mais nada um
grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia, entre muitas outras atribuições,
tais como, engenheiro militar, físico, astrônomo, autor de trabalhos sobre as marés; também era zoologista e anatomista, financista e político e, finalmente, um profundo estudioso da Bíblia.
Sua prudência, sua sabedoria, sua modéstia e sua simplicidade valeram-lhe a alta reputação de que ele goza ainda hoje.
Os reis apelaram para os seus conselhos. Em 1.706, Charles XII o nomeou assessor no colégio metalúrgico de Estocolmo, a rainha Ulrique tornou-o nobre, e ele ocupou os lugares mais honoríficos com distinção, até 1.743, época em que ele teve a sua primeira revelação espírita.
Ele estava então com a idade de 55 anos, quando apresentou seu pedido de demissão, sua
vontade era ocupar-se mais com o seu apostolado.
Nesse ano, ele estava em Londres, quando teve a sua primeira visão: um espírito apareceu-lhe
sob uma forma humana enquanto ele comia, e lhe disse: Não coma muito; apenas o trivial,
você há de concordar que tem que levar em consideração mais a qualidade que o alimento
apresenta.
Um dos pontos fundamentais da doutrina de Swedenborg repousa sobre o que ele chamou de
"as correspondências". Segundo ele, o mundo espiritual e o mundo natural estão associados
entre si como o interior e o exterior, de tal modo, que as coisas espirituais e as coisas naturais
formam um todo, pôr influxo, e que há entre elas uma certa correspondência.
Além de extensa cultura e de amplíssima faculdade mediúnica, Swedenborg possuía também o
dom de ver a distância (dupla vista), como identificável no ocorrido quando, na ocasião em que
estava jantando com Gothenburgo, na companhia de 16 pessoas, pode ele vislumbrar e
descrever com exatidão – o que foi verificado posteriormente, – um incêndio que se passava na
cidade de Estocolmo, distante do local 480 Km, aproximadamente.
Swedenborg ficou conhecido como "o vidente sueco".
Swedenborg um desses grandes personagens cuja lembrança estará ligada a História do
Espiritismo, do qual foi um dos primeiros e mais zelosos promotores.

 Edward Irving
A história de Edward Irving e sua experiência, entre 1830 e 1833, com as manifestações
espíritas, são de grande interesse.
Nascido em Annam, em 1792, pertencente a uma classe pobre de trabalhadores braçais
escoceses, teve uma infância e juventude dura e aplicada aos estudos.
Casou-se com a filha de um ministro religioso e foi nomeado assistente do mais famoso clérico
da Escócia.
Foi então que após receber um convite de uma pequena igreja escocesa em Halton Garden,
distrito de Londres (que estava sem pastor) que sua eloquência sonora e suas luminosas
explicações do Evangelho começaram a atrair a atenção. Em 1830, ao oeste da Escócia, foram
registrados fenômenos de comunicação entre os sensitivos Campbell e MacDonald. O pastor
escocês mandou um emissário para investigar o caso, verificou-se a exatidão do mesmo. Logo
depois, os Espíritos irromperam na própria igreja de Irwing.
Devido ao seu próprio modo de pensar Irwing enfrentou muitas lutas com autoridades de sua
igreja. Diante dos fatos que ocorriam, Irwing passou a sofrer a censura do presbítero. Isso lhe
afetou a saúde de tal maneira que, como disse Conan Doyle: -"Aquele gigante de meia idade
murchou e encolheu."

 Andrew Jackson Davis
Nasceu nos Estados Unidos, no dia 11 de agosto de 1.826, e desencarnou no dia 13 de janeiro
de 1.910, em sua residência de Watertown, em Massachusetts, com 84 anos.
Foi chamado o "Pai do Moderno Espiritualismo" e de o "Allan Kardec norte-americano".
Sua mediunidade começou no início de sua adolescência, quando ouvia vozes gentis e
agradáveis e desenvolveu uma límpida clarividência.
Era-lhe possível também fazer diagnósticos psíquicos de várias enfermidades.
Cada órgão aparecia claramente e com uma radiação especial e peculiar, que se obscurecia
em casos de doenças.
No dia 06 de março de 1.844, ocorreu com ele um fenômeno de transporte: da localidade de
Poughkeepsie, onde residia, foi levado até as montanhas de Catskill, cerca de 55 Km distante.
Os Espíritos de Galeno e de Swedenborg apareceram-lhe e revelaram que seriam seus
mentores. Foi o primeiro contato que Andrew Jackson Davies teve com os Espíritos.
Posteriormente, novos fenômenos surgiram pôr sua mediunidade, como pôr exemplo a
xenoglossia (Do grego: xeno = estrangeiro; e glossa = língua. É o uso de uma língua (escrita ou falada) que se não aprendeu e que se não conhece em condições normais. O médium
influenciado pôr um Espírito, fala uma língua estrangeira que lhe é pôr inteiro desconhecida) e a mediunidade erudita, podendo dissertar sobre arqueologia, história, ciências naturais e
literatura.
Mediunizado escreveu vários livros: "Os Princípios da Natureza" e depois "Filosofia Harmônica", este ditado pelo Espírito de Swedenborg.
Aos 21 anos de idade sua mediunidade já havia alcançado um nível muito bom de
desenvolvimento. Nessa época consegui descrever vários fenômenos desencarnatórios,
descrevendo a saída da alma do corpo, ou seja o desligamento do Espírito na hora da morte.
Fez diversas profecias, inclusive sobre a invenção do automóvel, do avião e da máquina de
escrever. Descreveu esses inventos, muito antes que surgissem no mundo, em sua obra,
"Penetrália".
Em 1.847, previu a manifestação ostensiva dos Espíritos, o que, praticamente, aconteceu no
ano seguinte, em Hydesville, com as irmãs Fox. Pôr isso ficou conhecido como "O Profeta na
Nova Revelação".
Numa de suas notas, escrita precisamente em 31 de março de 1.848, escreveu ele: "Esta
madrugada um sopro fresco passou pelo meu rosto, e ouvi uma voz, suave e firme, dizer-me: -
Irmão, foi dado início a um bom trabalho; contempla a demonstração viva que surge". E ele
menciona que pôs-se a cismar qual o significado de tal mensagem. (Exatamente nessa data,
ocorriam os fenômenos em Hydesville com as irmã Fox).
No final de sua vida, escreveu a obra "Revelações Divinas na Natureza".
Ao descrever a vida no Mundo Espiritual, afirmou que lá não havia muita diferença das
atividades daqui, a vida continuava: lá o trabalho científico, o artístico, o literário e o
humanitário, continuam sempre. Descreveu um lugar chamado Summerland, destinado às
crianças desencarnadas, cujos Espíritos precisavam ainda entender o que se passava com
eles. Tudo ali era de acordo com a idade mental das crianças.
Por causa dessa visão, ele fundou o Primeiro Liceu Espírita, em 25 de janeiro de 1.863, em
Dodsworth Hall, Broadway, New York.
Andrew Jackson Davis é considerado também o precursor das mocidades espíritas.

Os Fenômenos de Hydesville. As Irmãs Fox e o ano de 1.848
Os fenômenos de Hydesville, ocorridos na casa da família Fox, abriram caminho para o
advento do Espiritismo.
Em 11 de Dezembro de 1847, John Fox, pertencente à igreja Metodista, mudou-se para uma
pequena casa de madeira no lugarejo de Hydesville, situada cerca de vinte milhas de
Rochester, cidade do condado de Wayne, estado de Nova York.
John era fazendeiro e com sua família, que se compunha, além da esposa Margareth Fox, de
mais três filhas: Katherine, ou Katie ou Kate de onze anos; Margareth, de quatorze, e, Leah,
que residia em Rochester, onde lecionava música.
No ano seguinte, isto é, em 1848, mais exatamente na noite de 28 de março, as meninas
começaram a ouvir estranhos ruídos e arranhões nas paredes, que se foram intensificando,
cada vez mais ao ponto da família Fox não ter mais sossego dentro de casa. Esses "raps" ,
como foram denominados mais tarde, começaram a ser notados, com mais freqüência. Com o
decorrer dos dias, os fenômenos começaram a se tornar mais complexos: os objetos se
deslocavam, tudo se mexia e estremecia, haviam explosões de sons fortes. As meninas diante
de tanto barulho, ficaram tão alarmadas que não queriam mais dormir sozinhas.
Nas três noites seguidas, até 31 de março de 1.848, os fenômenos se repetiram intensamente,
impedindo que os Fox conciliassem o sono. John Fox deu buscas completas pelo interior e pelo
exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências.
Finalmente, na noite de 31 de Março de 1848, houve uma saraivada de sons muito altos e
continuados. Kate Fox, na sua inocência de criança, desafiou a força invisível para que
repetisse os estalos de seus dedos, no que foi imitada. Kate, batendo com os dedos sobre um
móvel, exclamava, em direção ao ponto onde os ruídos eram mais constantes: "Vamos Old
Splitfood, faça o que eu faço". Prontamente as pancadas do "desconhecido" se fizeram ouvir,
em igual número, e paravam quando a menina também parava.
Margareth brincando disse: " Agora faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro, e ao
mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos. Foi-lhe plenamente satisfeito esse
pedido, deixando a todos estupefatos e com muito medo".
As meninas supunham tratar-se do demônio, porisso que o chamavam de "Mr. Splitfood", ou Sr. pé fendido , que corresponde a "pé de bode".
Depois sua mãe, que acompanhava o episódio, teve a idéia de fazer algumas perguntas; pediu
que fosse indicado, por meios de pancadas, a idade de suas filhas. As resposta, corretas, não
tardaram. E depois de um diálogo entre sons e golpes, estava assim estabelecida a telegrafia
espiritual, naquela memorável noite de 31 de Março de 1848.
Naquela mesma noite, desejando que o fenômeno fosse testemunhado por outras pessoas, a
família Fox chamou alguns vizinhos, que também fizeram perguntas e receberam respostas,
por meio das batidas.
Esses acontecimentos se tornaram conhecidos de toda a localidade.
Um Sr. Chamado Mr. Deusler, idealizou um alfabeto, para poderem traduzir as pancadas e
compreenderem o que dizia o batedor invisível, sendo que então ele contou a sua história:
Chamava-se Charles B. Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa,
cinco anos antes, pelo casal Bell, foi ali assassinado; A finalidade do crime, foi para roubar as
mercadorias e o dinheiro que trazia, e que o seu corpo fora sepultado no porão.
Em busca no local indicado, lá encontraram tábuas, alcatrão, cal, cabelos, utensílios, mas não o esqueleto.
Uma criada dos Bells, chamada Lucrécia Pulver, declara que viu o vendedor e o descreve; diz
que ele chegara à casa e comenta do seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à
adega, seu pé enterrou-se num buraco e, como dissesse isso ao patrão, ele explicou que
deviam ser ratos e foi, apressadamente, fazer os necessários reparos. Ela vira nas mãos dos
patrões objetos da caixa do ambulante.
Arthur Conan Doyle, no seu Livro "História do Espiritismo", relata que 56 anos depois foi
descoberto que alguém fora enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças
que pôr ali brincavam, descobriram um esqueleto. Os Bells, para maior segurança, haviam
emparedado o corpo, na adega, aonde inicialmente o haviam enterrado.
Em 23 de novembro de 1.904, o "Boston Journal" noticiava que o esqueleto do homem que
possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, em 1.848, fora
encontrado e as mesmas estavam, portanto, eximidas de qualquer dúvida com respeito à
sinceridade delas na descoberta da comunicação dos Espíritos.
Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos com a finalidade de estudar os
estranhos fenômenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam
na presença das meninas; atribuiu-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão,
todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os fatos eram absolutamente
verídicos embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames,
atingindo, as vezes, as raias da brutalidade.
As irmãs Fox foram pressionadas. A Igreja as excomungou como pactuantes com o demônio.
Foram acusadas de embusteiras, e ameaçadas fisicamente diversas vezes.
Em 1.888, ao comemorar os 40 anos dos fenômenos de Hydesville, Margareth Fox, iludida pôr
promessas de favores pecuniários pelo Cardeal Maning, faz publicar uma reportagem no "New
York Herald" em que afirma que os fenômenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no
anos seguinte, arrependida, reúne grande público no salão de música de New York e retrata-se
de suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenômenos de Hydesville eram reais,
como provocando ainda uma série de fenômenos de efeitos físicos no salão repleto.
A retratação foi publicada na época. Consta da Light e do jornal americano, New York Press, de 20 de maio de 1.889.

As Mesas Girantes
Uma série progressiva de fenômenos deram origem à Doutrina Espírita.
O primeiro fato observado foi a movimentação de objetos diversos, dentre eles, de forma
especial, a movimentação das mesas. Esse fenômeno foi designado vulgarmente pelo nome de
"Mesas Girantes ou Dança das Mesas".
Tal fenômeno parece ter sido notado primeiramente na América do Norte de forma intensa,
propagando-se, na seqüência, pelos países da Europa, como a França, a Inglaterra, a Holanda, a Alemanha, chegando até na Turquia, nos meados do século XIX.
Todavia, a História registra que ele remonta à mais alta antigüidade, tendo-se produzido de
formas estranhas, como ruídos insólitos, pancadas sem nenhuma causa ostensiva.
A princípio quase que só encontrou incrédulos, porém, ao cabo de pouco tempo, a
multiplicidade das experiências não mais permitiu lhe pusessem em dúvida a realidade.
Assim como o fenômeno das "pancadas ou batidas" foi chamado de "raps" ou "echoes", o das mesas girantes ou moventes, ficou conhecido como "table moving", para os ingleses, "table volante" ou "table tournante" para os franceses.
No início, nos Estados Unidos, os Espíritos se comunicavam através de um processo
trabalhoso e de grande morosidade. Alguém dizia em voz alta o alfabeto, e o Espírito era
convidado a indicar pôr batidas, "raps" ou "echoes", no momento em que fossem pronunciadas
as letras que, reunidas, deviam compor as palavras.
Os próprios Espíritos indicaram, em fins de 1.850, nova maneira de comunicação: bastava
simplesmente que se colocassem ao redor de uma mesa, em cima da qual se poriam as mãos.
Levantando um dos pés, a mesa daria (enquanto se recitava o alfabeto) uma pancada toda vez
que fosse proferida a letra que servisse ao Espírito para formar as palavras. Esse processo,
ainda que muito lento, produziu excelentes resultados e assim se chegou às mesas girantes ou
falantes.
Há que notar, que a mesa não se limitava a levantar-se sobre um pé para responder às
perguntas que se faziam; movia-se em todos os sentidos, girava sob os dedos dos
experimentadores, às vezes, se elevava no ar, sem que se descobrissem as forças que a
tinham suspendido.
Em 1853, a Europa inteira tinha as atenções gerais convergidas para o fenômeno das
chamadas mesas girantes e dançantes, e eram consideradas o maior acontecimento do século,
a imprensa informava e tecia largos comentários acerca das estranhas manifestações. No meio
da aparente futilidade, os Espíritos iam ensinando o que podiam em condições inadequadas.
O fenômeno, durante muito tempo, entreteve a curiosidade dos salões. Depois, aborreceram-se
dele, pois a gente frívola que apenas imita a moda, o considerou como simples distração.
Mas o objetivo central estava sendo cumprido: atrair a atenção do homem inteligente para a
Espiritualidade.
As mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina Espírita e merecem
pôr isso, explicações e estudos para que, em se conhecendo as causas, facilitadas será a
chave para a decifração dos efeitos mais complexos.
Seria então, que um professor de nome Rivail, possuidor daquela lógica austera e daquele
senso que abriga o espírito de entusiasmos desarrazoados e de negações a priori, que, diante
deste novo fato, se sentiria desafiado a estudar e a pesquisar mais profundamente tais
fenômenos, dando surgimento posteriormente à Doutrina Espírita.
As observações e as pesquisas espíritas realizadas pôr Allan Kardec e outros sábios,
demonstraram que a causa inteligente era determinada pelos Espíritos que podiam agir sobre a
matéria, utilizando-se do fluido fornecido pelos médiuns, isto é – meios ou intermediários entre
os Espíritos e os homens, gerando, assim, as manifestações físicas e as manifestações
inteligentes.
Na seqüência, aperfeiçoaram-se os processos. As comunicações dos Espíritos não se
detiveram nas mesas girantes. Evoluíram para as cestas e pranchetas, nas quais se adaptavam lápis e as comunicações passaram a ser escritas - era a psicografia indireta. Posteriormente, eliminaram-se os instrumentos e apêndices; o médium tomando diretamente o lápis passou a escrever pôr um impulso involuntário e quase febril – era a psicografia direta.

Bibliografia:
Apostila I do ESDE da FEP, Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita;
Apostila I do PBDE do Centro Espírita Luz Eterna.
"Reformador" – Março de 1998, ano 116 n.º 2.028, págs. 20-23; 34,35;
Zeus Wantuil, As Mesas Girantes o Espiritismo;
Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr. Págs. 203/204, 339 à 343. Edições Celd
Rio de Janeiro 1.997
Personagens do Espiritismo – Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves de Godoy. Edições
FEESP – Fed. Esp. do Estado de São Paulo. Págs. 33 à 37.
Internet endereço: www.fespiritaparana.com.br e www

Abraços fraternos!

Colaboração: Tullius Aguiar