Introdução:
Encontramos em O Livro dos
Espíritos (1.857), na Parte Segunda, o Capítulo VI que trata da Vida Espírita.
Nesse capítulo, são trazidos ao
nosso conhecimento importantes situações relacionadas com o retorno do Espírito
ao Mundo Normal Primitivo ou Mundo dos Espíritos, bem como as condições em que os mesmos se encontram.
Espíritos Errantes:
Separado do corpo físico, pela
desencarnação, o Espírito, na maioria das vezes, reencarna depois de intervalos
mais ou menos longos. Nesses intervalos, entre as encarnações, a alma se
encontra na condição de "Espírito Errante" à espera de um novo
destino.
Esses intervalos entre as
encarnações podem durar desde algumas horas, até alguns milhares de séculos,
não existindo , neste sentido, limite determinado.
Erraticidade:
Podemos defini-la como sendo o
estado dos Espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante os intervalos de
suas diversas existências corpóreas.
A erraticidade mesmo sendo muito
longa, nunca é perpétua. Após determinado período, o Espírito voltará a uma
existência apropriada a seu aprendizado e aperfeiçoamento.
A erraticidade não é sinal
absoluto de inferioridade para os Espíritos. Há Espíritos errantes de todas as
classes, salvo os da Primeira Ordem ou Espíritos Puros, que não necessitam mais
sofrer encarnações.
Situação dos Espíritos Errantes:
Os Espíritos errantes são felizes
ou desgraçados, segundo o grau de sua purificação. Tal
felicidade está em
correspondência como grau de desmaterialização que hajam alcançado.
Os espíritos errantes que ainda
não se desprenderam da matéria, ficam vinculados ao mundo onde acabaram de
desencarnar. Poderão visitar outros mundos do mesmo grau, bem como, em havendo
permissão e acompanhamento, ir a mundos
superiores, mas na condição de estrangeiro. Podem entrevê-los e aspirar
melhoria própria para habitá-los um dia. Os espíritos superiores (purificados)
freqüentemente vão a mundos inferiores para auxiliar o seu progresso.
É nesse estado que o Espírito,
tendo despido o véu material do corpo,
reconhece suas existências anteriores e os erros que o afastam da perfeição e
da felicidade infinita. É então, igualmente, que ele escolhe novas provas, a
fim de avançar mais depressa.
Nos mundos superiores a
reencarnação é quase sempre imediata, porque a matéria corporal é menos grosseira e os Espíritos gozam de todas
as suas faculdades.
A importância da Erraticidade para os
Espíritos:
Os A duração do intervalo entre
as encarnações dependerá do livre-arbítrio do Espírito, mas para alguns constituirá em uma provação.
Outro motivo pode ser também,
estudos que só na condição de Espírito podem efetuar.
Observam ocorrências nos
ambientes que percorrem e ouvem os conselhos de espíritos mais elevados,
adquirindo assim novas idéias. Eles progridem dependendo de sua vontade e
desejo, mas, somente na existência corporal é que eles poderão colocar em
prática as idéias adquiridas.
Classificação dos Espíritos de acordo com o
estado em que se encontram:
Quanto as qualidades íntimas, os
espíritos são de diferentes ordens ou graus, que vão se sucedendo à medida que
evoluem. Com relação ao estado em que se encontram, podem ser assim
considerados:
Espíritos Encarnados -
Encontram-se ligados a um corpo físico;
Espíritos Errantes - Encontram-se
desligados do corpo material e aguardando nova
encarnação para se melhorarem.
Espírito Puros - Não necessitam
mais de reencarnações. (somente quando em missão).
Mundos Transitórios:
Há mundos que servem de estações
ou pontos de repouso aos Espíritos errantes. São habitações temporárias, campos
onde descansam como as aves que pousam numa ilha para refazerem forças e
seguirem seu rumo. São mundos intermédios, graduados de acordo com a natureza
dos Espíritos que a eles podem ter acesso.
Os Espíritos que habitam esses
mundos podem deixá-los a fim de seguirem para onde devam ir. Enquanto permanecem
nesses mundos transitórios os Espíritos progridem para mais facilmente passarem
a mundos melhores e chegarem à perfeição. Os mundos transitórios não se
conservam perpetuamente, destinados aos Espíritos errantes, tal condição é
temporária.
Esses mundos não são habitados
pôr seres corpóreos, pois sua superfície é estéril. A Terra, durante o período
de sua formação, já pertenceu à categoria de mundo provisório, pois nada é inútil
na natureza.
Sorte das crianças depois da morte:
O Espírito de uma criança que
morreu em tenra idade, pode ser tanto ou mais elevado do que o de um adulto.
Pode já ter vivido muito mais e adquirido maiores conhecimentos. É muito comum,
o Espírito de uma criança ser muito mais evoluído do que de seus pais.
O Espírito de uma criança que
morreu precocemente pertencerá à categoria que tivera anteriormente, pois se
não fez o mal, não fez também o bem e não está isento das provas para adiantamento.
A curta duração da vida da criança pode representar para o espírito encarnado, o
complemento de uma existência precedentemente interrompida antes do momento que
devia terminar; e sua morte também não raro, constitui provação ou expiação
para os pais.
Quando acontece morrer durante a
infância, ele recomeçará outra existência como todos os espíritos que não
alcançaram a perfeição. Se existisse apenas uma única encarnação, quem morresse
na infância gozaria de felicidade eterna sem esforços.
Com a reencarnação a igualdade é
real. Cada um tem o merecimento, bem como a responsabilidade pêlos seus
atos.
Observamos instintos tão diversos
em crianças da mesma idade e educados nas mesmas
Vemos a precoce perversidade,
quando a educação em nada constituiu para isso.
As que se revelam viciosas é
porque seus espíritos pouco progrediram.
Percepções, Sensações e Sofrimentos dos
Espíritos:
A alma, retornando ao Mundo dos
Espíritos, conserva as percepções que tinham quando na Terra. Terá ainda outras
percepções de que não dispunha pôr causa do corpo físico que a obscurecia.
Quanto mais se aproximam da perfeição, mais percepções e conhecimentos eles têm.
Os Espíritos Superiores sabem
muito e os imperfeitos são mais ou menos ignorantes acerca de tudo.
Conforme se efetive a elevação e
a pureza, mais condições vão tendo de conhecer o princípio das coisas. Os das
ordens inferiores não sabem mais do que os homens.
Percepção do tempo
Os espíritos não concebem o tempo
como nós o compreendemos. A duração do tempo deixa de existir. Os séculos, tão
longos para nós, não passam para eles de instantes que se movem na eternidade.
Percepção do presente
Os espíritos podem fazer do
presente mais precisa e exata idéia do que nós, dependendo do grau de elevação
a que tinham alcançado.
Percepção do passado
Como os desencarnados já se
desvencilharam do véu material que nos tolda a inteligência, eles poderão ter
melhor conhecimento do passado. Mas nem tudo sabem, a começar de sua própria
criação. O passado para eles é presente.
Percepção do futuro
Seu conhecimento do futuro
dependerá de seu grau evolutivo. Muitas vezes entrevêem o
futuro, porém nem sempre lhes é
permitido revelá-lo. Quando o vêem parece-lhes presente, e à medida que se
aproxima de Deus mais claramente vê o futuro.
Percepção de Deus
Só os espíritos superiores podem
ver e compreender a Deus. Os inferiores
(imperfeitos) o sentem e adivinham. Quando um espírito menos elevado diz que
Deus lhe proíbe ou permite uma coisa, ele sente a soberania de Deus, não o vê,
sabe pôr intuição. Para se comunicar com Deus é preciso ser digno disso. Deus
transmite suas ordens pôr intermédio dos espíritos imediatamente superiores em perfeição
e instrução.
Percepção visual
Os espíritos não tem circunscrita
a visão como nos seres corpóreos. Ela reside em todo ele, vêem pôr si mesmos
sem precisarem de luz exterior. Como o espírito pode se transportar onde queira
com a rapidez do pensamento, pode-se dizer que vê em toda parte ao mesmo tempo.
Quanto menos evoluído é o
espírito, mais limitada é a sua visão. Dependendo de sua pureza, seu pensamento
poderá se irradiar para muitos pontos diferentes. A faculdade de ver é uma propriedade
inerente à sua natureza e reside em todo o seu ser, da mesma forma que a luz reside
em todas as partes de um corpo luminoso.
Percepção sonora
Assim como a visão, a audição é
uma percepção inerente ao ser. Quando encarnado, tais
percepções chegam pelo conduto
dos órgãos. Quando o espírito está livre, deixam de estar localizadas e
percebem até aqueles que para nós são imperceptíveis. Do ponto de vista geral,
o espírito vê e ouve o que quer, ressalvando que os imperfeitos vêem e ouvem a
seu mau grado, o que lhes possa ser útil ao aperfeiçoamento.
Percepção musical
A música possui infinitos
encantos para os espíritos, pôr terem eles muito desenvolvidas as qualidades
sensitivas. A música celeste é o que tem de mais belo e delicado que a
imaginação espiritual possa conceber.
Percepção das belezas naturais
Os espíritos são sensíveis às
belezas da natureza de acordo com as aptidões que tenham para apreciá-las e
compreendê-las.
Percepção dos sofrimentos
As nossas necessidades e
sofrimentos físicos eles não o experimentam materialmente como nós pois são
espíritos. Eles os conhecem porque os sofreram. Seus sofrimentos são as angústias
morais que os torturam dolorosamente.
Sensações de fadiga e repouso
Em relação à fadiga e ao repouso,
não os sofrem como nós, pois não possuem órgãos cujas forças devam ser
reparadas. O repouso é no sentido de não estar em constante atividade, sua ação
é toda intelectual e seu repouso é inteiramente moral. A espécie de fadiga que
os espíritos sentem está em relação à sua inferioridade (materialidade). Quanto
mais elevados, menos precisam de repouso.
Sensações de frio e calor
O frio e o calor que dizem sentir
é reminiscência do que padeceram durante a vida, e que pode ser tão penosa
quanto à nossa realidade. É uma espécie de comparação para expressarem sua
situação. Essas sensações não podem ter ação física, pois nem o frio e nem o
calor podem desorganizar os tecidos da alma, pois ela não pode congelar-se e
nem queimar-se.
Ensaio Teórico das Sensações e Percepções nos
Espíritos:
As sensações e percepções dos
espíritos são diferentes conforme seu grau de evolução e o estado de encarnação
ou desencarnação em se encontram.
Espírito encarnado
O espírito no estado de
encarnação possui três componentes:
1 - Alma, princípio inteligente,
onde tem sede o senso moral.
2 - Corpo físico, material que
revestirá temporariamente.
3 - Perispírito, envoltório
fluídico semimaterial que liga a alma ao corpo físico.
Durante a vida corporal o
perispírito fica reduzido em suas percepções e sensações, tais
limitações se fazem necessárias.
A visão, audição, tato são enormemente
restringidas, e os conhecimentos adquiridos ressurgem como intuição e
tendências.
Espírito Desencarnado
O perispírito é o agente das
sensações exteriores que são localizadas no corpo físico, através dos órgãos.
Quando não há mais corpo físico, estas sensações se tornam gerais. A alma tem pois
em si mesma a faculdade de todas as percepções. Estas, na vida corpórea, se vão
desanuviando à medida que o invólucro semimaterial se eteriza ou seja, o espírito vai se purificando.
Tanto os espíritos superiores,
como os inferiores, não ouvem ou não sentem senão o que
queiram. Podem tornar ativas ou
nulas suas percepções. Uma só coisa são obrigados a ouvir: o conselho dos bons.
A vista é sempre ativa, mas podem se fazer invisíveis uns aos outros.
Ocultam-se dos que são
inferiores, não dos superiores. Quanto a extensão da visão através do espaço
infinito, do futuro ou do passado, depende do grau de pureza e elevação
espiritual.
O sofrer dos espíritos resulta
dos laços que ainda os prendem à
matéria. Quanto mais desmaterializados, menos sensações dolorosas sentirão.
Tem, portanto, o livre arbítrio para purificarem-se, nutrindo bons sentimentos
praticando o bem e não ligando às coisas deste mundo importância que não
mereçam. A outra vida será feliz para os que seguirem caminho do bem.
O destino é construção própria de
cada um.
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Bibliografia:
[1]
Apostila do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - Federação Espírita
Brasileira –
Unidade 04, subunidade 1, Roteiro
12 e subunidade 2, roteiro 13.
[1]
Apostila do PBDE – Programa Básico de Doutrina Espírita – 5.ª sessão – Centro
Espírita
Luz Eterna.
[1]
O Livro dos Espíritos – Parte 2.ª, capítulo VI – Da Vida Espírita.
[1]
O Principiante Espírita – Solução de alguns problemas pela Doutrina Espírita.
[1]
O Fenômeno Espírita – Cap. A Doutrina Espírita - Gabriel Delanne.
[1]
Depois da Morte – Cap. A Erraticidade - Léon Denis.
Abraços fraternos!
Colaboração: Luciana Gomes
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