quarta-feira, 21 de março de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 05: Antecedentes da Doutrina Espírita

Abordagem: Os Precursores da Doutrina Espírita – Emmanuel Swendenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis; Os Fenômenos de Hydesville; As irmãs Fox e o ano de 1848; As Mesas Girantes.

"É impossível fixar uma data para as primeiras aparições de uma força inteligente exterior, de
maior ou menor elevação, influindo nas relações humanas...
...Entretanto, não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de
interferência preternaturais e o seu tardio reconhecimento pela humanidade. A única diferença
entre esses episódios e o moderno movimento é que aqueles podem ser apresentados como
casos esporádicos de extraviados de uma esfera qualquer, enquanto os últimos têm as
características de uma invasão organizada. Como, porém, uma invasão poderia ser precedida
de pioneiros em busca da terra, também o influxo espírita dos últimos anos poderia ser
anunciado por certo número de incidentes, suscetíveis a verificação, desde a Idade Média e até
para trás".
(História do Espiritismo – Arthur Conan Doyle)
Os fenômenos mediúnicos não são, nem nunca foram, privilégio exclusivo da Doutrina Espírita,
muito pelo contrário, podemos dizer que os mesmos reportam-se à origem do próprio homem.
A própria Bíblia é um repositório onde encontramos vários tipos desses fenômenos.

 Fenômenos Mediúnicos dentro da Bíblia:
Quando manuseamos a Bíblia, livro considerado sagrado pelas religiões cristãs, encontramos
nela expressos, inúmeros fenômenos mediúnicos.
I - A luta de Jacob com um Espírito (um fenômeno típico de materialização), pois esta só
poderia realizar-se na condição do relato bíblico, se o espírito contentor se encontrasse
materializado (Gen. 32:24)."Jacó luta com Deus e transpõe o vau de Jaboque. 24 – "ficando ele
só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia".
II – Em 1 Reis, cap. 19, vv. 5 e 6, quando Elias encontra-se no deserto, ocorre um fenômeno de aparição e transporte: 5 – "Deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te e come. 6 – Olhou ele, e viu, junto à cabeceira um pão cozido sobre
pedras em brasa, e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir".
III – Em Daniel Cap. V , vv. 5, há o fenômeno de Escrita Direta: A Escritura na parede: Ocorreu
quando o rei Belsazar oferecendo um banquete a 1.000 convidados, mandou que trouxessem
os utensílios de ouro e prata, que seu pai, Nabocodonosor, havia tirado do templo de
Jerusalém, para que neles bebessem o rei, os seus "grandes", as suas mulheres e concubinas:
5 – "No mesmo instante apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do
candeeiro, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via os dedos que estavam
escrevendo".
IV – Em Daniel, Cap. VIII, v.v. 18 há um fenômeno de "transe" – 18 – "Falava ele comigo
quando caí sem sentido, rosto em terra: ele porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu
me achava".
V – Em Êxodo, Cap. XIX, v.v. 19 – Deus fala com Moisés no Monte de Sinai. 19 – "E o clangor
da trombeta ia aumentado cada vez mais: Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão. 20 –
Descendo o Senhor para o cume do monte Sinai, chamou a Moisés para o cimo do monte.
Moisés subiu,".
VI – Em Apocalipse, Cap. I, vv. 10, encontramos o fenômeno de Voz Direta. "Achei-me em
Espírito, no dia do Senhor, e ouvi pôr detrás de mim grande voz, como de trombeta,".
Encontramos, ainda, na Bíblia, Saul consultando o Espírito de Samuel, na gruta de Endor.
Jesus por ocasião do batismo no Rio Jordão, do céu ouve-se uma voz que diz: "Tú és aquele
meu filho especialmente amado; em ti é que tenho posto toda minha minha complacência."
mostrando a mediunidade auditiva.
Saulo, a caminho de Damasco, vê um clarão que lhe cega os olhos, cai do cavalo, é quando
escuta a voz do Senhor.


Os Precursores da Doutrina Espírita:
Na Antigüidade, um rei que viajasse para lugares pouco percorridos do seu reino enviava antes
os precursores, a fim de aplainarem o caminho e encherem as depressões, de modo a que não
encontrasse obstáculos e viajasse com segurança. João Batista que foi um dos maiores precursores de Jesus, trabalhou intensamente, aplainando os caminhos do coração e do entendimento para a vinda do Mestre; a Doutrina Espírita, também contou com inúmeros precursores que trouxeram ao mundo as primeira luzes do que em breve, se tornaria uma Doutrina, que codificada por Kardec, se tornaria a Terceira Revelação Divina à Humanidade. Dentre esses precursores, três merecem especial destaque: Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis.

 Emmanuel Swedenborg –
Emmanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo no ano de 1.688, e desencarnou e Londres em
1.772, com a idade de 84 anos.
Seu pai, Joeper Swedenborg, bispo de Skava, foi reconhecido pôr seus méritos e pôr seu
saber, mas seu filho o ultrapassou de muito.
Dominava praticamente todo o conhecimento do seu tempo. Ele era, antes de mais nada um
grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia, entre muitas outras atribuições,
tais como, engenheiro militar, físico, astrônomo, autor de trabalhos sobre as marés; também era zoologista e anatomista, financista e político e, finalmente, um profundo estudioso da Bíblia.
Sua prudência, sua sabedoria, sua modéstia e sua simplicidade valeram-lhe a alta reputação de que ele goza ainda hoje.
Os reis apelaram para os seus conselhos. Em 1.706, Charles XII o nomeou assessor no colégio metalúrgico de Estocolmo, a rainha Ulrique tornou-o nobre, e ele ocupou os lugares mais honoríficos com distinção, até 1.743, época em que ele teve a sua primeira revelação espírita.
Ele estava então com a idade de 55 anos, quando apresentou seu pedido de demissão, sua
vontade era ocupar-se mais com o seu apostolado.
Nesse ano, ele estava em Londres, quando teve a sua primeira visão: um espírito apareceu-lhe
sob uma forma humana enquanto ele comia, e lhe disse: Não coma muito; apenas o trivial,
você há de concordar que tem que levar em consideração mais a qualidade que o alimento
apresenta.
Um dos pontos fundamentais da doutrina de Swedenborg repousa sobre o que ele chamou de
"as correspondências". Segundo ele, o mundo espiritual e o mundo natural estão associados
entre si como o interior e o exterior, de tal modo, que as coisas espirituais e as coisas naturais
formam um todo, pôr influxo, e que há entre elas uma certa correspondência.
Além de extensa cultura e de amplíssima faculdade mediúnica, Swedenborg possuía também o
dom de ver a distância (dupla vista), como identificável no ocorrido quando, na ocasião em que
estava jantando com Gothenburgo, na companhia de 16 pessoas, pode ele vislumbrar e
descrever com exatidão – o que foi verificado posteriormente, – um incêndio que se passava na
cidade de Estocolmo, distante do local 480 Km, aproximadamente.
Swedenborg ficou conhecido como "o vidente sueco".
Swedenborg um desses grandes personagens cuja lembrança estará ligada a História do
Espiritismo, do qual foi um dos primeiros e mais zelosos promotores.

 Edward Irving
A história de Edward Irving e sua experiência, entre 1830 e 1833, com as manifestações
espíritas, são de grande interesse.
Nascido em Annam, em 1792, pertencente a uma classe pobre de trabalhadores braçais
escoceses, teve uma infância e juventude dura e aplicada aos estudos.
Casou-se com a filha de um ministro religioso e foi nomeado assistente do mais famoso clérico
da Escócia.
Foi então que após receber um convite de uma pequena igreja escocesa em Halton Garden,
distrito de Londres (que estava sem pastor) que sua eloquência sonora e suas luminosas
explicações do Evangelho começaram a atrair a atenção. Em 1830, ao oeste da Escócia, foram
registrados fenômenos de comunicação entre os sensitivos Campbell e MacDonald. O pastor
escocês mandou um emissário para investigar o caso, verificou-se a exatidão do mesmo. Logo
depois, os Espíritos irromperam na própria igreja de Irwing.
Devido ao seu próprio modo de pensar Irwing enfrentou muitas lutas com autoridades de sua
igreja. Diante dos fatos que ocorriam, Irwing passou a sofrer a censura do presbítero. Isso lhe
afetou a saúde de tal maneira que, como disse Conan Doyle: -"Aquele gigante de meia idade
murchou e encolheu."

 Andrew Jackson Davis
Nasceu nos Estados Unidos, no dia 11 de agosto de 1.826, e desencarnou no dia 13 de janeiro
de 1.910, em sua residência de Watertown, em Massachusetts, com 84 anos.
Foi chamado o "Pai do Moderno Espiritualismo" e de o "Allan Kardec norte-americano".
Sua mediunidade começou no início de sua adolescência, quando ouvia vozes gentis e
agradáveis e desenvolveu uma límpida clarividência.
Era-lhe possível também fazer diagnósticos psíquicos de várias enfermidades.
Cada órgão aparecia claramente e com uma radiação especial e peculiar, que se obscurecia
em casos de doenças.
No dia 06 de março de 1.844, ocorreu com ele um fenômeno de transporte: da localidade de
Poughkeepsie, onde residia, foi levado até as montanhas de Catskill, cerca de 55 Km distante.
Os Espíritos de Galeno e de Swedenborg apareceram-lhe e revelaram que seriam seus
mentores. Foi o primeiro contato que Andrew Jackson Davies teve com os Espíritos.
Posteriormente, novos fenômenos surgiram pôr sua mediunidade, como pôr exemplo a
xenoglossia (Do grego: xeno = estrangeiro; e glossa = língua. É o uso de uma língua (escrita ou falada) que se não aprendeu e que se não conhece em condições normais. O médium
influenciado pôr um Espírito, fala uma língua estrangeira que lhe é pôr inteiro desconhecida) e a mediunidade erudita, podendo dissertar sobre arqueologia, história, ciências naturais e
literatura.
Mediunizado escreveu vários livros: "Os Princípios da Natureza" e depois "Filosofia Harmônica", este ditado pelo Espírito de Swedenborg.
Aos 21 anos de idade sua mediunidade já havia alcançado um nível muito bom de
desenvolvimento. Nessa época consegui descrever vários fenômenos desencarnatórios,
descrevendo a saída da alma do corpo, ou seja o desligamento do Espírito na hora da morte.
Fez diversas profecias, inclusive sobre a invenção do automóvel, do avião e da máquina de
escrever. Descreveu esses inventos, muito antes que surgissem no mundo, em sua obra,
"Penetrália".
Em 1.847, previu a manifestação ostensiva dos Espíritos, o que, praticamente, aconteceu no
ano seguinte, em Hydesville, com as irmãs Fox. Pôr isso ficou conhecido como "O Profeta na
Nova Revelação".
Numa de suas notas, escrita precisamente em 31 de março de 1.848, escreveu ele: "Esta
madrugada um sopro fresco passou pelo meu rosto, e ouvi uma voz, suave e firme, dizer-me: -
Irmão, foi dado início a um bom trabalho; contempla a demonstração viva que surge". E ele
menciona que pôs-se a cismar qual o significado de tal mensagem. (Exatamente nessa data,
ocorriam os fenômenos em Hydesville com as irmã Fox).
No final de sua vida, escreveu a obra "Revelações Divinas na Natureza".
Ao descrever a vida no Mundo Espiritual, afirmou que lá não havia muita diferença das
atividades daqui, a vida continuava: lá o trabalho científico, o artístico, o literário e o
humanitário, continuam sempre. Descreveu um lugar chamado Summerland, destinado às
crianças desencarnadas, cujos Espíritos precisavam ainda entender o que se passava com
eles. Tudo ali era de acordo com a idade mental das crianças.
Por causa dessa visão, ele fundou o Primeiro Liceu Espírita, em 25 de janeiro de 1.863, em
Dodsworth Hall, Broadway, New York.
Andrew Jackson Davis é considerado também o precursor das mocidades espíritas.

Os Fenômenos de Hydesville. As Irmãs Fox e o ano de 1.848
Os fenômenos de Hydesville, ocorridos na casa da família Fox, abriram caminho para o
advento do Espiritismo.
Em 11 de Dezembro de 1847, John Fox, pertencente à igreja Metodista, mudou-se para uma
pequena casa de madeira no lugarejo de Hydesville, situada cerca de vinte milhas de
Rochester, cidade do condado de Wayne, estado de Nova York.
John era fazendeiro e com sua família, que se compunha, além da esposa Margareth Fox, de
mais três filhas: Katherine, ou Katie ou Kate de onze anos; Margareth, de quatorze, e, Leah,
que residia em Rochester, onde lecionava música.
No ano seguinte, isto é, em 1848, mais exatamente na noite de 28 de março, as meninas
começaram a ouvir estranhos ruídos e arranhões nas paredes, que se foram intensificando,
cada vez mais ao ponto da família Fox não ter mais sossego dentro de casa. Esses "raps" ,
como foram denominados mais tarde, começaram a ser notados, com mais freqüência. Com o
decorrer dos dias, os fenômenos começaram a se tornar mais complexos: os objetos se
deslocavam, tudo se mexia e estremecia, haviam explosões de sons fortes. As meninas diante
de tanto barulho, ficaram tão alarmadas que não queriam mais dormir sozinhas.
Nas três noites seguidas, até 31 de março de 1.848, os fenômenos se repetiram intensamente,
impedindo que os Fox conciliassem o sono. John Fox deu buscas completas pelo interior e pelo
exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências.
Finalmente, na noite de 31 de Março de 1848, houve uma saraivada de sons muito altos e
continuados. Kate Fox, na sua inocência de criança, desafiou a força invisível para que
repetisse os estalos de seus dedos, no que foi imitada. Kate, batendo com os dedos sobre um
móvel, exclamava, em direção ao ponto onde os ruídos eram mais constantes: "Vamos Old
Splitfood, faça o que eu faço". Prontamente as pancadas do "desconhecido" se fizeram ouvir,
em igual número, e paravam quando a menina também parava.
Margareth brincando disse: " Agora faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro, e ao
mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos. Foi-lhe plenamente satisfeito esse
pedido, deixando a todos estupefatos e com muito medo".
As meninas supunham tratar-se do demônio, porisso que o chamavam de "Mr. Splitfood", ou Sr. pé fendido , que corresponde a "pé de bode".
Depois sua mãe, que acompanhava o episódio, teve a idéia de fazer algumas perguntas; pediu
que fosse indicado, por meios de pancadas, a idade de suas filhas. As resposta, corretas, não
tardaram. E depois de um diálogo entre sons e golpes, estava assim estabelecida a telegrafia
espiritual, naquela memorável noite de 31 de Março de 1848.
Naquela mesma noite, desejando que o fenômeno fosse testemunhado por outras pessoas, a
família Fox chamou alguns vizinhos, que também fizeram perguntas e receberam respostas,
por meio das batidas.
Esses acontecimentos se tornaram conhecidos de toda a localidade.
Um Sr. Chamado Mr. Deusler, idealizou um alfabeto, para poderem traduzir as pancadas e
compreenderem o que dizia o batedor invisível, sendo que então ele contou a sua história:
Chamava-se Charles B. Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa,
cinco anos antes, pelo casal Bell, foi ali assassinado; A finalidade do crime, foi para roubar as
mercadorias e o dinheiro que trazia, e que o seu corpo fora sepultado no porão.
Em busca no local indicado, lá encontraram tábuas, alcatrão, cal, cabelos, utensílios, mas não o esqueleto.
Uma criada dos Bells, chamada Lucrécia Pulver, declara que viu o vendedor e o descreve; diz
que ele chegara à casa e comenta do seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à
adega, seu pé enterrou-se num buraco e, como dissesse isso ao patrão, ele explicou que
deviam ser ratos e foi, apressadamente, fazer os necessários reparos. Ela vira nas mãos dos
patrões objetos da caixa do ambulante.
Arthur Conan Doyle, no seu Livro "História do Espiritismo", relata que 56 anos depois foi
descoberto que alguém fora enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças
que pôr ali brincavam, descobriram um esqueleto. Os Bells, para maior segurança, haviam
emparedado o corpo, na adega, aonde inicialmente o haviam enterrado.
Em 23 de novembro de 1.904, o "Boston Journal" noticiava que o esqueleto do homem que
possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, em 1.848, fora
encontrado e as mesmas estavam, portanto, eximidas de qualquer dúvida com respeito à
sinceridade delas na descoberta da comunicação dos Espíritos.
Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos com a finalidade de estudar os
estranhos fenômenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam
na presença das meninas; atribuiu-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão,
todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os fatos eram absolutamente
verídicos embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames,
atingindo, as vezes, as raias da brutalidade.
As irmãs Fox foram pressionadas. A Igreja as excomungou como pactuantes com o demônio.
Foram acusadas de embusteiras, e ameaçadas fisicamente diversas vezes.
Em 1.888, ao comemorar os 40 anos dos fenômenos de Hydesville, Margareth Fox, iludida pôr
promessas de favores pecuniários pelo Cardeal Maning, faz publicar uma reportagem no "New
York Herald" em que afirma que os fenômenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no
anos seguinte, arrependida, reúne grande público no salão de música de New York e retrata-se
de suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenômenos de Hydesville eram reais,
como provocando ainda uma série de fenômenos de efeitos físicos no salão repleto.
A retratação foi publicada na época. Consta da Light e do jornal americano, New York Press, de 20 de maio de 1.889.

As Mesas Girantes
Uma série progressiva de fenômenos deram origem à Doutrina Espírita.
O primeiro fato observado foi a movimentação de objetos diversos, dentre eles, de forma
especial, a movimentação das mesas. Esse fenômeno foi designado vulgarmente pelo nome de
"Mesas Girantes ou Dança das Mesas".
Tal fenômeno parece ter sido notado primeiramente na América do Norte de forma intensa,
propagando-se, na seqüência, pelos países da Europa, como a França, a Inglaterra, a Holanda, a Alemanha, chegando até na Turquia, nos meados do século XIX.
Todavia, a História registra que ele remonta à mais alta antigüidade, tendo-se produzido de
formas estranhas, como ruídos insólitos, pancadas sem nenhuma causa ostensiva.
A princípio quase que só encontrou incrédulos, porém, ao cabo de pouco tempo, a
multiplicidade das experiências não mais permitiu lhe pusessem em dúvida a realidade.
Assim como o fenômeno das "pancadas ou batidas" foi chamado de "raps" ou "echoes", o das mesas girantes ou moventes, ficou conhecido como "table moving", para os ingleses, "table volante" ou "table tournante" para os franceses.
No início, nos Estados Unidos, os Espíritos se comunicavam através de um processo
trabalhoso e de grande morosidade. Alguém dizia em voz alta o alfabeto, e o Espírito era
convidado a indicar pôr batidas, "raps" ou "echoes", no momento em que fossem pronunciadas
as letras que, reunidas, deviam compor as palavras.
Os próprios Espíritos indicaram, em fins de 1.850, nova maneira de comunicação: bastava
simplesmente que se colocassem ao redor de uma mesa, em cima da qual se poriam as mãos.
Levantando um dos pés, a mesa daria (enquanto se recitava o alfabeto) uma pancada toda vez
que fosse proferida a letra que servisse ao Espírito para formar as palavras. Esse processo,
ainda que muito lento, produziu excelentes resultados e assim se chegou às mesas girantes ou
falantes.
Há que notar, que a mesa não se limitava a levantar-se sobre um pé para responder às
perguntas que se faziam; movia-se em todos os sentidos, girava sob os dedos dos
experimentadores, às vezes, se elevava no ar, sem que se descobrissem as forças que a
tinham suspendido.
Em 1853, a Europa inteira tinha as atenções gerais convergidas para o fenômeno das
chamadas mesas girantes e dançantes, e eram consideradas o maior acontecimento do século,
a imprensa informava e tecia largos comentários acerca das estranhas manifestações. No meio
da aparente futilidade, os Espíritos iam ensinando o que podiam em condições inadequadas.
O fenômeno, durante muito tempo, entreteve a curiosidade dos salões. Depois, aborreceram-se
dele, pois a gente frívola que apenas imita a moda, o considerou como simples distração.
Mas o objetivo central estava sendo cumprido: atrair a atenção do homem inteligente para a
Espiritualidade.
As mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina Espírita e merecem
pôr isso, explicações e estudos para que, em se conhecendo as causas, facilitadas será a
chave para a decifração dos efeitos mais complexos.
Seria então, que um professor de nome Rivail, possuidor daquela lógica austera e daquele
senso que abriga o espírito de entusiasmos desarrazoados e de negações a priori, que, diante
deste novo fato, se sentiria desafiado a estudar e a pesquisar mais profundamente tais
fenômenos, dando surgimento posteriormente à Doutrina Espírita.
As observações e as pesquisas espíritas realizadas pôr Allan Kardec e outros sábios,
demonstraram que a causa inteligente era determinada pelos Espíritos que podiam agir sobre a
matéria, utilizando-se do fluido fornecido pelos médiuns, isto é – meios ou intermediários entre
os Espíritos e os homens, gerando, assim, as manifestações físicas e as manifestações
inteligentes.
Na seqüência, aperfeiçoaram-se os processos. As comunicações dos Espíritos não se
detiveram nas mesas girantes. Evoluíram para as cestas e pranchetas, nas quais se adaptavam lápis e as comunicações passaram a ser escritas - era a psicografia indireta. Posteriormente, eliminaram-se os instrumentos e apêndices; o médium tomando diretamente o lápis passou a escrever pôr um impulso involuntário e quase febril – era a psicografia direta.

Bibliografia:
Apostila I do ESDE da FEP, Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita;
Apostila I do PBDE do Centro Espírita Luz Eterna.
"Reformador" – Março de 1998, ano 116 n.º 2.028, págs. 20-23; 34,35;
Zeus Wantuil, As Mesas Girantes o Espiritismo;
Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr. Págs. 203/204, 339 à 343. Edições Celd
Rio de Janeiro 1.997
Personagens do Espiritismo – Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves de Godoy. Edições
FEESP – Fed. Esp. do Estado de São Paulo. Págs. 33 à 37.
Internet endereço: www.fespiritaparana.com.br e www

Abraços fraternos!

Colaboração: Tullius Aguiar

Nenhum comentário:

Postar um comentário