sexta-feira, 9 de março de 2012

Estudo Teórico-Pratico da Doutrina Espírita - Unidade 03 - Criação Divina

Elementos Gerais do Universo : Espírito e Matéria
Na Parte 1.ª, Cap. II, de "O livro dos Espíritos (1.857), que trata dos Elementos
Gerais do Universo, encontramos como resposta à questão 27 que: Deus, Espírito e
matéria constituem o princípio de tudo o que existe, sendo que esta pode ser
considerada a trindade Universal.

Elementos Gerais do Universo : Espírito e Matéria
Na Parte 1.ª, Cap. II, de "O livro dos Espíritos (1.857), que trata dos Elementos
Gerais do Universo, encontramos como resposta à questão 27 que: Deus, Espírito e
matéria constituem o princípio de tudo o que existe, sendo que esta pode ser
considerada a trindade Universal.
Complementando porém esta questão, nos é ensinado que: "Mas, ao elemento
material se tem que juntar o fluido universal (grifo nosso), que desempenha o
papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais
grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora de certo ponto
de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se destingue deste por
propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão
não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito
e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível pelas suas inumeráveis
combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das
coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal ou
primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio
sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as
qualidades que a gravidade lhe dá."

Espírito: Na parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do Universo, de "O Livro dos
Espíritos" (1.857), questão 23, é perguntado: "Que é o Espírito?" a que a
Espiritualidade responde: "O princípio inteligente do Universo".
a) Qual a natureza íntima do Espírito? R. "Não é fácil analisar o Espírito com a
vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto,
é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe."
Na Parte 2.ª, Cap. I – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, questão n 76, é
solicitado à Espiritualidade uma definição dos Espíritos, ao que é respondido: "Pode
dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo,
fora do mundo material". A esta resposta, Kardec emite a seguinte nota: "A palavra
Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres
extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo".

Matéria: Analisando novamente a parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do
Universo, denotamos na questão 22, o anseio por uma definição de matéria.
"Define-se geralmente a matéria como sendo – o que tem extensão, o que é capaz
de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas essas
definições?" e a Espiritualidade responde: "Do vosso ponto de vista, elas o são,
porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que
ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos
cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria."
a) Que definição podeis dar de matéria? – " A matéria é o laço que prende o
Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual atua, ao mesmo
tempo, exerce sua ação."
Complementa ainda Kardec " Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o
agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito.
A Ciência considera as seguintes propriedades da matéria:
Massa: - quantidade de matéria de um corpo.
Extensão: é a porção do espaço, ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa
um determinado lugar no espaço.
Impenetrabilidade: Duas porções de matéria não podem, ao mesmo tempo,
ocupar o mesmo lugar no espaço.
Inércia: quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em
repouso, é necessário uma força para colocá-lo em movimento. Se o corpo
estiver em movimento, é necessário uma força para alterá-lo ou fazer o corpo
parar.
Divisibilidade: podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo até certo limite. As
partículas são formadas de partículas menores chamadas átomos.
É interessante definir, também, que a Matéria é tudo o que possui massa e
extensão. Corpo é uma porção limitada da matéria e Substâncias são as diferentes
espécies de matéria.
Os principais elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos, os
quis se subdividem em partículas cada vez menores e que são objeto das mais
recentes pesquisas pela ciência.
De acordo com as obras da Codificação, Deus não permite que ao homem tudo
seja revelado neste mundo. Assim, não lhe é dado conhecer o princípio das coisas.
Somente à medida que ele se depura é que o véu das coisas ocultas se levantam
aos seus olhos, mas, para compreender certas coisas, necessita faculdades que
ainda não possui. Em Obras póstumas, na 1.ª Parte, parágrafo 3.º encontramos: O
princípio das coisas reside nos arcanos de Deus"
Ainda dentro deste Cap. II, é esclarecido que a matéria é formada de um só
elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros
elementos, são transformações da matéria primitiva.

Fluido Cósmico Universal: O Fluido Cósmico Universal, que também pode ser
chamado de "matéria cósmica primitiva", é o elemento primordial gerador dos
mundos e dos seres. Esse fluido preenche todo o universo. Podemos dizer que tudo
se encontra mergulhado nesse fluido.
Todos os corpos são formados desse elemento primitivo, que se modifica para dar
origem aos corpos chamados simples.
Este elemento primitivo é que determina as diversas propriedades que a matéria
apresenta, devido as modificações que as suas moléculas elementares sofrem por
efeito de sua união, em certas circunstâncias.
Esta matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e
adquirir todas as propriedades, podendo dizer que tudo está em tudo.
Dessa forma, o oxigênio, hidrogênio o carbono e todos os corpos que consideramos
simples, são meras modificações de uma substância primitiva.
Segundo o que observamos quotidianamente, a matéria sofre temporárias
transformações das quais resultam diferentes corpos, que incessantemente nascem
e se destróem.
Embora esse Fluido Universal possa ser classificado como elemento material, ele
está colocado entre o Espírito e a matéria, é fluido, é suscetível de inumeráveis
combinações.
Esse Fluido Universal, também chamado de primitivo ou elementar, sendo o agente
de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo
estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

Formação dos Mundos e dos Seres Vivos:
Como produto que são da aglomeração e da transformação da matéria, os mundos
hão de ter tido, como todos os corpos materiais, começo e terão fim, na
conformidade de leis que desconhecemos.
Até certo ponto, pode a ciência formular as leis que lhes presidiram a formação e
remontar ao estado primitivo deles.
O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos,
todos os serem animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço,
assim como os fluidos que os enchem.
A razão nos leva a concluir que o Universo não pode ter se formado por si mesmo,
nem por obra do acaso, mas que há de ser obra de Deus. Deus criou o Universo
pela sua vontade onipotente.
Quanto ao modo de formação dos mundos o que podemos compreender é que eles
se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço.
Deus renova os mundos, como renova os seres vivos; assim, um mundo
completamente formado, poderá desaparecer e a matéria que o compõe
disseminar-se de novo no espaço.
Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra; logo eles tiveram começo.
Cada espécie foi aparecendo à proporção que o globo adquiria as condições
necessárias à existência delas.
A Terra continha os gérmens dos seres vivos que aguardavam momento favorável
para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que
cessou a atuação da força que os mantinham afastados, e formaram os gérmens de
todos os seres vivos. Estes gérmens permaneceram em estado latente de inércia,
como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de
cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram e, então, se multiplicaram.
Os elementos orgânicos antes da formação da Terra, achavam-se em estado de
fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação
da Terra, para começarem existência nova em novo globo.
A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo
terrestre e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem
se formou do limo da Terra.

Aparecimento do Homem na terra: Quanto à época do aparecimento do homem e
dos outros seres vivos na terra, todos os cálculos humanos são quiméricos.
O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode-se dizer que os
homens, uma vez espalhados pela terra, absorveram em si mesmos os elementos
necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis de
reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.
O homem surgiu em diferentes pontos do globo e em várias épocas, o que também
constitui uma das causas da diversidade das raças, além dos fatores de clima, da
vida e dos costumes.

Seres Orgânicos: Os seres que tem em si uma fonte de atividade íntima que lhes
dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São
providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos
esses apropriados à necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa
classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas.

Seres Inorgânicos: Os seres inorgânicos carecem de vitalidade, de movimentos
próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais,
a água, o ar, etc.
A força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e inorgânicos é a
mesma. A matéria que compõe esses corpos também é a mesma, porém, nos
corpos orgânicos está animalizada pela sua união com o princípio vital.
A vida é um efeito, devido à ação de um agente sobre a matéria que é o princípio
vital. Esse princípio sem a matéria não é a vida, Ao mesmo modo que a matéria não
pode viver sem ele. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.
O princípio vital se origina do Fluido Universal. É um só para todos os seres vivos,
mas modificado segundo as espécies. É ele quem lhes dá movimento e atividade e
os distingue da matéria inerte.

Os Reinos da Natureza: Mineral, Vegetal e Animal, OE Hominalı OE Angelicalı
Os seres da natureza estão classificados em três Reinos: Mineral, Vegetal e Animal.
O homem está incluído no último desses reinos, mas, considerando em sua
integralidade, distingue-se o homem pela sua inteligência e racionalidade.
No homem brilha, pois, a luz da razão, que lhe faculta o conhecimento das leis
universais e á qual se junta o senso moral, que o eleva a cima dos outros seres,
pela percepção das Leis Morais e a intuição de Deus. Destaca-se o homem por
atributos do Espírito, vindo a formas um quarto reino – o Hominal.
Entre os três reinos reconhece-se formas de transição de tal modo sutis que entre
elas se torna ambígua a definição absoluta dos três reinos.
Há, porem, em caráter distintivo entre os seres minerais e os outros grupos: é a
ausência de vida dos minerais e a presença dela nos vegetais e animais. Por isso, a
divisão entre orgânicos e inorgânicos.
A presença de vida se traduz nos vegetais e animais pela organização celular da
matéria de seus corpos e do aparecimento das grandes funções de nutrição e
reprodução. Há uma infinidade de seres constituídos de uma única célula. São
seres unicelulares vegetais – os protófitos, e animais – os protozoários.
Em seres mais evoluídos, até os vegetais e animais superiores (metáfitas e
metazoários), as células microscópicas se reúnem em tecidos, os tecidos em
órgãos e estes em sistemas e aparelhos orgânicos.


Os seres do reino mineral: só manifestam uma força mecânica, decorrente da
matéria de que são formados. Apenas existem, inertes e brutos, falta inteligência e
vontade, nem mesmo instinto revelam. Se algum princípio diferente da matéria
existe, está completamente abafado, dorme, um estado de latência e inatividade.

Os seres do reino vegetal: já apresentam o movimento interior da vida, realizando
um completo ciclo vital: nascem, crescem, nutrem-se, desenvolvem-se,
reproduzem-se e morrem.
Além da matéria densa, apresentam um princípio sutil e dinâmico, o princípio vital.
Entretanto esses seres não revelam também consciência alguma da sua existência.
Não sentem prazer ou dor, não tem percepções ou sentimentos; só tem vida
orgânica que lhes é comunicada por sua união com o princípio vital.

Os seres que formam o reino animal: existem e vivem como os vegetais, mas
acrescidos dos movimentos e as sensações. Ainda há a prevalência do instinto
sobre a inteligência. Pelo corpo material o homem se assemelha aos animais, deles
se distinguindo totalmente pela sua natureza espiritual, pela sua alma, que lhe
confere razão e senso moral. O Homem tem ainda a faculdade de pensar em Deus.

A alma dos animais após a morte do corpo físico: Após a morte do corpo físico,
a alma dos animais conserva sua individualidade; quanto a consciência de seu "eu",
não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.
A alma do animal após a destruição do corpo físico, fica numa espécie de
inatividade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito
Errante. O Espírito Errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. Os
animais não dispõem de idêntica faculdade.
A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do
animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa
e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com
outras criaturas.
Não há delimitação nitidamente marcada entre Reino vegetal e Animal. Nos confins
dos dois estão os zoófitos ou animais-plantas, traços que indicam participarem de
um e de outro reino.
O zoófito tem a aparência exterior da planta, mantendo-se preso ao solo e, como
animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua
alimentação. Num degrau acima o animal é livre e procura o alimento.
As espécies seriam produtos das transformações sucessivas dos seres orgânicos
elementares, quando encontraram condições atmosféricas propícias. Adquirem a
seguir, a faculdade de reproduzirem-se.
Acompanhando a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um
aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.
O Princípio Inteligente distinto do princípio material, se individualiza e elabora,
passando pelos diverso graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para vida
e se desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria o período de
incubação. Chagada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela
comporta as faculdades iniciais que constituem a alma humana.
Haveria assim, filiação espiritual do animal para o homem, assim como há filiação
corporal.
O Espírito não chega a receber a iluminação Divina, que lhe dá, simultaneamente,
como livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver
passado pela série de seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra
de sua individualização.

Reino Angelical: Dentro da escala evolutiva, poderíamos considerar os Espíritos
de Primeira Ordem – Espíritos Puros.
Características gerais: nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e
moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.
Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se
despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma da
perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem
expiações. Não estando mais sujeitos á reencarnação em corpos perecíveis,
realizam a vida eterna no seio de Deus.
Essa felicidade, porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua
contemplação. Eles são os mensageiros e os Ministros de Deus, cujas ordens
executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os
Espíritos que lhe são inferiores, auxiliam na obra de seu aperfeiçoamento e lhes
designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao
bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema
felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos
nomes de anjos, arcanjos ou serafins.
Complementando porém esta questão, nos é ensinado que: "Mas, ao elemento
material se tem que juntar o fluido universal (grifo nosso), que desempenha o
papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais
grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora de certo ponto
de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se destingue deste por
propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão
não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito
e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível pelas suas inumeráveis
combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das
coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal ou
primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio
sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as
qualidades que a gravidade lhe dá."

Espírito: Na parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do Universo, de "O Livro dos
Espíritos" (1.857), questão 23, é perguntado: "Que é o Espírito?" a que a
Espiritualidade responde: "O princípio inteligente do Universo".
a) Qual a natureza íntima do Espírito? R. "Não é fácil analisar o Espírito com a
vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto,
é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe."
Na Parte 2.ª, Cap. I – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, questão n 76, é
solicitado à Espiritualidade uma definição dos Espíritos, ao que é respondido: "Pode
dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo,
fora do mundo material". A esta resposta, Kardec emite a seguinte nota: "A palavra
Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres
extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo".

Matéria: Analisando novamente a parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do
Universo, denotamos na questão 22, o anseio por uma definição de matéria.
"Define-se geralmente a matéria como sendo – o que tem extensão, o que é capaz
de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas essas
definições?" e a Espiritualidade responde: "Do vosso ponto de vista, elas o são,
porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que
ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos
cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria."
a) Que definição podeis dar de matéria? – " A matéria é o laço que prende o
Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual atua, ao mesmo
tempo, exerce sua ação."
Complementa ainda Kardec " Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o
agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito.
A Ciência considera as seguintes propriedades da matéria:
Massa: - quantidade de matéria de um corpo.
Extensão: é a porção do espaço, ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa
um determinado lugar no espaço.
Impenetrabilidade: Duas porções de matéria não podem, ao mesmo tempo,
ocupar o mesmo lugar no espaço.
Inércia: quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em
repouso, é necessário uma força para colocá-lo em movimento. Se o corpo
estiver em movimento, é necessário uma força para alterá-lo ou fazer o corpo
parar.
Divisibilidade: podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo até certo limite. As
partículas são formadas de partículas menores chamadas átomos.
É interessante definir, também, que a Matéria é tudo o que possui massa e
extensão. Corpo é uma porção limitada da matéria e Substâncias são as diferentes
espécies de matéria.
Os principais elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos, os
quis se subdividem em partículas cada vez menores e que são objeto das mais
recentes pesquisas pela ciência.
De acordo com as obras da Codificação, Deus não permite que ao homem tudo
seja revelado neste mundo. Assim, não lhe é dado conhecer o princípio das coisas.
Somente à medida que ele se depura é que o véu das coisas ocultas se levantam
aos seus olhos, mas, para compreender certas coisas, necessita faculdades que
ainda não possui. Em Obras póstumas, na 1.ª Parte, parágrafo 3.º encontramos: O
princípio das coisas reside nos arcanos de Deus"
Ainda dentro deste Cap. II, é esclarecido que a matéria é formada de um só
elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros
elementos, são transformações da matéria primitiva.

Fluido Cósmico Universal: O Fluido Cósmico Universal, que também pode ser
chamado de "matéria cósmica primitiva", é o elemento primordial gerador dos
mundos e dos seres. Esse fluido preenche todo o universo. Podemos dizer que tudo
se encontra mergulhado nesse fluido.
Todos os corpos são formados desse elemento primitivo, que se modifica para dar
origem aos corpos chamados simples.
Este elemento primitivo é que determina as diversas propriedades que a matéria
apresenta, devido as modificações que as suas moléculas elementares sofrem por
efeito de sua união, em certas circunstâncias.
Esta matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e
adquirir todas as propriedades, podendo dizer que tudo está em tudo.
Dessa forma, o oxigênio, hidrogênio o carbono e todos os corpos que consideramos
simples, são meras modificações de uma substância primitiva.
Segundo o que observamos quotidianamente, a matéria sofre temporárias
transformações das quais resultam diferentes corpos, que incessantemente nascem
e se destróem.
Embora esse Fluido Universal possa ser classificado como elemento material, ele
está colocado entre o Espírito e a matéria, é fluido, é suscetível de inumeráveis
combinações.
Esse Fluido Universal, também chamado de primitivo ou elementar, sendo o agente
de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo
estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

Formação dos Mundos e dos Seres Vivos:
Como produto que são da aglomeração e da transformação da matéria, os mundos
hão de ter tido, como todos os corpos materiais, começo e terão fim, na
conformidade de leis que desconhecemos.
Até certo ponto, pode a ciência formular as leis que lhes presidiram a formação e
remontar ao estado primitivo deles.
O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos,
todos os serem animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço,
assim como os fluidos que os enchem.
A razão nos leva a concluir que o Universo não pode ter se formado por si mesmo,
nem por obra do acaso, mas que há de ser obra de Deus. Deus criou o Universo
pela sua vontade onipotente.
Quanto ao modo de formação dos mundos o que podemos compreender é que eles
se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço.
Deus renova os mundos, como renova os seres vivos; assim, um mundo
completamente formado, poderá desaparecer e a matéria que o compõe
disseminar-se de novo no espaço.
Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra; logo eles tiveram começo.
Cada espécie foi aparecendo à proporção que o globo adquiria as condições
necessárias à existência delas.
A Terra continha os gérmens dos seres vivos que aguardavam momento favorável
para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que
cessou a atuação da força que os mantinham afastados, e formaram os gérmens de
todos os seres vivos. Estes gérmens permaneceram em estado latente de inércia,
como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de
cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram e, então, se multiplicaram.
Os elementos orgânicos antes da formação da Terra, achavam-se em estado de
fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação
da Terra, para começarem existência nova em novo globo.
A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo
terrestre e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem
se formou do limo da Terra.

Aparecimento do Homem na terra: Quanto à época do aparecimento do homem e
dos outros seres vivos na terra, todos os cálculos humanos são quiméricos.
O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode-se dizer que os
homens, uma vez espalhados pela terra, absorveram em si mesmos os elementos
necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis de
reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.
O homem surgiu em diferentes pontos do globo e em várias épocas, o que também
constitui uma das causas da diversidade das raças, além dos fatores de clima, da
vida e dos costumes.

Seres Orgânicos: Os seres que tem em si uma fonte de atividade íntima que lhes
dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São
providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos
esses apropriados à necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa
classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas.

Seres Inorgânicos: Os seres inorgânicos carecem de vitalidade, de movimentos
próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais,
a água, o ar, etc.
A força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e inorgânicos é a
mesma. A matéria que compõe esses corpos também é a mesma, porém, nos
corpos orgânicos está animalizada pela sua união com o princípio vital.
A vida é um efeito, devido à ação de um agente sobre a matéria que é o princípio
vital. Esse princípio sem a matéria não é a vida, Ao mesmo modo que a matéria não
pode viver sem ele. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.
O princípio vital se origina do Fluido Universal. É um só para todos os seres vivos,
mas modificado segundo as espécies. É ele quem lhes dá movimento e atividade e
os distingue da matéria inerte.

Os Reinos da Natureza: Mineral, Vegetal e Animal, OE Hominalı OE Angelicalı
Os seres da natureza estão classificados em três Reinos: Mineral, Vegetal e Animal.
O homem está incluído no último desses reinos, mas, considerando em sua
integralidade, distingue-se o homem pela sua inteligência e racionalidade.
No homem brilha, pois, a luz da razão, que lhe faculta o conhecimento das leis
universais e á qual se junta o senso moral, que o eleva a cima dos outros seres,
pela percepção das Leis Morais e a intuição de Deus. Destaca-se o homem por
atributos do Espírito, vindo a formas um quarto reino – o Hominal.
Entre os três reinos reconhece-se formas de transição de tal modo sutis que entre
elas se torna ambígua a definição absoluta dos três reinos.
Há, porem, em caráter distintivo entre os seres minerais e os outros grupos: é a
ausência de vida dos minerais e a presença dela nos vegetais e animais. Por isso, a
divisão entre orgânicos e inorgânicos.
A presença de vida se traduz nos vegetais e animais pela organização celular da
matéria de seus corpos e do aparecimento das grandes funções de nutrição e
reprodução. Há uma infinidade de seres constituídos de uma única célula. São
seres unicelulares vegetais – os protófitos, e animais – os protozoários.
Em seres mais evoluídos, até os vegetais e animais superiores (metáfitas e
metazoários), as células microscópicas se reúnem em tecidos, os tecidos em
órgãos e estes em sistemas e aparelhos orgânicos.


Os seres do reino mineral: só manifestam uma força mecânica, decorrente da
matéria de que são formados. Apenas existem, inertes e brutos, falta inteligência e
vontade, nem mesmo instinto revelam. Se algum princípio diferente da matéria
existe, está completamente abafado, dorme, um estado de latência e inatividade.

Os seres do reino vegetal: já apresentam o movimento interior da vida, realizando
um completo ciclo vital: nascem, crescem, nutrem-se, desenvolvem-se,
reproduzem-se e morrem.
Além da matéria densa, apresentam um princípio sutil e dinâmico, o princípio vital.
Entretanto esses seres não revelam também consciência alguma da sua existência.
Não sentem prazer ou dor, não tem percepções ou sentimentos; só tem vida
orgânica que lhes é comunicada por sua união com o princípio vital.

Os seres que formam o reino animal: existem e vivem como os vegetais, mas
acrescidos dos movimentos e as sensações. Ainda há a prevalência do instinto
sobre a inteligência. Pelo corpo material o homem se assemelha aos animais, deles
se distinguindo totalmente pela sua natureza espiritual, pela sua alma, que lhe
confere razão e senso moral. O Homem tem ainda a faculdade de pensar em Deus.

A alma dos animais após a morte do corpo físico: Após a morte do corpo físico,
a alma dos animais conserva sua individualidade; quanto a consciência de seu "eu",
não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.
A alma do animal após a destruição do corpo físico, fica numa espécie de
inatividade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito
Errante. O Espírito Errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. Os
animais não dispõem de idêntica faculdade.
A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do
animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa
e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com
outras criaturas.
Não há delimitação nitidamente marcada entre Reino vegetal e Animal. Nos confins
dos dois estão os zoófitos ou animais-plantas, traços que indicam participarem de
um e de outro reino.
O zoófito tem a aparência exterior da planta, mantendo-se preso ao solo e, como
animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua
alimentação. Num degrau acima o animal é livre e procura o alimento.
As espécies seriam produtos das transformações sucessivas dos seres orgânicos
elementares, quando encontraram condições atmosféricas propícias. Adquirem a
seguir, a faculdade de reproduzirem-se.
Acompanhando a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um
aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.
O Princípio Inteligente distinto do princípio material, se individualiza e elabora,
passando pelos diverso graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para vida
e se desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria o período de
incubação. Chagada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela
comporta as faculdades iniciais que constituem a alma humana.
Haveria assim, filiação espiritual do animal para o homem, assim como há filiação
corporal.
O Espírito não chega a receber a iluminação Divina, que lhe dá, simultaneamente,
como livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver
passado pela série de seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra
de sua individualização.

Reino Angelical: Dentro da escala evolutiva, poderíamos considerar os Espíritos
de Primeira Ordem – Espíritos Puros.
Características gerais: nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e
moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.
Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se
despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma da
perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem
expiações. Não estando mais sujeitos á reencarnação em corpos perecíveis,
realizam a vida eterna no seio de Deus.
Essa felicidade, porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua
contemplação. Eles são os mensageiros e os Ministros de Deus, cujas ordens
executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os
Espíritos que lhe são inferiores, auxiliam na obra de seu aperfeiçoamento e lhes
designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao
bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema
felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos
nomes de anjos, arcanjos ou serafins.
Abraços fraternos!

Colaboração: Tullius Aguiar

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