terça-feira, 3 de abril de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 07: A Doutrina Espírita


A Doutrina Espírita é ao mesmo tempo uma Filosofia, uma Ciência e uma Religião.
Veremos, na seqüência, as especificidades com cada uma delas.

CIÊNCIA

Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, encontramos que ciência – é o "Conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente obtidos mediante a observação, a experiência dos  fatos e um método próprio.

O Espiritismo é Ciência, pois que viu os fatos, estudou, pesquisou, experimentou, adotando métodos próprios e muito rígidos; adquiriu um conjunto organizado de conhecimentos sobre a existência e comunicabilidade dos espíritos, e nos demonstra  com  provas  irrecusáveis  essa realidade.

Kardec, como Codificador do Espiritismo, usou da mesma preocupação  e  objetividade,  que caracteriza os químicos ou os físicos Suas conclusões não foram fruto da imaginação ou crença cega, mas sim de muitas pesquisas sérias, tornando-se inabalável em sua base.

O estudo  dos  desencarnados  não  pode  pertencer  ao  estudo  da  biologia  ou  das  ciências naturais.  Quanto  aos  acontecimentos,  ou  seja,  as  relações  do  humanos  com  os  Espíritos, também  não  pertencem  ao  campo  da  História,  ou  da  Sociologia.  No  entanto,  tais  seres  e acontecimentos existem, como está amplamente provado pela observação e pela experiência.

Há uma  ciência  apropriada  a  estes  seres  e manifestações:  é  o Espiritismo;  incumbe  a  este, portanto,  tratar  do  assunto.  Se assim  não  fosse,  a  Biologia  ou  a  Sociologia    se  teriam apoderado do caso.

O Espiritismo  como  ciência  tem,  pois,  objeto  próprio  e  métodos  de  pesquisa.  Seu  objeto especial  é  o  conhecimento  das  leis  do  princípio  espiritual  e  os  métodos  empregados,  as relações com os próprios Espíritos. Sua aparição foi observada, verificada, experimentada. Os contatos  estabelecidos  entre  os  dois  mundos  devem  ser  considerados  como  outros  tantos meios de conhecimento e de experimentação científicos, isto é, indubitáveis. 

Dizemos ainda que o Espiritismo é ciência porque estuda à  luz da razão, e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos Espíritos e que não passam  de  fatos  naturais.  Não existe o  sobrenatural  no  Espiritismo:  todos  os  fenômenos, mesmo os mais estranhos, tem explicação científica. São, portanto, de ordem natural. 


FILOSOFIA

Segundo o dicionário Brasileiro Globo Multimídia:
s. f. Ciência geral do conhecimento das coisas por suas causas ou primeiros princípios; sistema de princípios que tem por objeto agrupar uma certa ordem de fatos para explicar; cada um dos sistemas  particulares  de  filosofia;  doutrina  filosófica:  a  filosofia  de  Descartes;  estudo, investigação  dos  princípios  essenciais  de  uma  arte,  de  uma  ciência  particular:  a  filosofia  da música, da medicina; firmeza, elevação de espírito; razão; sabedoria. (Do lat. e gr. philosophia.).

O Espiritismo é filosofia, uma vez que nos descortina, que nos revela, a realidade tal qual ela é; nos mostra o outro lado da vida, bem como todos os seus aspectos e diz que a verdadeira vida é a espiritual, pois ela é primitiva, eterna, preexistente e sobrevivente a tudo, enquanto o mundo corpóreo é apenas secundário,  tanto que: poderia deixar de existir, ou nunca  ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.

Sendo a encarnação apenas uma forma temporal da vida Espírita, podemos entender que há uma perfeita harmonia entre os dois planos, pois que, ora estamos no mundo  visível, ora no mundo invisível, sempre concorrendo para o mesmo fim: a evolução, com os meios disponíveis em cada situação.

O Espiritismo é uma filosofia porque, a partir dos fenômenos espíritas, dá uma interpretação da vida, respondendo questões como:
[1] Quem é você?
[1] Antes de nascer o que você era?
[1] Depois da morte, o que você será?
[1] Por quê você está no mundo?
[1] Por quê umas pessoas sofrem mais do que outras?
[1] Por quê uns nascem ricos e outros pobres?
[1] Por quê alguns já trazem do berço doenças congênitas físicas ou mentais, enquanto outros nascem inteligentes e saudáveis?

Toda doutrina que dá uma interpretação da  vida,  uma  concepção  própria  do mundo,  é  uma filosofia. 

A Doutrina Espírita traz todo um sistema de valores e nada  impõe, mas  tudo esclarece para aqueles que assim desejarem. 

Coloca o Espiritismo à nossa disposição uma infinidade de obras de literatura, cujo conteúdo visa ampliar incessantemente a compreensão da realidade.


RELIGIÃO

Segundo o dicionário Brasileiro Globo Multimídia encontramos como sendo religião: Culto prestado à divindade; doutrina ou crença religiosa; acatamento às coisas sagradas; fé;  devoção;  piedade;  crença  viva;  (fig.)  tudo  que  é  considerado  como  um  dever  sagrado; respeito; escrúpulo. (Do lat. religione.).

Encontramos também como religião o sentido de "religação" das criaturas com o Criador.

A religião é uma palavra pôr si só muito comprometida.  Quando se fala em religião, logo imaginamos uma doutrina dogmática, com ritos exteriores e uma hierarquia sacerdotal. Quando proferimos a palavra religiosa logo nos vem à mente um sacerdote desligado do mundo pelos dogmas de uma igreja, embora seja religioso todo aquele que é honesto crente e bom. 

No  Livro  Palavras  de  Emmanuel,  psicografado  pôr  Francisco  Cândido  Xavier,  no  capítulo referente às religiões, ele nos ensina que "o que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões.

A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram ..."

Muitos ainda insistem que o Espiritismo não é uma religião. No entanto, Kardec ensina:
"O  laço  estabelecido  pôr  uma  religião,  seja  qual  for  o  seu  objetivo,  é  pois,  um  laço essencialmente moral,  que  liga os  corações,  que  identifica os pensamentos, as aspirações e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas  que  falam mais  aos  olhos  do  que  ao  espírito  ...  Se  assim  é,  perguntarão:  então  o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é  uma  religião,  e  nós  nos  glorificamos  pôr  isto,  porque  é  a  doutrina  que  funde  os  elos  da fraternidade e da comunhão dos pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.

O Espiritismo busca reproduzir  a  palavra  divina  através  do  tempo  e  do  espaço,  com  os esclarecimentos e as luzes que a nossa época requer.

É uma religião que destaca, aplica e explica o que há de melhor no ensinamento do Cristo. Dizemos que o Espiritismo é religião, porque ele tem pôr fim a transformação moral do homem, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa. Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de amor e caridade.


O sentido da Religião Espírita

O Espiritismo não é uma religião organizada dentro de uma estrutura clerical. Neste sentido, ele é profundamente diferente das religiões tradicionais.  Não tem sacerdotes, nem chefes religiosos.  Não tem templos suntuosos.  Não adota cerimônias de espécie alguma, como batismo, crisma, casamento, etc. Não tem rituais,  nem  velas,  nem  vestes  especiais,  nem qualquer  simbologia.  Não adota ornamentação para cultos, nem gestos de reverência, nem sinais cabalísticos, nem benzimentos, nem talismãs, nem bebidas, nem oferendas, etc.

O culto  espírita  é  feito  no  próprio  coração. É o culto do  sentimento  puro,  do  amor  ao semelhante,  do  trabalho  constante  em  favor  do  próximo.  Somente o pensamento equilibrado no bem nos liga a Deus e somente a prática das boas ações nos fazem seus verdadeiros adoradores. Assim o Espiritismo procura reviver os ensinamentos de Jesus, na sua simplicidade e sinceridade, sem luxo, sem convencionalismos sociais, sem pompas, sem grandezas, pois como nos recomendou o Mestre de Nazaré, Deus deve ser
adorado em "espírito e verdade".
 A Doutrina Espírita e as Doutrinas Espiritualistas: 

O espiritualismo é uma doutrina que admite, quer quanto aos fenômenos naturais, quer quanto aos valores  morais,  a  independência  e  o  primado  do  espírito  com  relação  à  condições o espiritualismo é uma doutrina filosófica que tem pôr base a existência de Deus e do Espírito. 

Usualmente, este termo é utilizado em sentido oposto ao de materialismo; o espiritualismo é a crença na existência da alma espiritual e imaterial. 

O espiritualismo é a base de todas as religiões. 

Denomina-se espiritualista aquele que é adepto do espiritualismo. O espiritualista é aquele que acredita que em nós nem tudo é matéria. 

Podemos afirmar que: "todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita. Podemos  dizer,  que  pelo menos  em  dois  pontos,  a Doutrina Espírita  e  as  demais Doutrinas Espiritualista, se encontram: A existência de Deus e a imortalidade do Espírito.

Exemplos de algumas doutrinas espiritualistas:

RosaCruz:  - Os rosacrucianos são  reencarnacionistas, porém  tem seus símbolos, cerimônias, conceitos  próprios,  maneiras  particulares  de  explicação  de  pontos  de  sua  doutrina.  É uma doutrina hermética, fechada. 

Teosofia: - Esta doutrina fala do corpo espiritual e define o homem com seis corpos. Divide o corpo espiritual em  três corpos diferentes e, conforme o  tipo de alma, variará o  tipo e o prazo para as reencarnações. 

A Cabala: - Doutrina que  admite  a  reencarnação;  mas  também,  a  possibilidade  da reencarnação de duas almas em um só corpo para haver uma complementação de uma com a outra.

Umbanda: - Segundo Teixeira de Paula no Livro Estudos de Espiritismo,  é  ensinado  que  a umbanda é a prática religiosa proveniente dos rituais  religiosos dos negros africanos "bantos", que,  juntamente  com  os  sudaneses,  foram  trazidos  ao  Brasil  como  escravos.  Os negros brasileiros, com o passar  do  tempo,  fundiram  o  culto  aos  antepassados  e  a  crença  na existência  e  comunicabilidade  das  almas  dos  mortos,  com  as  práticas  do  Catolicismo  e  do mediunismo, incorporando-se ao seu ritual folclórico, daí nascendo o culto "banto-ameríndio" da Umbanda. 

Trata-se de uma seita nascida do sincretismo afro-católico, sem doutrina, só tendo em comum com o Espiritismo a prática da mediunidade, mesmo assim, de modo bem diferente.


Diferenças entre a Doutrina Espírita e a Umbanda:

O Espiritismo  tem  alguns  pontos  de  contato  com  a  Umbanda,  como  o  tem  com  todas  as doutrinas espiritualistas, mas, os pontos de divergência demonstram, claramente,  tratar-se de duas doutrinas completamente diferentes e  independentes. Somente o desconhecimento ou a má-fé, poderão confundir uma com a outra.

As opiniões  favoráveis  à  identificação  da  Umbanda  com  o  Espiritismo  apóia  os  seus argumentos nas seguintes comparações:


 A Umbanda é espiritualista – o Espiritismo também é espiritualista;

 A Umbanda rende culto a Deus – O Espiritismo também rende culto a Deus;

 Nas práticas de Umbanda ocorrem fenômenos produzidos pôr espíritos – Nas práticas
do Espiritismo, também ocorrem fenômenos produzidos pôr Espíritos;

 A Umbanda aceita a reencarnação – No Espiritismo a reencarnação é um de seus
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 Na Umbanda se faz caridade – No Espiritismo também se faz caridade.

Uma vez  que    fizemos  comparações  para  fixar  pontos  comuns  entre  a  Umbanda  e  o Espiritismo,  é  natural  que  também  recorramos  ao  método  comparativo  para  demonstrar  as dessemelhanças que separam um e outro.


 O Espiritismo não tem culto material – a Umbanda tem culto material;

 O Espiritismo não tem ritual – a Umbanda tem ritual;

 O Espiritismo não prescreve qualquer forma de paramento, nem comporta o formalismo de funções sacerdotais, ou qualquer hierarquia – A Umbanda tem "Pais" de terreiro, de santo, com vestimentas e prerrogativas equivalentes ao exercício de funções sacerdotais;

 O espiritismo não se utiliza de imagens, seja de santos, seja de quaisquer divindades, como não permite o emprego de qualquer sacrifício em razão da crença – A Umbanda tem imagens e altares, como ainda usa sacrifícios de animais, nos casos em que as suas crenças permitem tal prática;

 O Espiritismo não tem sinais cabalísticos, nem símbolos – a Umbanda tem sinais, "pontos riscados", etc.;

 O Espiritismo tem sua nomenclatura segundo a Codificação da Doutrina – a Umbanda tem uma nomenclatura própria, muito diferente, pois pôr exemplo, designam-
se os médiuns pôr "cavalos", empregando outros termos de várias procedências.

 O Espiritismo rege-se por um corpo de doutrina homogênea, codificada por ALLAN KARDEC – a Umbanda não tem uma doutrina estabelecida e muito menos se rege pela doutrina codificada por Kardec.


Os Princípios fundamentais da Doutrina Espírita:

A Doutrina Espírita está alicerçada em certos princípios ou fundamentos que lhe são básicos, quais sejam:

1. A existência de Deus: - Deus é o Pai Criador, a inteligência suprema e a causa primária de todas as coisas, como bem está estabelecido na questão n.º 01 de O Livros dos Espíritos. Deus é eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom. E toda esta perfeição se mostra através de suas obras.
2. A existência e sobrevivência do Espírito: - Os Espíritos são os seres inteligentes da
criação. Povoam o Universo fora do mundo material. - como bem nos esclarece, também, a questão n.º 76 de O Livro dos Espíritos.

Aqui cabe mais um esclarecimento: Os Espíritos não são, como alguns pensam, seres imprecisos e indefinidos, nem chamas como as dos fogos-fátuos, muito menos "fantasmas" como os dos contos fantásticos. Os Espíritos são, simplesmente, a alma dos
homens, após a morte física do corpo, conservando a sua individualidade, o seu conhecimento, tendo o devido mérito pôr suas boas obras, bem como a responsabilidade
pelos seus erros.

O corpo, ou envoltório exterior, sucumbe quando está gasto e  já não pode  realizar suas
funções: o Espírito dele se liberta como o fruto se despoja da casca, a árvore da cortiça e a serpente da pele. A morte é então a destruição apenas do envoltório material que a alma abandona, como a mariposa abandona a crisálida. A alma conserva, na realidade, seu corpo fluídico ou perispiritual.

1. A Pluralidade das existências: – a Reencarnação: Criados simples e sem nenhum conhecimento, o Espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, ele é dotado de livre arbítrio, ou seja, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, de tornar-se cada vez melhor, aperfeiçoar-se, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos. Essa evolução requer aprendizado, e o Espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e reencarnando, quantas vezes forem necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida. O progresso adquirido pelo Espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, moral.

Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos  que  nos  prejudicaram  ou  daqueles  a  quem  prejudicamos,  não  teríamos condições de  viver entre  eles  atualmente. Pois, muitas  vezes, os  inimigos do passado
hoje  são  nossos  filhos,  nossos  irmãos,  nossos  pais,  nossos  parentes  que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação. 

A Reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, assim como é também, oportunidade  de  devotarmos nossos  esforços pelo  bem dos outros,  apressando  nossa
evolução  espiritual.  Pelo mecanismo da Reencarnação vemos que Deus  não  castiga, nem  pune  ninguém.  Somos nós os  causadores  dos  próprios  sofrimentos,  pela  lei  de  "Ação e Reação".

2. A Pluralidade dos Mundos Habitados: - O Universo é infinito e como já nos ensinou
Jesus, quando encarnado no Planeta, "Na casa de meu Pai, há muitas moradas". Existem mundos semelhantes, superiores e inferiores ao nosso. Quando progredirmos e evoluirmos muito, poderemos renascer num planeta de ordem elevada.

3. A Comunicabilidade dos Espíritos: - Os Espíritos sendo os seres humanos após o processo da desencarnação, continuam sendo como eram quando encarnados: trabalhadores ou preguiçosos, bons ou maus, sérios ou brincalhões, medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Conservam eles o carinho e o afeto pelos seres queridos, bem como outros sentimento que possuíam quando encarnados. 


 O Consolador prometido pôr Jesus – A Terceira Revelação Divina no Ocidente: 

Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco. O Espírito da Verdade, que o mundo não pode  receber,  porque  o  não    e  absolutamente  o  não  conhece.  Mas,  quanto  a  vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará  todas as coisas e vos  fará  recordar tudo o que vos tenho dito". - Jesus (João, Cap. XIV, vv. 15-17 e 26). 

Jesus promete outro consolador: O Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, pôr não estar maduro para  o  compreender, Consolador que  o Pai  enviará  para ensinar  todas  as coisas e para relembra o que o Cristo disse. Se, portanto, o Espírito de Verdade teria que de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cisto disse, é o que este disse foi esquecido ou mal compreendido. 

O Espiritismo, vem na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito  de  Verdade.  Ele  chama  os  homens  à  observância  da  lei:  ensina  todas  as  coisas fazendo  compreender  o que  Jesus    disse pôr parábolas. Advertiu o Cristo: Ouçam  os  que têm  ouvido  para  ouvir.  O  Espiritismo  vem  abrir  os  olhos  e  os  ouvidos,  porquanto  fala  sem figuras,  nem  alegorias;  levanta  o  véu  intencionalmente  lançado  sobre  certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação  suprema aos  deserdados  da Terra e  a  todos os  que  sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

Assim o Espiritismo realiza  o  que  Jesus  disse  do  Consolador  prometido:  conhecimento  das coisas,  fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e pôr que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. 

O  Consolador  é  pois,  segundo  o  pensamento  de  Jesus,  a  personificação  de  uma  doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade. 

O Espiritismo realiza, como  ficou demonstrado,  todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se o seu  criador.  É  fruto  do  ensino  coletivo  dos  Espíritos,  ensino  a  que  preside  o  Espírito  de Verdade. 

A  Revelação  Espírita  explica  e  completa  a  Revelação  de  Jesus,  o  que  eqüivale  dizer:  A Revelação Espírita vivifica o Cristianismo, repetindo-o em sua singeleza primitiva, e acrescenta aquilo que Jesus não podia dizer naquela época, dado o atraso de seus contemporâneos, que não podiam suportar luz mais intensa do que aquela que lhes havia sido dada. 


Prefácio do Livro – O Evangelho Segundo o Espiritismo

"Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do  seu  comando,  espalham-se  pôr  toda  a  superfície  da  terra  e, semelhantes a estrelas cadentes, vem iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.

Eu vos digo, em  verdade, que  são  chegados os  tempos em que  todas as  coisas hão de  ser restabelecidas  no  seu  verdadeiro  sentido,  para  dissipar  as  trevas,  confundir  os  orgulhosos  e  glorificar os justos.

As grandes vozes dos céus ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam.  Nós vos  convidamos,  a  vós  homens,  para  o  divino  concerto.  Tomai  da  lira,  fazei uníssonas  vossas  vozes,  e  que,  num  hino  sagrado,  elas  se  estendam  e  repercutam  de  um extremo a outro do Universo.

Homens,  irmãos  a  quem  amamos,  aqui  estamos  junto  de  vós.  Amai-vos  também, uns  aos outros  e  dizei  do  fundo  do  coração,  fazendo  as  vontades  do  pai,  que  está  no Céu:  Senhor!

Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus."

O ESPÍRITO DE VERDADE

 

 Abraços fraternos!

 Colaboração: Luciana Gomes

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