Diferentes Ordens de Espíritos
A
classificação dos Espíritos se baseia no seu grau de adiantamento, nas
qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de
despojar-se.
Esta
classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada
categoria apresenta caráter definitivo. Podem, pois, formar-se maior ou menor
número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão.
Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que
podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos
cômodos para a inteligência.
Assim,
é natural que inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos divergido quanto
ao número das categorias, sem que isto tenha valor algum. Entretanto, não
faltou quem se agarrasse a esta contradição aparente, sem refletir que os
Espíritos nenhuma importância ligam ao que é puramente convencional. Para eles,
o pensamento é tudo. Deixam-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as
classificações, numa palavra, os sistemas. Devemos ainda considerar que se não
deve jamais perder de vista, a de que entre os Espíritos, do mesmo modo que
entre os homens, há os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as
cautelas que se tomem contra a tendência a crer que, por serem Espíritos, todo
devam saber tudo.
Os
Espíritos em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes
divisões. Na última, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos
imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e
pela propensão para o mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do
Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A
primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo
da perfeição.
Com o
auxilio desse quadro, fácil será determinar-se a ordem, assim como o grau de superioridade
ou de inferioridade dos que possam entrar em relação conosco e, por conseguinte,
o grau de confiança ou de estima que merecem.
Terceira
Ordem – Espíritos Imperfeitos:
Predominância
da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo
e todas as paixões que lhes são conseqüentes. Têm a intuição de Deus, mas não o
compreendem. Uns não fazem o bem nem o mal; mas pelo simples fato de não
fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade. Outros, ao contrário, se
comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.
Na linguagem de que usam se lhes revela o caráter.
Todo
Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento, pode ser
classificado na terceira ordem. Conseguintemente, todo mau pensamento que nos é
sugerido vem de um Espírito dessa ordem Podem compor cinco classes principais:
Espíritos Impuros , Levianos, Pseudos-Sábios,
Neutros, Batedores e Perturbadores.
1) - Espíritos Impuros – São inclinados
ao mal, de que fazem objeto de suas
preocupações. Ligam-se a homens de caráter bastante fraco para cederem
às suas sugestões, a fim de induzi-los à perdição.
2) - Espíritos Levianos – São ignorantes,
maliciosos, irrefletidos e zombeteiros. Gostam de causar pequenos desgostos e
ligeiras alegrias, de intrigar, de induzir maldosamente em erro, por meio de
mistificações e de espertezas.
3) - Espíritos Pseudo-Sábios – Dispõem de
conhecimentos bastante amplos, porém, crêem saber mais do que realmente sabem.
4) - Espíritos Neutros – Nem bastante
bons para fazerem o bem nem bastante maus para fazerem o mal. Apegam-se às coisas deste mundo, de cujas grosseiras
alegrias sentem saudades.
5) - Espíritos Batedores e Perturbadores – Estes
Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas suas
qualidades pessoais. Podem caber em todas as classes da terceira ordem.
Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como
pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar,
etc.
Segunda
Ordem - Bons Espíritos
Predominância
do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem
estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm
ciência, outros a sabedoria e a bondade. Compreendem Deus e o infinito e já
gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que
impedem. O amor que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a
pertubá-la nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das más paixões que
constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos . Todos, entretanto, ainda têm
que passar por provas, até que atinjam a perfeição. Quando encarnados, são bondosos e
benevolentes com os seus semelhantes. Não os movem o orgulho, nem o egoísmo, ou
a ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo
bem.
A
esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, pelos nomes
de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Em épocas de superstições
e de ignorância, eles hão sido elevados à categoria de entidades benfazejas.
Ainda podem ser divididas em quatro grupos principais:
1. - Espíritos benévolos – A bondade neles é qualidade dominante. Hão progredido
mais no sentido moral do que intelectual.
2. - Espíritos Sábios – Distinguem-se pela amplitude de seus conhecimentos.
Entretanto, só encaram a ciência do ponto de vista da sua utilidade e jamais
dominados por quaisquer paixões próprias
dos Espíritos imperfeitos.
3. – Espíritos de Sabedoria – As qualidades
morais da ordem mais elevadas são o que os caracterizam.
4. - Espíritos Superiores – Esses em si
reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Sua superioridade os torna mais
aptos do que os outros a nos darem noções exatas sobre as coisas do mundo
incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. Afastam-se
daqueles que só a curiosidade impele, ou que, por influência da matéria, fogem
à prática do bem.
Quando,
por exceção encarnam na terra, é para cumprir missão de progresso e então nos
oferecem
o tipo da perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo.
Primeira Ordem - Espíritos Puros
Nenhuma
influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação
aos Espíritos das outras ordens .
1) -
Classe Única: Os Espíritos que a compõe percorreram todos os graus da escala e
se
despojaram
de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível
à criatura, não tem mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos
à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.
Gozam
de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem
às vicissitudes da vida material. Comandam a todos os Espíritos que lhes são
inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas
missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação
das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, constitui para
eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos nomes de anjos,
arcanjos ou serafins.
Podem
os homens pôr-se em comunicação com eles, mas extremamente presunçoso seria aquele
que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.
Progressão dos Espíritos
Todos
os Espíritos que povoam o Universo foram criados por Deus simples e ignorante,
sem nenhum conhecimento e são destinados
à perfeição. É nesse estado de perfeição que eles encontram a pura e eterna
felicidade, decorrente do pleno conhecimento das leis que regem a vida e de sua
plena vivência.
Entre
estes dois extremos, a criação e a destinação, existe um caminho que cabe a
todos os Espíritos trilhar e que representa a conquista gradativa desses
conhecimentos. Deus propicia a todos os meios necessários para essa conquista,
criando, inclusive, necessidades aos Espíritos que, para atendê-las, precisam
agir. É através dessa ação que os espíritos progridem, conquistam os
conhecimentos e desenvolvem os sentimentos, adquirindo, assim, gradativamente,
as virtudes que lhes propiciarão chegar ao estado de perfeição.
Deus
não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem
todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma
de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem,
tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou
infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.
Por
ai se observa a lei de liberdade regendo o progresso dos Espíritos.
Através
de seu trabalho e com o uso do livre-arbítrio o Espírito vai, de forma
voluntária
e
consciente, conquistando as virtudes que não possui e desfazendo-se das sua imperfeições.
Forma e
Ubiqüidade dos Espíritos
Encontramos
em O Livro dos Espíritos, na Parte Segunda, Capítulo Primeiro no subtítulo
Forma e Ubiqüidade dos Espíritos, a
questão 88, onde se indaga: "Os Espíritos têm forma determinada, limitada
e constante? a que os Espíritos Superiores, que lançaram as bases da Doutrina
Espírita, respondem: " Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se
quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea."
Em
face de outra indagação, complementar á primeira, "essa chama ou centelha
tem cor? ao que eles esclarecem; tem uma coloração que, para vós, vai do
colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o
Espírito é mais ou menos puro."
Observa-se,
nas duas respostas, que os Espíritos procuram estabelecer uma comparação,
embora pálida, do que existe no plano espiritual, quanto a forma e a cor dos Espíritos, com as limitações do nosso mundo
físico e dos nossos sentidos. Fica claro que os Espíritos têm forma e cor, mas
só por alto se pode comparar com a forma e a cor que estamos, como seres
encarnados, acostumados a observar.
A
alma assiste, pois, a espetáculos que não temos meios de descrever: ouve
harmonias que nenhum ouvido humano tem apreciado, move-se em completa oposição
às condições de viabilidade terrestre. O Espírito liberto das cadeias do corpo
não tem mais necessidade de alimentar-se, não se arrasta mais pelo solo: a
matéria imponderável de que é formado permite-lhe transportar-se para os mais
longínquos lugares com a rapidez de um
relâmpago, e, segundo o grau do seu
adiantamento moral, suas ocupações espirituais afastam-se mais ou menos das
preocupações que nutria na Terra.
Ubiqüidade dos Espíritos
Questionados
se os Espíritos têm o dom da ubiqüidade, isto é, se um Espírito pode
dividir-se, ou estar em muitos pontos ao
mesmo tempo (questão 92 de O Livro dos Espíritos), os Orientadores Espirituais,
que ditaram a codificação, respondem: "Não
pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas, cada um é um centro que irradia
para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares
ao mesmo tempo.
Vês o
Sol ? É um somente. No estando, irradia em todos os sentidos e leva muito longe
os seus raios. Contudo, não se divide."
Observa-se,
desta forma, que os Espíritos são indivisíveis; constituem uma unidade que não pode
ser fracionada. Podem ser percebidos em mais de um lugar por efeito de seu
poder de irradiação, poder esse que é maior ou menor, dependendo "do grau de
pureza de cada um."
Isto
nos permite compreender um fenômeno muitas vezes constatado, em que se registra
a presença de Espíritos Superiores em diversos lugares ao mesmo tempo. O
fenômeno da ubiqüidade guarda, de certa forma, relação com o da bicorporiedade.
O
fenômeno da bicorporiedade ocorre estando o Espírito encarnado. Uma pessoa
encontrando-se adormecida, ou num estado mais ou menos extático, pode seu
Espírito, desligado do corpo, aparecer, falar e mesmo tornar-se tangível a
outras pessoas, em outros lugares. No fenômeno da ubiqüidade, como foi dito
cima, o Espírito não se divide para estar em lugares diferentes.
"Irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos
pontos, sem se haver fracionado. Dá-se o que se dá com a luz, que pode
refletir-se simultaneamente em muitos espelhos."
É
verdade que, quanto mais evoluído é o Espírito, maior é o seu poder de
irradiação, mais potente é o seu dom de ubiqüidade.
Abraços fraternos!
Colaboração: Luciana Gomes
Colaboração: Luciana Gomes
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