terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Estudo Teórico-Pratico da Doutrina Espírita - Unidade 01 - Deus

Tema: Deus
Introdução;Deus Criador;Definição de Deus; Da Natureza Divina; Atributos de Deus; Provas da Existência de Deus; A Providência Divina; O Infinito e o Espaço Universal; Materialismo e Panteísmo.

 Introdução:
Toda doutrina tem os seus princípios básicos que vão fundamentando os demais
princípios, em uma seqüência lógica.
Em se analisando os princípios da Doutrina Espírita, encontramos em primeiro
lugar, o princípio da existência do Eterno Criador.

 Deus Criador:
Deus é o criador de tudo o que existe.
_ de todas as criaturas;
_ da Natureza;
_ do Universo, com todas as suas leis harmônicas.

 Definição de Deus:
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, propõe, na primeira pergunta de
"O Livro dos Espíritos" (primeira obra da codificação, editado em 1.857), uma
questão direta sobre a Divindade: "Que é Deus ?" Cabe observar-se que Allan
Kardec, intencionalmente, pergunta "Que é Deus?", ao invés de "Quem é Deus?",
justamente para não induzir a uma personificação ou uma idéia antropomórfica, ou
seja, que lembra o aspecto ou a forma de um homem. Perguntado "Que é Deus?",
ele busca a sua essência. E a espiritualidade, nos proporciona a mais clara,
sintética e precisa definição que conhecemos até hoje: "Deus é a inteligência
suprema, causa primária de todas as coisas".

Da Natureza Divina:
No atual estágio de evolução que se encontra o ser humano, não lhe é possível
compreender a natureza íntima de Deus.
Conforme verificamos em "A Gênese" (quinta obra da codificação, editada em
1.868), cap. II, item 8, há as seguinte referências à natureza Divina:
"Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo,
ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa
depuração do Espírito."
Deus entendido como nosso Pai:
A idéia de Deus como sendo o nosso Pai, nos foi trazida por Jesus. Podemos
encontrar em "A Gênese" (quinto livro da Codificação Espírita/1.868), no cap. I, item
23 essa referência: "A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de
fonte primária, de pedra angular de toda a sua doutrina, é o ponto de vista
inteiramente novo sob que considera Ele a Divindade ... Um Deus clemente,
soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia ... O Pai comum do gênero humano que estende a sua proteção por todos os seus filhos e os chama
todos a si ...".
Encontramos ainda, no item 25: "Toda a doutrina do Cristo se funda no caráter que
Ele atribui à Divindade. Como um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e
misericordioso, ele fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a
condição indeclinável da salvação, dizendo: Amai a Deus sobre todas as coisas e o
vosso próximo como a vós mesmos; nisto estão toda a lei e os profetas...".
Atributos de Deus: Primeiro momento.
Na infância da Humanidade, confundiram os homens o Criador com as criaturas,
cujas imperfeições lhe eram atribuídas. Mas, a medida em que o senso moral se
desenvolver, terão os homens melhores condições de entender a essência das
coisas e, como conseqüência, poderão fazer uma idéia mais justa da Divindade.
No momento atual, é importante que sintamos Deus como o nosso Pai Criador,
soberanamente justo, bom e misericordioso.
Podemos de um modo geral, em um primeiro momento, elencar como atributos de
Deus:
1. AMOR – Como Pai, ama seus filhos providenciando para que a
natureza possa prover nossas necessidades. Nos dá a inteligência
para o nosso progresso.
2. SABEDORIA - Leis sábias e justas que regem todas as relações,
todas as coisas, todo o Universo.
3. JUSTIÇA – Ele nos criou para progredirmos sempre. Ele nos concede
pela Reencarnação (processo através do qual é concedido ao Espírito
uma nova oportunidade de retornar a um novo corpo físico,
especialmente preparado para ele) o ensejo de corrigirmos erros e
imperfeições, de quitarmos débitos e continuarmos o aprendizado
rumo à perfeição que é a nossa meta final.
Atributos de Deus: Segundo momento.
Aprofundando um pouco mais a análise, e de acordo com a conceituação espírita,
podemos elencar como atributos de Deus:
Deus é a suprema e soberana inteligência:
Antes de analisarmos este atributo de Deus, é importante compreender o
significado de duas palavras:
Suprema - s. f. Superioridade; poder ou autoridade suprema;
preponderância; proeminência; hegemonia; primazia. (De supremo.)
Soberana: 1. adj. Que ocupa o primeiro lugar; o mais elevado ou graduado
em seu gênero; que se acha revestido de autoridade suprema; que exerce
um poder supremo, sem restrição nem neutralização; absoluto; magnífico;
supremo; (Do b. lat. superanu.)
Pela análise das palavras, já podemos ter uma idéia da inteligência Divina.
A inteligência do homem é limitada, pois que não pode fazer, nem compreender
tudo o que existe.
A inteligência de Deus, abrangendo o infinito, é também infinita. Se a sua
inteligência fosse limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante.
Deus é eterno:
Devemos entender como eterno o que não teve princípio, nem terá fim.
Se Deus tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido
criado, por um ser anterior e, nesse caso, esse ser é que seria Deus.
Deus é único:
A unicidade de Deus é conseqüência do fato de serem infinitas as suas perfeições.
A ignorância deste atributo de Deus, foi o que gerou o politeísmo (crença em vários
deuses), culto adotado pela maioria dos povos primitivos, que davam o atributo de
divindade a todo poder que lhes parecia acima dos poderes inerentes à
humanidade.
Deus é imutável:
Entendemos como imutável, o que não se altera.
Se Deus estivesse sujeito a mudanças/alterações, por influenciações outras,
poderíamos supor que aquilo que o está influenciando, lhe poderia ser equiparado
e, se assim fosse, a sua inteligência não seria suprema nem soberana. Além do
que, se Deus estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis
que regem o Universo.
Deus é imaterial:
Assim o podemos dizer porque a sua natureza difere de tudo o que "chamamos
matéria". Se a sua natureza fosse material, ele estaria sujeito às próprias
transformações da matéria (o que seria contraditório ao seu atributo de
imutabilidade).
Deus não tem uma forma apreciável aos nossos sentidos, pois se assim fosse,
seria matéria. No entanto, todos nós já ouvimos expressões do tipo "a mão de
Deus", "os olhos de Deus", "o braço de Deus", etc. Nestes casos, é que o homem,
ainda nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de
comparação para tudo o que não compreende. Logo, a imagem de Deus,
representada pela figura de um ancião, de longas barbas brancas e envolto num
manto, é uma concepção puramente humana, não correspondendo em nada com a
sua real natureza.
Segundo "A Gênese", cap. II, item 12, esta imagem tem até o inconveniente de
rebaixar o Ente Supremo até as mesquinhas proporções da Humanidade.
Deus é onipotente:
Mais uma vez, busquemos no dicionário a significação desta palavra:
Onipotente: 1. adj. 2 gên. Que tem poder ilimitado; Todo-Poderoso. (Do lat.
omnipotente.)
2. s. m. Deus.
Se Deus não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma
entidade tanto ou mais poderosa do que Ele. Todo o poder está em Deus.
Deus é soberanamente justo e bom:
A providencial sabedoria das Leis Divinas, se revela das pequeninas, às maiores
coisas.
A soberana bondade implica na soberana justiça, porquanto, todos os seres foram
criados da mesma forma, não havendo parcialidade, nem tratamento diferenciado
com relação a qualquer de suas criaturas.
Deus é infinitamente perfeito:
É impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria
Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse.
Sendo infinitos os atributos de Deus, não são suscetíveis nem de aumento, nem de
diminuição.
Esses são os atributos principais, podendo, no entanto, ser mencionados ainda
outros, porém como derivações ou já subentendidos nos anteriores.
Desta forma, temos que: Deus é Onisciente: - adj. 2 gên. Que tudo sabe; cujo saber
é ilimitado; Deus é Onipresente: no sentido de que se encontra em todos os
lugares, etc.
Em "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, na questão n.º 11, indaga: "Será dado um
dia ao homem compreender o mistério da Divindade?", a que os Espíritos
responderam: "Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando,
pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá."
Então, na própria idéia de Deus, com essência puramente espiritual, e na
possibilidade de um dia chegar a vê-LO e compreendê-LO – quando se tornar
Espírito puro e perfeito – está delineada para o homem, toda uma perspectiva de
trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo
espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até conquistar um
puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-O,
ouvindo-O e compreendendo-LHE a Divina Vontade.
_ Provas da Existência de Deus:
No conjunto imenso de mundos e coisas que constituem o Universo, tal é a
grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que, tudo isso, pairando
infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se à Onipotência
criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo
que existe.
Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo
depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não
pode ainda a espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina.
Pode, entretanto o homem, ainda no estágio de relativa inferioridade em que se
encontra, ter convincentes provas de que Deus existe, mas advindas por dois
outros caminhos, que transcendem aos dois sentidos: o da razão e o do sentimento.
Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo
imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a
marcha dos mundos inumeráveis; olhando ainda os seres da natureza, os minerais
com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, a
fragrância das flores, a variedade quase infinita de plantas, o reino animal em toda
a sua beleza; sondando também o mundo microscópio com incontáveis formas
unicelulares. Toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus,
como causa necessária. Mas se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso
próprio corpo, quanta harmonia também divisaremos na nossa roupagem física, nas
funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito. Nas
maravilhas que são os nosso sentidos. Toda essa perfeição, a harmonia da
natureza humana e do mundo exterior ao homem, só pode ser criação de um Ser
Supremamente inteligente e sábio, o qual chamamos Deus.
No entanto, é pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o homem pode
compreender a existência de Deus. Há no homem, desde o mais primitivo até o
mais civilizado, a idéia inata da existência de Deus.
A Doutrina Espírita, tem na existência de Deus o princípio maior e Ele se encontra
por isso mesmo, na base da Doutrina.
Encontramos em "O Livro dos Espíritos", nas questões 04 à 09, o subtítulo "Provas
da existência de Deus".
A questão n.º 04 é muito esclarecedora: "Onde se pode encontrar a prova da
existência de Deus? – a que a espiritualidade responde: "Num axioma que aplicais
às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é
obra do homem e a vossa razão responderá.
E complementa Kardec à título de observação, com relação a essa questão: "Para
crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da criação. O Universo
existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito
tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
León Dennis, no seu Livro "Depois da Morte", no capítulo que trata do Universo e
Deus, nos relata:
"O telescópio sonda os céus, em parte alguma do Universo encontra limites;
sempre mundos sucedendo a mundos, e sóis a sóis; sempre legiões de astros
multiplicando-se, a ponto de se confundirem em poeira brilhante nos abismos
infindáveis do espaço ..."
"E o corpo humano não é uma laboratório vivo, um instrumento cujo mecanismo
chega à perfeição? ..."
"O espetáculo da Natureza, o aspecto dos céus, das montanhas, dos mares,
apresentam ao nosso espírito a idéia de um Deus oculto no Universo ..."
"A razão, igualmente nos fala de Deus. Os sentidos fazem-nos conhecer o mundo
material, o mundo dos efeitos: a razão revela-nos o mundo das causas ..."
"Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras ..."
E, no Livro "A Gênese", Cap. II – Deus, nos é ensinado que:
"A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação,
como pela evidência material dos fatos."
_ A Providência Divina:
Providência é a suprema sabedoria com que Deus conduz todas as criaturas.
Providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda
parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais ínfimas. É nisto que consiste
a ação providencial.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar
do alto da imensidade. As nossas preces, para que Ele as ouça, não precisam
transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de
contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.
Examinemos esta questão através de um modo figurado:
A natureza inteira está mergulhada no fluido Divino, logo tudo e todos estamos
imersos nesse fluido. O ser, por mais ínfimo que seja, está saturado desse fluido
Divino. Achamo-nos então, desta forma, constantemente, na presença da
Divindade; nenhuma de nossas ações foge ao seu conhecimento; o nosso
pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo pois,
razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos sentimentos no nosso coração.
Por isso é que dizemos que Deus está em toda parte, na Natureza, em todos os
lugares. Assim como o Espírito está em todas as partes do corpo – todas as células
do corpo estão em contato com o ser espiritual, todos os elementos da criação, se
acham em relação constante com Ele.
Um membro se agita: o Espírito o sente; uma criatura pensa: Deus o sabe. As
diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente:
Deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe diz respeito.
A ação de Deus de desvela no Universo, tanto no mundo físico quanto no mundo
moral e não há um único ser que não seja objeto de sua solicitude.
O Infinito e o Espaço Universal:
O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos,
todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço,
assim como os fluidos que o preenchem. O espaço universal é infinito e nele não
existe o vácuo.
Em "O Livro dos Espíritos", questão n.º 35 é indagado à Espiritualidade se o espaço
universal é infinito ou limitado, ao que Eles respondem: "Infinito. Supõe-no limitado:
que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto,
a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em
todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que voz achais que podereis
compreendê-lo."
Por esta resposta, está bem claro que o espaço é Infinito. Que se deve, entretanto,
entender por infinito? Disseram-nos também os Espíritos, na resposta à pergunta
n.º 02 de "O Livro dos Espíritos" – "O que não tem começo nem fim: o
desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito".
E, em seqüência, na questão n.º 03 é perguntado à Espiritualidade se poder-se-ia
dizer que Deus é infinito, ao que Eles respondem: "Definição incompleta. Pobreza
da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos
homens". A esta questão, acrescenta Kardec em comentário próprio: "Deus é
infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o
infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que
não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a primeira."
Fechando o subtítulo do espaço universal, a questão n. 36 de "O Livro dos
Espíritos" esclarece que não existe o vácuo, pois o que parece vazio está na
realidade ocupado por matéria, porém essa matéria nos escapa dos sentidos e dos
instrumentos.

 Materialismo e Panteísmo:
Apesar de todas as razões que levam convictamente à crença de que Deus Existe,
como causa transcendente necessária do Universo, com os atributos de suprema
inteligência, onipotência, bondade e justiça perfeitas, e infinito em todas as suas
perfeições, há homens, e sempre os houve, que negam a Divina existência. O seu
ateísmo disfarçado ou sincero, mas que é sempre conseqüência da arrogância, da
presunção e do orgulho, leva-os a negar a existência de todo Espírito no Universo,
tanto o Espírito Divino como o que em si mesmo existe e é sede da própria
inteligência e da consciência de cada um; isto é, negam a existência da alma
humana como individualidade independente da matéria corporal e a ela
sobrevivente, considerando-a apenas como resultante da organização cerebral
altamente evoluída do "Homo Sapiens".
Materialismo:
É a doutrina filosófica segundo a qual não existe essencialmente no Universo coisa
alguma além da matéria, quer como causa, quer como efeito. Implica um sistema
dos mundos em que o fundamento único é a matéria, incriada e eterna, isto é,
existente por si mesma, necessária e suficiente, sem interferência alguma de Deus.
O Materialismo como doutrina, ensino ou escola, nasce, praticamente, com Tales
de Mileto, na antiga Grécia, por volta do Século VI a. C.
No longo período que constituí a Idade Média, o materialismo foi sofrendo algumas
alterações, porém sempre rejeitando a idéia de um Criador supremo para todas as
coisas.
Panteísmo:
Segundo essa Doutrina, entre os quais avulta a mentalidade vigorosa de Spinozza,
Deus, sendo embora o Ser supremo, não é, entretanto, um ser distinto, pois
consideram-no resultante da reunião de todas as forças, todas as inteligências de
Universo.
Sente-se desde logo, a inconsistência de uma tal doutrina que, se verdadeira,
derrogaria os mais necessários dos atributos de Deus: ser eterno, imutável,
imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom .
Comenta Allan Kardec com relação a esta doutrina, que ela faz de Deus um ser
material, sujeito a todas as vicissitudes e necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia
um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Acrescenta ainda, que
não podemos aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus. Essa Doutrina
confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que
engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou ou a
construiu.
A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o
pintor que o concebeu e executou.
Bibliografia
O Livro dos Espíritos – Parte Primeira – Das Causas Primárias – Perguntas 01 à
16; 50 à 51;
A Gênese – Cap. I, 10 à 16; 20; 24. Cap. II itens 1 à 7; 8 à 19;
O Grande Enigma – Ação de Deus no Mundo e na História; Necessidade da idéia
de Deus; Notas complementares – Léon Denis.
Deus na Natureza – Camille Flammarion.
Depois da Morte – Livre-arbítrio e providência – Léon Denis.
Estudos Espíritas – Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito de Joanna de Ângelis –
Cap. I, p. 17 à 23.
O Céu e o Inferno – Doutrina das penas eternas – Parte I, cap. VI, itens 10 à 16.
Obras Póstumas – Deus - Parte I, item 2.

Abraços fraternos!

Colaboração: Tullius Aguair 

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