terça-feira, 3 de julho de 2012

Estudo Teórico-Prático da Doutrina Espírita – Unidade 16: O Perispírito (Parte 2)


 Definição do Perispírito:

Perispírito - do radical grego "peri" que quer dizer: em torno, ao redor. Envoltório semimaterial do Espírito. Nos encarnados, serve de intermediário entre o Espírito e a matéria; nos espíritos  errantes, constitui o corpo fluídico do Espírito.


 Formação/natureza do Perispírito:

O Perispírito ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do Fluido Cósmico Universal - FCU; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. O corpo carnal também tem o seu princípio  de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. 

No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e qualidades etéreas. O corpo perispirítico e o corpo carnal têm, pois origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes.

Do meio onde se encontra é o que o Espírito extrai o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito naturalmente variam conforme os mundos.

Ex. Em Júpiter, como sendo um orbe muito mais adiantado em comparação com a Terra, a vida corpórea não apresenta a mesma materialidade da nossa, os envoltórios perispirituais hão de ser lá, de natureza muito mais quintenssenciada (o extrato levado ao último apuramento, o que há de principal, de melhor e de mais puro - a essência) do que aqui. Ora, assim como não poderíamos existir naquele mundo com o nosso corpo carnal, também os nossos Espíritos não poderiam nele penetrar com os perispíritos terrestres que os revestem. Emigrado da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico e toma outro apropriado ao mundo aonde vai habitar.

A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudar de envoltório ao seu bel prazer, pelo que não podem passar, à vontade, de um mundo para outro. Alguns há, portanto, cujo envoltório fluídico, se bem que etéreo e imponderável com relação à matéria tangível, ainda é por demais pesado, se assim nos podemos exprimir, com relação ao mundo espiritual, para não permitir que eles saiam do meio que lhes é próprio. Nessa categoria se devem incluir aqueles cujo perispírito é tão grosseiro, que eles o confundem com o corpo carnal, razão porque continuam a crer-se vivos. Esses Espíritos, cujo número é avultado, permanecem na superfície da Terra, como os encarnados, julgando-se entregues às suas ocupações terrenas. Outros, um pouco mais desmaterializados, não o são, contudo, suficientemente, para se elevarem acima das regiões terrestres.

No Livro Obras Póstumas, é mencionado que, o perispírito é mais ou menos etéreo, segundo  os mundos e o grau de adiantamento dos Espíritos. Nos mundo e nos Espíritos inferiores, ele é de natureza mais grosseira e se aproxima muito da matéria bruta. 


 Funções do Perispírito:

Elencaremos, conforme abaixo, as principais funções do Perispírito:
Envoltório do Espírito
Elo entre o Espírito e o Corpo
Modelo Organizador Biológico
Veículo da Mediunidade
Arquivo das Experiências do Espírito
Sede dos Centros Vitais

1)      - Envoltório do Espírito:

Volvendo-se à Introdução de O livro dos Espíritos Cap. VI, encontramos:

"Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3°, o laço que  prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
"Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.

"O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o
segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.

"O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo
pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista,  pelo ouvido e pelo tato.

Da mesma forma com a questão 93, onde, inclusive Allan Kardec em seu comentário, na seqüência, faz a comparação perispírito ao perisperma - que envolve o germe do fruto.


Parte Segunda - Capítulo I

Perispírito

Pergunta 93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
R. "Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira".
Comentário de Allan Kardec: Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.


2)      - Elo entre o Espírito e o Corpo:

Sob este aspecto, o perispírito atua como intermediário entre o corpo e o Espírito. É importante  revermos a questão 135 de O Livro dos Espíritos.

Pergunta 135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
R. "Há o laço que liga a alma ao corpo".
a) - De que natureza é esse laço?
R. "Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente".

Em o Livro dos Médiuns (1.861), encontramos a referência de que perispírito é o intermediário de todas as sensações que o Espírito recebe e pelo qual transmite a sua vontade.

No Livro Obras Póstumas, há a seguinte referência com relação a esta matéria:

O perispírito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo. É o órgão transmissor de todas as sensações. Quando elas vêm do exterior, o corpo recebe a impressão, o perispírito a transmite e o Espírito a recebe. Quando o ato é de iniciativa do Espírito, pode dizer-se que o Espírito quer, o perispírito transmite e o corpo executa.


 DO CORPO PARA O ESPÍRITO TRANSMITE SENSAÇÕES

DO ESPÍRITO PARA O CORPO CONDUZ IMPRESSÕES

3)      - Modelo Organizador Biológico:

Gabriel Delanne, no seu Livro Evolução Anímica, menciona que os Espíritos conservam a forma humana e isto não só por se apresentarem tipicamente assim, como também porque o perispírito encerra todo um organismo fluídico-modêlo, pelo qual a matéria há de se organizar no condicionamento do corpo físico.

Precisamos recorrer ao perispírito, pois ele é que contém o desenho prévio, a lei onipotente que servirá de regra inflexível ao novo organismo e lhe assegurará o lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução. É no embrião que se executa essa ação diretiva.

Tomemos, por exemplo, várias sementes de espécies diferentes. Em analisando-as quimicamente, não poderemos encontrar a menor diferença em sua composição, temo-las absolutamente iguais.

Plantemo-las, após, no mesmo terreno e veremos cada qual submetida a uma idéia diretiva especial, diferente da de sua convizinha.

Durante a vida da planta, essa idéia diretriz conservará a forma característica da planta,
renovar-lhe-á os tecidos segundo o plano preconcebido, e conforme ao tipo que lhe foi de origem assinado.

Sendo a matéria primária idêntica para todas as plantas, como idêntica é a força vital para todos os indivíduos, importa exista uma outra força que origine e mantenha a forma. Ao Perispírito atribuímos esse papel, no reino vegetal, como no animal.

Léon Denis, no seu Livro Depois da Morte, nos ensina que o perispírito é um organismo
fluídico; é a forma preexistente e sobrevivente do  ser humano, sobre qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla e invisível, constituída de matéria quintenssenciada, que atravessa todos os corpos por mais impenetráveis que estes nos pareçam.

O Espírito Camilo, no livro psicografado por José Raul Teixeira - Correnteza de Luz, explica que: como sendo do perispírito a responsabilidade pela organização do complexo celular, determinando, nas reencarnações humanas, a fixação das caracterizações de ordem genética, no quadro de necessidades e méritos que a Providência Celeste processa, devidamente. Na sua possibilidade plástica, é dotado da função modeladora da forma, dando-lhe, sob o comando espiritual, mental, a expressão da qual necessita para que tal forma material seja ideal para atender as necessidades diversas do reencarnante, ao consumar-se a reencarnação. 

Por todos os seus atributos, pelas ligações célula  a célula, conduzindo para a carne os
impulsos internos da alma e para esta as reações nervosas do corpo físico, o perispírito presta-se como veículo imprescindível para ajudar na exteriorização da mediunidade, nos parâmetros da Terra.

4)      - Veículo da Mediunidade:

Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha preponderante papel no
organismo. Pela sua expansão, põe o Espírito encarnado em relação mais direta com os
Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados.

Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os
assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.

Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; em sendo maus, a impressão é penosa. Se permanentes e energéticos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.

4.1 - Veículo da Mediunidade: O Perispírito e a comunicação Mediúnica:

Um Espírito só consegue se manifestar em nosso meio através da combinação de seus fluidos perispiríticos com os fluidos do médium, que passam a formar uma espécie de atmosfera fluídico-espiritual, comum às suas individualidades, atmosfera essa que torna favorável à transmissão do pensamento, que se faz de Espírito para alma e esta, pela ação que exerce sobre o corpo, exterioriza o conteúdo desse pensamento pelos diferentes tipos de faculdade mediúnica (psicografia, psicofonia, etc). 

5)      - Arquivo das Experiências do Espírito:

Antônio J. Freire, no seu livro Da Alma Humana, menciona que o perispírito tem, dentre outras funções, a de arquivar nas suas camadas mais sutis  e permanentes, como películas cinematográficas, todos os acontecimentos de que fomos protagonistas, registrando e assimilando todos os conhecimentos adquiridos através de nossa evolução individual multimilenária, ficando mergulhados e comprimidos nas profundezas do subconsciente e do subliminal todos esses conhecimentos desnecessários e incompatíveis com a missão progressiva, expiatória e reparadora de cada reencarnação, mas suscetíveis de aflorarem à consciência normal e cerebral por processos hipnóticos/magnéticos, já muitas vezes experimentados e observados sob o nome de regressão de memória das vidas passadas (Conde Albert de Rochas (lê-se Rochá), José Maria Colavida e os atuais pesquisadores).

Gabriel Delanne, no seu Livro Evolução Anímica, faz comentários interessantes a este aspecto: "O perispírito é a idéia diretora, o plano imponderável da estrutura orgânica. É ele que armazena, registra, conserva todas as percepções, todas as volições e idéias da alma. Ele se constitui a testemunha imutável, o detentor indefectível dos mais fugidios pensamentos, dos sonhos apenas entrevistos e formulados. É enfim, o  guardião fiel, o  acervo imperdível do nosso passado (grifo nosso). Em sua substância incorruptível, fixaram-se as leis do nosso desenvolvimento, tornando-o por excelência o conservador da nossa personalidade, por isso que nele é que reside a memória.

6)      - Sede dos Centros Vitais:

Estamos imersos num mar de fluidos, derivados do Fluido Cósmico Universal - FCU e
absorvendo e metabolizando o Fluido Vital, que por  si só, separado da matéria, não tem
existência.

Esta absorção que se dá automaticamente é feita pelos determinados Centros de Força, que já eram conhecidos pelas doutrinas secretas e iniciáticas, com a denominação de CHAKRA - palavra sânscrita que significa roda, devido a que esses centros são constituídos por uma série de vórtices semelhantes a rodas que existem na superfície do perispírito.

André Luiz no Livro Entre a Terra e o Céu refere-se à denominação Centros de Força para designar esses centros perispirituais. O instrutor Clarêncio, estudando a fisiologia do perispírito, explica a André Luiz a existência dos Centros de Força e os apresenta em número de 07 principais.

1) - CENTRO CORONÁRIO: 
Expressão máxima do veículo perispiritual, considerado pela filosofia hindu como sendo o lótus de mil pétalas, por ser o mais significativo em razão do seu alto potencial de radiações, de vez que nele assenta a ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. Este centro recebe em primeiro lugar os estímulos do Espírito, comandando os demais, vibrando com eles. Dele emanam as energias de sustentação do sistema nervoso e suas subdivisões. Este centro é que liga os planos espiritual e material.

Ele relaciona-se, materialmente, com a EPÍFISE.

EPÍFISE: Também denominada Glândula Pineal, está situada na região denominada Epitálamo, tem a forma de uma pinha, e é pouco conhecida pela Ciência, embora desde Galeno (201 a 130 a.C.) e na antigüidade já fosse descrita. 

Os neurologistas situam-na à frente do cerebelo, acima dos tubérculos, quadrigêmeos e por baixo do corpo caloso.

As funções do Corpo Pineal são desconhecidas, porém, a verificação de casos de puberdade precoce levou os cientistas a concluírem que a glândula tem papel importante no controle sexual no período infantil.

André Luiz, no seu livro Missionários da Luz, traduzindo a palavra do instrutor Alexandre, nos revela que a epífise é a glândula da vida mental; ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre.

A Glândula Pineal segrega hormônios psíquicos ou "unidades força" que vão atuar, de maneira positiva, nas energias geradoras. Segregando unidades-força, pode ser comparada à poderosa usina, que deve ser aproveitada e controlada, no serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade.

No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise desempenha o papel mais
importante. Através de suas forças equilibradas, a  mente humana intensifica o poder de
emissão e recepção de raios peculiares à nossa esfera.

2) - CENTRO FRONTAL OU CEREBRAL:

Responsável direto pelo funcionamento dos centros superiores do processo intelectivo, bem como do Sistema Nervoso Central (visão, audição, tato, etc). É no Centro Frontal que possuímos o comando do núcleo endócrino, referente  aos poderes psíquicos. Relaciona-se com os lobos frontais.
 
3) - CENTRO LARÍNGEO: 

É o responsável pelo funcionamento das glândulas do Timo, da Tiróide e dos órgãos responsáveis pela fala. Está relacionado materialmente com o plexo cervical.

4) - CENTRO CARDÍACO:
É responsável pelo funcionamento do coração e do aparelho circulatório e pelo controle dos sentimentos. Está materialmente relacionado com o plexo cardíaco.

5) - CENTRO GÁSTRICO:
Responsável pelo funcionamento do aparelho digestivo; pela assimilação de elementos
nutritivos e reposição de fluidos em nossa organização física. É responsável pelo controle das emoções. Relaciona-se, materialmente, com o plexo hipogástrico.

7)      - CENTRO ESPLÊNICO:

Responsável pelo funcionamento do baço, pela formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue; Relaciona-se, materialmente, com o plexo mesentérico (intestino inferior) e o baço.

8)      - CENTRO GENÉSICO OU BÁSICO:

Responsável pelo funcionamento dos órgãos de reprodução e das emoções daí advindas;
relaciona-se, materialmente, com o plexo sacro e hipogástrico.

Correlação entre o Perispírito e a Aura Psíquica ou Hálito Mental:
Todos nós, encarnados e desencarnados vivemos mergulhados no FCU. Essa substância é  absorvida automática e inconscientemente por várias portas de entrada (respiração, Centros de Força Vital - Chakras).

O FCU é absorvido e metabolizado em fluido Vital, circulando por esses diversos Centros de Forças, canalizando de acordo com o padrão vibratório de cada um, irradiando-se em torno do seu possuidor, com suas características particulares, formando o denominado "Hálito Mental" ou "aura Psíquica".

Todas as agregações celulares emitem radiações - halo energético.

No homem, essas irradiações são enriquecidas e modificadas pelos fatores do pensamento contínuo, modelando e formando a chamada Aura Humana.

A Aura é então, um espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com
sinais característicos - todas as idéias se evidenciam, como se fossem telas vivas.
Ela retrata todos os pensamentos e estados em cores e imagens.

Através da Aura é que: 
- somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores,
- somos sentidos e reconhecidos pelos nossos afins e 
- exteriorizamos o reflexo de nós mesmos sem necessidade de palavras.
Quando ela é detectada, mostra exatamente o que somos e como somos - física, psíquica e moralmente.

Por ser nossa irradiação emitida diretamente ao meio externo, através dela, comunicamos ao mundo material e espiritual, nossa faixa de vibração.

Ela não é, contudo o Perispírito, mas apenas uma emanação deste.

Segundo André Luiz, todas as agregações celulares emitem radiações. Essas radiações se  articulando formam "tecidos de força" em torno dos corpos que a exteriorizam.

No homem, semelhante projeção é profundamente enriquecida e modificada pelo "fatores do pensamento contínuo".

A Fotosfera Psíquica atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos,
retratando-nos todos os pensamentos em cores.


Propriedades do Perispírito:

Elencaremos, conforme abaixo, as principais propriedade do Perispírito:
Penetrabilidade
Irradiação ou Expansibilidade
Elasticidade
Plasticidade
Absorção

1)-  Penetrabilidade:

Uma das propriedades do Perispírito que são inerentes à sua natureza etérea é a penetrabilidade. Nenhuma matéria lhe opõe obstáculo: ele atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Daí não haver qualquer forma de obstar a entrada dos
espíritos.

Devido a esta característica, que esse envoltório do Espírito não encontra barreiras materiais  que não possa ultrapassar, adentrando, assim, ambientes hermeticamente vedados, e pela mesma razão, é atravessado sem dificuldades quaisquer em sua estrutura, pelos corpos materiais. 

Eles visitam o prisioneiro no seu calabouço com a mesma facilidade com que visitam uma pessoa que esteja em pleno campo. 

2) - Irradiação ou Expansibilidade: 

O Perispírito não fica circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica.

Pela sua expansão, põe o espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados.

A matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; é, se assim nos podemos exprimir, flexível e expansível.

O perispírito pode, sem sair do lugar, emitir para  diversas regiões o se psiquismo (pensamento).

Também pode ser observada a expansibilidade do perispírito quando o médium nas comunicações ou preparações para ela tem a sensação de que suas mãos, pés ou o corpo,
num modo geral crescem.

3) - Elasticidade:

No aspecto de sua capacidade elástica, concebemos o porquê de estando o corpo em certo lugar, possa o Espírito deslocar-se, desprender-se, munido do seu corpo sutil, viajando para toda parte, por mais distante, quando, então, se caracterizam os fenômenos de desdobramento, desprendimentos, conscientes ou não dos indivíduos. Médium de desdobramento é aquele cujo Espírito tem  a possibilidade de desprender-se e excurcionar por vários lugares, na Terra ou no mundo espiritual, a fim de colaborar nos serviços, consolando ou curando.

Podemos dizer que a elasticidade como propriedade do perispírito, é a capacidade de se
deslocar para lugares distantes sem se desligar do corpo.

4) - Plasticidade:

Graças a sua propriedade de plasticidade, que o perispírito, logra ter modificadas as suas
formas externas, consoante a ação do psiquismo da Entidade Espiritual. Convertem-se em figuras dantescas, mesmo irracionais, na hipantropia (doença mental em que o indivíduo se julga transformado em cavalo), na licantropia (suposta metamorfose do homem em lobo), ou noutra qualquer expressão zoantrópica (perturbação  mental em que o enfermo se acredita convertido num animal), dentro dos estados da mente enferma e culpada, grotesca, liberada do corpo somático. 

5) - Absorção:

Através da capacidade absorsiva, o perispírito consegue assimilar essências materiais finas, fluídicas, encharcando-se com elas, ou penetrando-se de fluidos espirituais os mais diferenciados, que oferecem ao Espírito, temporariamente, certas sensações como se estivessem encarnados.

Não é por outra causa que entidades desencarnadas,  ainda em estágios grosseiros de evolução, exigem dos que se põem em suas faixas vibratórias, comidas e bebidas para a sua satisfação pessoal, como recompensa ou pagamento pelas "ajudas" que prometem prestar.

Os Espíritos não comem, nem bebem, conforme o entendimento humano comum, por faltar-lhes a aparelhagem orgânica para isso, Não obstante, absorvem as essências finas que entretêm a vitalidade e gozam os prazeres mais estranhos por meio dessas propriedades valiosas que, por enquanto, não sabem valorizar.


Observações com relação ao Perispírito:

* Qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um
perispírito.

* União do Espírito com o corpo na Encarnação: - Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. A medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito que possui certas propriedades da matéria se une, molécula a molécula, ao corpo em formação (grifo nosso), donde podemos dizer que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. 

* A Separação Espírito – corpo: - Considerando-se o que foi citado acima, agora, por um efeito contrário, a união do Perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então o Perispírito  se desprende, molécula a molécula (grifo nosso), conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade.

* Atuação do Espírito sobre a matéria: - Durante a sua encarnação, o Espírito atua sobre a matéria por intermédio do seu corpo fluídico ou Perispírito, dando-se o mesmo quando ele não está encarnado. 
 
* Aparência da última encarnação: - Quando um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, o faz com as aparência que tinha quando vivo na época em que este o conheceu, embora, depois dessa época, muitas encarnações. Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores, as enfermidades, cicatrizes.  Com isso não se quer dizer que haja conservado essas aparências; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais características, seu Perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento deixa de agir naquele sentido. Se, pois, de uma vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que ser refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento. 

Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos de que esteja
habituado a usar. Um avarento manuseará ouro, um militar trará suas armas e seu uniforme, outros, seus objetos característicos como, óculos, cachimbo, brincos, etc.

* Formas Ovóides: - Complementando o que já foi visto, dentro das propriedades do Perispírito - Plasticidade, é importante a menção das chamadas formas ovóides. Lamartine Palhano Jr. No seu Dicionário de Filosofia Espírita, nos apresenta as seguintes definições:

Ovoidização: - Definhamento do corpo espiritual; transformação em ovóide.

Ovóide: - (semelhante ao ovo, forma de ovo). Formação atípica do Perispírito causada por um forte monoideísmo de Espíritos que se mantém em idéias fixas, alienando-se dos mais simples cuidados de integridade pessoal. Há um definhamento do corpo espiritual, com miniaturização.

Esse fenômeno pode ocorrer também sob o domínio hipnótico de entidades experientes, não só por questões de ordem inferior, mas também para determinadas operações, como nos preparativos reencarnatórios. 

Encontramos no Livro Libertação ditadas pelo Espírito André Luiz, ao médium Francisco Cândido Xavier, no cap. XI, intitulado "Valiosa Experiência", o seguinte relato: "Acercando-nos de acolhedora poltrona, em que um cavalheiro de idade madura,
dando mostras de evidente moléstia nervosa, permanecia ladeado por dois rapazes. Suor frio lhe banhava a fronte e extrema palidez, com traços de terror, lhe exteriorizava a lipotimia. Revelava-se torturado por visões pavorosas no campo íntimo, somente acessível a ele mesmo. Registrei-lhe as perturbações cerebrais e vi, sob forte assombro, as várias  formas ovóides (grifo nosso), escuras e diferenciadas entre si, aderindo-lhe à organização perispirítica."


Abraços Fraternos!

Colaboração: Luciana Gomes



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