Na Introdução de "O Livro
dos Espíritos", encontramos no item n.º VI, um resumo dos principais pontos
da Doutrina Espírita.
Dentre eles, neste momento é
oportuno relembrar aqueles que estão diretamente ligados aos nosso tema:
"Os seres materiais constituem
o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou
espírita, isto é, dos Espíritos".
"O mundo espírita é o mundo
normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo".
"O mundo corporal é
secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por
isso se alterasse a essência do mundo espírita".
"Os Espíritos revestem
temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte
lhes restituí a liberdade".
"A alma é um Espírito encarnado,
sendo o corpo apenas o seu envoltório".
"Há no homem três coisas:
1.º, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio
vital; 2.º, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3.º, o laço
que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o
Espírito.
"Tem assim o homem duas
naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma participa
da natureza dos Espíritos.
"O laço ou perispírito, que
prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é
a destruição do envoltório mais
grosseiro. O espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo,
invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente
visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
"Deixando o corpo, a alma
volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova experiência
material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em
estado de espírito errante".
"Tendo o Espírito que passar
por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido
muitas existências e que teremos
ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros
mundos".
"A alma possuía a sua
individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver
separado do corpo".
Cada Revelação Divina, em seu
momento próprio, tem trazido ao mundo esclarecimento e luz.
Desta forma, a Doutrina Espírita,
a Terceira Revelação Divina aos homens, levanta os véus intencionalmente
lançados sobre certas verdades, que em períodos anteriores não puderam ser revelados,
pois faltavam condições para tal, mas que agora, face ao progresso havido, em especial
o da ciência, esta aos poucos vai corroborando e confirmando os postulados
Espíritas.
Como a evolução, no entanto é
lenta e gradual e o conhecimento dessas verdades ainda não é geral, comumente
nos deparamos com situações muito difíceis, quando estas dizem respeito à morte
física do corpo, seja em termos de entendimento, ou de aceitação
consciente.
A certeza da vida futura não
exclui as apreensões quanto ao desenlace e, em muitos casos, há mesmo um temor
face a ocorrência da morte orgânica.
Temor da Morte:
O Espírito Manoel Philomeno de
Miranda no Livro Temas da Vida e da Morte, psicografado por Divaldo Pereira Franco, nos ensina que o temor
da morte resulta de vários fatores, que são próprios da natureza humana e da
existência corporal
1. – O primeiro fator seria o
instinto de conservação da vida, que constitui uma força preventiva contra tudo
aquilo que possa ameaçá-la. Este instinto de conservação é um elemento de
grande valor, pois ele preserva a vida. Considerando-se que o corpo está programado
para servir de instrumento ao progresso do Espírito, é através dele que o Espírito
poderá desenvolver as suas aptidões e valores, logo, a sua preservação é muito importante.
2. – Outro fator seria a
predominância da natureza material, que nos Espíritos inferiores comanda as
suas inspirações. O predomínio da natureza material desenvolve o egoísmo e
agravam, tornando mais intensas, as paixões, acentuando a sensualidade, os
vícios e o apego às coisas materiais.
Nestes indivíduos imediatistas,
aferrados aos prazeres físicos, o medo da morte é maior, em face das sensações
que os escravizam à matéria, fazendo-os
recear a perda dos gozos em que se comprazem.
3. – Mais um fator que causa
temor à morte é o conteúdo religioso de algumas doutrinas que oferecem uma
visão distorcida do que sucede á alma após a ruptura dos laços materiais. O
estabelecimento de prêmios e punições de caráter material, nos quais as
religiões do passado firmaram a estrutura da existência espiritual. De um lado,
uma felicidade estanque, monótona, indiferente e até mesmo improdutiva, pois
nesse lugar o amor não dispõe de recursos para socorrer o enfermo, o decaído,
nem a piedade para com os infelizes. De outro lado, o medo expresso por uma
justiça absurda e impiedosa que condena eternamente aqueles que erraram, não
lhes proporcionando a oportunidade da reparação ou da redenção.
4. – Outro fator que proporciona
temor à morte física do corpo e o receio do aniquilamento da vida, por falta de
conhecimento, de informações corretas a respeito do futuro da alma e daquilo
que lhe está destinado.
Denota-se desta forma, que a
desinformação, o desconhecimento, as concepções erradas
sobre a vida futura são
responsáveis pelo temor da morte Em um programa de televisão, perguntaram a
Divaldo Pereira Franco como poderia definir-se claramente vida e morte, ao que
ele respondeu: " Para nós, sob o
aspecto filosófico do Espiritismo, a morte não significa a interrupção da vida.
A morte é a interrupção do
fenômeno biológico, já que a vida é uma jornada incessante,
ininterrupta, seja no corpo
físico, como fora dele.
A morte, portanto, no seu caráter
tradicional, é a perda do corpo com o prosseguimento da vida, além do
túmulo..."
A Alma após a Morte -
Diante de assunto de tão grande
importância, Kardec inquiriu a Espiritualidade, e deles recebeu esclarecimentos
importantíssimos, que encontram-se no Livro dos Espíritos, na Parte Segunda – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos,
Capítulo III – Da volta do Espírito, extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual.
149. Que sucede à alma no
instante da morte?
"Volta a ser Espírito, isto
é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente."
"Sim; jamais a perde. Que
seria ela, se não a conservasse?"
a) - Como comprova a alma a sua
individualidade, uma vez que não tem mais corpo
material?
"Continua a ter um fluido
que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a
aparência de sua última encarnação: seu perispírito."
b) - A alma nada leva consigo
deste mundo?
"Nada, a não ser a lembrança
e o desejo de ir para um mundo melhor,
lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida.
Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na
Terra."
151. Que pensar da opinião dos
que dizem que após a morte a alma retorna ao todo universal?
"O conjunto dos Espíritos
não forma um todo? Não constitui um mundo completo? Quando estás numa
assembléia, és parte integrante dela; mas, não obstante, conservas sempre a tua
individualidade."
152. Que prova podemos ter da
individualidade da alma depois da morte?
"Não tendes essa prova nas
comunicações que recebeis? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fôsseis
surdos, ouviríeis; pois que muito amiúde uma voz vos fala, reveladora da
existência de um ser que está fora de vós."
E, face as respostas recebidas,
complementa Kardec: Os que pensam que, pela morte, a alma reingressa no todo universal estão em erro, se
supõem que, semelhante à gota d'água que cai no Oceano, ela perde ali a sua
individualidade. Estão certos, se por todo universal entendem o conjunto dos
seres incorpóreos, conjunto de que cada alma ou Espírito é um elemento. Se as almas
se confundissem num amálgama só teriam as qualidades do conjunto, nada as distinguiria
uma das outras. Careceriam de inteligência e de qualidades pessoais quando, ao contrário,
em todas as comunicações, denotam ter consciência do seu eu e vontade própria.
A diversidade infinita que apresentam, sob todos os aspectos, é a conseqüência
mesma de constituírem individualidades diversas. Se, após a morte, só houvesse o que se chama o grande
Todo, a absorver todas as individualidades,
esse Todo seria uniforme e, então, as comunicações que se recebessem do
mundo invisível seriam idênticas. Desde que, porém, lá se nos deparam seres
bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e desgraçados; que lá os há de todos
os caracteres: alegres e tristes, levianos e ponderados, etc., patente se faz
que eles são seres distintos. A individualidade ainda mais evidente se torna,
quando esses seres provam a sua identidade por indicações incontestáveis
particularidades individuais verificáveis, referentes às suas vidas terrestres,
Também não pode ser posta em dúvida, quando se fazem visíveis nas aparições. A
individualidade da alma nos era ensinada em teoria, como artigo de fé. O
Espiritismo a torna manifesta e, de certo modo, material.
Separação da Alma e do corpo-
154. É dolorosa a separação da
alma e do corpo?
"Não; o corpo quase sempre
sofre mais durante a vida do que no momento da morte; a lma nenhuma parte toma
nisso. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito, que vê
chegar o termo do seu exílio."
Observação de Kardec: Na morte
natural, a que sobrevem pelo esgotamento dos órgãos, em conseqüência da idade,
o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de
óleo.
Com base nesta observação, é
importante relembrar a questão n.º 68 da mesma obra, que tem como subtítulo - A
Vida e a Morte
Questão 68 - Qual a causa da
morte dos seres orgânicos?
"Esgotamento dos
órgãos".
155. Como se opera a separação da
alma e do corpo?
"Rotos os laços que a
retinham, ela se desprende."
a) - A separação se dá
instantaneamente por brusca transição?
Haverá alguma linha de
demarcação nitidamente traçada
entre a vida e a morte?
"Não; a alma se desprende
gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a que se restitua
subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte
que o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se
desatam, não se quebram."
Cumpre observar-se que no entanto,
a desencarnação não é igual para todos, há uma variação muito grande, tão
grande quanto as diferentes formas de viver adotadas pêlos encarnados.
Em estando próximo o momento da
morte, alguns expressam uma calma singular enquanto que outros, apresentam
convulsões terríveis, o que leva a concluir que as sensações apresentadas nem
sempre são as mesmas.
A separação da alma é feita de
forma gradual, pois o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam,
de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no momento do desenlace,
se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória entre as duas. Alguns
fatores podem influir para que o desprendimento ocorra com maior ou menor
facilidade, fatores que estão relacionados com o estado moral do homem quando
encarnado.
A afinidade entre o corpo e o
perispírito é proporcional ao apego à matéria, que atinge o seu máximo no homem
cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unicamente à vida de gozos materiais.
Ao contrário, nas almas puras que antecipadamente se identificam com a vida espiritual,
ao apego e quase nulo.
Separação da alma e do corpo – Análise de 03
situações
Morte Natural por senilidade ou
doença
Mortes violentas
Suicídio
a. Morte Natural por Senilidade
ou Doença
O desprendimento opera-se
gradualmente; para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se
destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte
real, isto é, ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito
penetra a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a
última pancada do coração.
No homem materializado e sensual,
que mais viveu do corpo do que do Espírito, e para o qual a vida espiritual
nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar
os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente
também, demanda contínuos esforços. As convulsões de agonia são indícios da luta
do Espírito, que ás vezes procura romper os elos resistentes, e outras se
agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata com violência,
molécula por molécula.
O desconhecimento da vida
espiritual faz com que o Espírito se
apegue à vida material,
estreitando os seus horizontes e
resistindo com todas as forças, conseguindo prolongar a vida, e
consequentemente, sua agonia, por dias, semanas, meses. Nestes casos, a morte
não é o fim da agonia, pois a perturbação continua e ele, sentindo que vive,
sem saber definir o seu estado, sente e se ressente da doença que pôs fim aos
seus dias, permanecendo com essa impressão indefinidamente, pois está ainda
ligado à matéria através de pontos de contato do perispírito com o corpo.
O contrário ocorre com o homem
que se espiritualizou durante a vida. Após a morte nem uma só reação o afeta. O
despertar na vida espiritual é como quem desperta de um sono tranqüilo, para
iniciar uma nova fase de sua vida.
b) Mortes violentas
Nas mortes violentas, como nos
acidentes, nenhuma desagregação há iniciado previamente à separação do
perispírito. Neste caso, o desprendimento só começa depois da morte e seu término,
não ocorre rapidamente. O Espírito fica aturdido, não compreendendo o seu
estado, permanecendo na ilusão de que vive materialmente por um período mais ou
menos longo, conforme o seu nível de espiritualização.
c) Mortes por suicídio
A separação da alma do corpo, nos
casos de suicídio, é extremamente dolorosa. Sendo o
suicídio um atentado contra a
vida, o sofrimento quase sempre permanece por período igual ao tempo em que o
Espírito ainda deveria estar encarnado.
As dores da lesão física
provocada repercutem no Espírito. A decomposição do corpo, sua destruição pêlos
vermes, em alguns casos, podem ser sentidas em detalhes, pelo Espírito.
Além disso, há o remorso, gerando
sofrimento moral para aquele que pensou deserdar da vida.
Considerações de Kardec com
relação a separação da alma e do corpo:
"Durante a vida, o Espírito
se acha preso ao corpo pelo seu
envoltório semimaterial ou perispírito. A morte é a destruição do corpo
somente, não a desse outro invólucro, que do corpo se separa quando cessa neste
a vida orgânica. A observação demonstra que, no instante da morte, o
desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que, ao contrário,
se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos.
Em uns é bastante rápido, podendo dizer-se que o momento da morte é mais ou
menos o da libertação.
Em outros, naqueles sobretudo
cuja vida toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido,
durando algumas vezes dias, semanas e até meses, o que não implica existir, no corpo,
a menor vitalidade, nem a possibilidade de volver à vida, mas uma simples
afinidade com o Espírito, afinidade que guarda sempre proporção com a
preponderância que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. É, com efeito,
racional conceber-se que, quanto mais o Espírito se haja identificado com a
matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela; ao passo que a atividade
intelectual e moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento,
mesmo durante a vida do corpo, de modo que, em chegando a morte, ele é quase
instantâneo. Tal o resultado dos estudos feitos em todos os indivíduos que se
têm podido observar por ocasião da morte. Essas observações ainda provam que a
afinidade, persiste entre a alma e o corpo, em certos indivíduos, é, às vezes,
muito penosa, porquanto o Espírito pode experimentar o horror da decomposição.
Este caso, porém, é excepcional e peculiar a certos gêneros de vida e a certos
gêneros de morte. Verifica-se com alguns suicidas."
Morte e Desencarnação
De um modo geral, costuma-se
empregar esses dois termos como sinônimos, porém, como já foi visto, há uma
diferença significativa entre ambos:
A Morte é o fenômeno biológico,
término natural da etapa física, que dá início a novo estado de transformação
molecular.
- A Desencarnação é o fenômeno de
libertação do corpo físico por parte do Espírito. Ela pode ser rápida, ocorrer
logo após a morte, ou se alongar em estado de perturbação, durante um período
variável de tempo. O apego excessivo aos bens materiais, a sensualidade, os
prazeres materiais, são fatores que contribuem negativamente com o desligamento
dos laços que prendem o corpo ao Espírito.
Desta forma, vemos que, do ponto
de vista espiritual, morrer nem sempre é desencarnar, isto é libertar-se da
matéria e de suas implicações.
Complementa ainda o Livro dos
Espíritos:
da vida orgânica?
"Na agonia, a alma, algumas
vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica. O homem já não
tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica.
O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz
circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma."
No Livro O Céu e o Inferno
(Quarta Obra da Codificação – 1.865), na Parte Segunda, no Capítulo referente
ao Passamento, é definida a postura do espírita com relação ao assunto: "... O Espírita sério não se limite a
crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina; a vida futura é uma
realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos; uma realidade que ele
toca e vê, por assim dizer, a cada passo e de modo que a dúvida não pode
empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. A vida corporal, tão limitada, amesquinha-se
diante da vida espiritual, da verdadeira vida.
Que lhe importam os incidentes da
jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas, quando
suportadas com resignação? A alma eleva-se-lhe nas relações com o mundo
visível; os laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se operando-se
por antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação
conseqüente à transição pouco perdura,
porque, uma vez franqueado o passo, para logo se reconhece, nada
estranhando, antes compreendendo, a sua nova situação".
Perturbação Espiritual
Encontramos em O Livros dos
Espíritos a questão 163, que se refere à consciência da alma após deixar o
corpo físico.
"Imediatamente não é bem o
termo. A alma passa algum tempo em estado de perturbação."
Por ocasião da morte, tudo, a
princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento
de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou
de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das
idéias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da
matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de
névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Na seqüência, é indagado à
espiritualidade a respeito do grau e da duração da perturbação.
mesma duração para todos os
Espíritos?
"Não; depende da elevação de
cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois
que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o
homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito
mais tempo a impressão da matéria."
Muito variável é o tempo que dura
a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de
muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na
Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos
longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram.
No Livro "O Céu e o
Inferno", no capítulo já citado, referente ao "Passamento",
encontramos também, importantes informações:
"A perturbação espiritual
ocorre, portanto, na transição da vida corporal para a espiritual...
Nesse instante a alma experimenta
um torpor que paralisa momentaneamente as suas
faculdades, neutralizando, ao
menos em parte, as sensações ... A perturbação pode, pois, ser considerada o
estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo indeterminado, variando
de algumas horas a alguns anos.
O Espírito Joanna de Ângelis
(Mentora Espiritual do médium Divaldo Pereira Franco), no Livro "No Limiar
do Infinito", no Capítulo intitulado "Vida no além túmulo", nos
traz informações preciosas a respeito do assunto:
"O Processo de
desprendimento espiritual é lento ou demorado, conforme o temperamento, o caráter
moral e as aquisições espirituais de cada ser.
Não ocorrem duas encarnações que
sejam iguais.
Cada um desperta ou se demora na
perturbação, consoante as características próprias de sua personalidade.
Nesse particular, o comportamento
religioso exerce uma fundamental importância. Aqueles que se fixaram às idéias
niilistas, materialistas, hibernam-se, não raro, como a fugir da realidade num
bloqueio inconsciente de longo porte que os atormenta em forma de pesadelos
infelizes, de que se não conseguem facilmente libertar. Tendo agasalhada a
idéia do nada, deperecem e se exaurem em agonia superlativa, sem que se
permitam alívio, nas regiões frias e temerosas a que são arrastados por natural
processo de sintonia mental, quando não acompanham, estarrecidos, a
decomposição do corpo a que se agarram, tentando restabelecer-lhe os movimentos,
em luta inglória, avassaladora... Os que cultivam as religiões simplistas, que
prometiam os céus a golpes de facilidade e
oportunismo, são surpreendidos
por uma realidade bem diversa com que não contavam ... Os que agasalhavam
idéias esdrúxulas, fazendo-se vítimas de horrores e alucinações
lamentáveis que os desnorteiam
por tempo indeterminado. Os suicidas, graças aos atenuantes ou agravantes que
os selecionam automaticamente, descobrem em inditoso despertar a não existência
da morte ... Os que se converteram em destruidores da vida alheia, experimentam
as aflições que infligiram e expungem, em intérmina angústia, o acordar da
consciência e a sobrecarga dos crimes perpetrados ...
Perturbação Espiritual – Análise de alguns
casos específicos:
* Nos casos de morte violenta,
por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc.
A perturbação apresenta
circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e,
principalmente, com o gênero de morte. Nestes casos citados, o Espírito fica
surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que
não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu,
mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem
estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se
prolonga até ao completo desprendimento do perispírito.
Só então o Espírito se reconhece
como tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno
se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica
atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como
sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a
sensação de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um
corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não
teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se
lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo. Esse
fenômeno é análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes, que não
crêem dormir. É que têm sono por sinônimo de suspensão das faculdades. Ora,
como pensam livremente e vêem, julgam naturalmente que não dormem.
Certos Espíritos revelam essa
particularidade, se bem que a morte não lhes tenha sobrevindo inopinadamente.
Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes,
não pensavam em morrer. Observa-se então o singular espetáculo de um Espírito assistir
ao seu próprio enterramento como se fora o de um estranho, falando desse ato
como de coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a
verdade.
Complementa a obra "O Céu e
o Inferno, no capítulo já citado:
"O último alento quase nunca
é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência ...
No entanto, na morte violenta as
sensações não são precisamente as mesmas ... Nestas condições o
desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. O
Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e
acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado
..."
- Nos casos de morte coletiva –
Nos casos de morte coletiva, tem
sido observado que todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre tornam a
ver-se logo. Presas da perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu
lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam.
Concluindo esse capítulo, é
indagado à Espiritualidade a respeito da influência que o conhecimento da
Doutrina Espírita proporciona face à
perturbação após a morte física do corpo.
165. O conhecimento do
Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou
menos longa, da perturbação?
"Influência muito grande,
por isso que o Espírito já antecipadamente compreendia a sua
situação. Mas, a prática do bem e
a consciência pura são o que maior influência exercem."
A perturbação que se segue à
morte nada tem de penosa para o homem de bem, que se conserva calmo, semelhante
em tudo a quem acompanha as fases de um tranqüilo despertar.
Para aquele cuja consciência
ainda não está pura, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias, que
aumentam à proporção que ele da sua situação se compenetra.
Com relação ao assunto, conclui
também, o livro "O Céu e o Inferno":
"O estado do Espírito por
ocasião da morte pode ser assim resumido: tanto maior é o sofrimento, quanto
mais lento for o desprendimento do
perispírito, a presteza deste desprendimento está na razão direta do
adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de
consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar
é suavíssimo.
************************************
Bibliografia:
Page 8 of 9 Sociedade Espírita
Fraternidade - Unidade 14
31/8/2011
http://www.mkow.com.br/apostilas/unid14.htm1. O Livro dos Espíritos – Parte
Segunda, Capítulo III – Da volta do Espírito, extinta a vida
corporal, à vida espiritual.
2. O Céu e o Inferno - Parte
Segunda, Capítulo referente ao Passamento.
3. Apostila do Estudo
Sistematizado da Doutrina Espírita, da Federação Espírita Brasileira,
Programa IV – Aspecto Filosófico.
4. Livro "No Limiar do
Infinito" – psicografado por Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito
Joanna de Ângelis - Capítulo
"Vida no além túmulo".
5. Livro Temas da Vida e da
Morte, psicografado por Divaldo Pereira Franco pelo Espírito
de Manoel Philomeno de Miranda.
Abraços fraternos!
Colaboração: Luciana Gomes
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